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Aurea: “Sou muito racional, mas tenho um lado sonhador”

Aurea tem apenas 24 anos mas sabe exatamente o que quer, muito pelo facto de se sentir muito bem apoiada pela banda que a acompanha e pela família, que a ajudou a crescer.

Manuela Silva Reis
28 de janeiro de 2012, 10:00

A escolha do seu nome parece ter algo de premonitório. “Na altura os meus pais pensaram que o nome, por si só, teria energia positiva”, explica Aurea, que aos 24 anos é uma das vozes mais bem sucedidas do país. Já teve direito a um Globo de Ouro como Melhor Intérprete em 2010 e em 2011 venceu a categoria de Best Portuguese Act nos prémios MTV.
Natural de Santiago do Cacém, onde nasciam os bebés das redondezas, a jovem Aurea viveu com os pais e os avós em Alvalade do Sado até aos dois anos, quando acompanhou os pais para Silves. Só de lá saiu para rumar a Évora, onde deixou ‘pendurada’ a licenciatura em Estudos Teatrais. Ela sabia que queria palco, mas pensava que era para ser atriz. Não foi. Rui Ribeiro, companheiro de banda, ouviu-lhe a voz e ‘roubou-a’ ao teatro. Entretanto, já deu o seu nome a dois discos e defende: “A música e o trabalho como equipa e a minha voz têm de estar sempre bem, mesmo em detrimento da vida pessoal.”
– Não acha que a escolha do seu nome foi um bocadinho premonitório?
Aurea – [risos] Eu não gostava do nome quando era pequenina. Achava que era muito diferente, e como nunca conheci nenhuma Aurea em Silves, queria mudar para o nome da minha melhor amiga, mas hoje gosto muito do nome. Na altura os meus pais pensaram que o nome, por si só, teria energia positiva.
– Na infância era tipo maria-ra­paz ou nem por isso?
– Sempre fui muito menina, sempre gostei muito de me arranjar, sempre me cuidei muito. Foi algo passado pela minha mãe, mas eu também refilava muito e sabia exatamente o que queria vestir. A minha avó chegava a dizer “ai filha, a avó vestia-te tão bem quando eras pequenina e agora andas de calças largas”, mas sempre gostei muito de ter a minha opinião e de ter as mi­nhas coisas. Os meus pais também sempre me deram liberdade q.b.
– Algum dos seus pais é ligado às artes?
– Não, não profissionalmente. Como passatempo, a minha mãe sempre gostou de cantar e o meu pai de tocar guitarra, ele acompanhava fados no Algarve. A minha mãe cuida de crianças e o meu pai era motorista, o meu irmão é psicólogo e toca guitarra. O meu pai, a certa altura, deu-nos as bases da guitarra. O meu irmão é um interessado e sabe bastante, mas eu não tive paciência...
– Não é uma pessoa paciente?
– Já fui menos paciente do que sou hoje. Tenho vindo a tentar aperfeiçoar-me. Hoje em dia gostava de saber tocar um instrumento, tenho um grande amor pela guitarra e não sei se um dia não vou dedicar-me a ela... A guitarra era o instrumento da casa.
– Pelo que sei, estava a fazer a licenciatura em Teatro, em Évora, quando se virou para a música...
–É verdade. Fiquei no último ano do curso. Não acabei porque a música entrou na minha vida. O Rui Ribeiro, que é o compositor das músicas do meu disco, estava na mesma universidade e ouviu-me a cantar numa brincadeira entre amigos. Foi ouvindo e uma vez per­guntou-me se eu queria experimentar gravar uma música. A princípio ainda fiquei um bocadinho reticente, mas acabei por ir cantar a música que ele já tinha composto.
– A sua voz nunca a tinha surpreendido?
– Eu gostava muito de cantar, desde pequenina que a família me pedia para cantar, mas era algo natural. Eu própria me surpreendi e quando o Rui me convidou teve imensa paciência, porque eu não acreditava que podia fazer da minha voz a minha profissão.
– Entretanto, veio para Lisboa.
– Sim, precisamente quando con­gelei a matrícula na faculdade...
– E pensa descongelá-la?
– [Risos] Quem sabe? Está em pause, não a anulei. Deixei o curso de teatro pela música. Se não cantasse, seria atriz.
– Por causa do sucesso, a sua vida ficou muito preenchida. Como é que gere o lado pessoal?
– Arranja-se sempre algum tempo para estarmos com a família. Este verão, por exemplo, fiquei muito tempo sem ir ao Algarve. Vejo os meus pais nos concertos, mas é sempre só um bocadinho.
– Dá primazia à carreira mesmo em detrimento da vida pessoal?
– Sim, agora é o mais importante.
– É por isso que neste momento não tem namorado?
– [Risos] Não, acho que não. Há tempo para tudo. Temos de fazer o esforço para o arranjar. Se soubermos gerir o nosso tempo, conseguimos arranjar esse bocadinho para esse lado. Porque temos de viver e isso também é muito importante para mim.
– Considera-se conscienciosa ou tem alguns ímpetos?
– Não faço nada sem pensar. Tem de ser. Na vida profissional temos de pensar.
– E na vida pessoal? Consegue controlar o coração?
– Sim, sim. Quando tenho certeza do que quero, claro que me atiro de cabeça, mas é só quando tenho a certeza. E isso geralmente acontece de imediato.
– Ainda não chegou àquela fase em que sente necessidade imperati­va de ter o coração preenchido?
– Não, eu estou bem. Sinto-me bem e sou feliz. Sinto-me muito amada pelos meus amigos e pela minha família.
– É sonhadora ou racional?
– Sou muito racional, mas tenho o meu lado de sonhadora. No palco é diferente. Quando canto estou a interpretar, deixo a minha alma falar e nem penso se vou fazer assim ou assado. Deixo-me ir.

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