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Paco Bandeira: "Se for condenado, peço aos que me apoiam que me matem"

Está a decorrer no Tribunal de Oeiras o julgamento de Paco Bandeira, acusado de violência doméstica contra a segunda mulher, Maria Roseta, e de maus tratos à filha, Constança, que completa 13 anos no próximo dia 14 de fevereiro.

Cristiana Rodrigues
22 de janeiro de 2012, 12:00

Paco Bandeira está a ser julgado por violência doméstica contra a sua segunda mulher, Maria Roseta, de 49 anos, e de maus tratos à filha de ambos, Constança, de 12. Dias antes de se sentar no banco dos réus do Tribunal de Oeiras para a segunda sessão do julgamento, o músico esteve no Palácio da Justiça para uma tentativa de conciliação num processo movido pela RTP. O canal público acusa-o de roubo de material técnico para a sua empresa Profissom, na altura produtora do programa Diversidades, que o músico apresentava na RTP Internacional. Foi aí que nos encontrámos com Paco Bandeira. À boleia desse processo antigo, acabámos por conversar com o músico sobre o assunto que tem dominado a imprensa. Paco Bandeira, de 66 anos, disse-nos que nunca esteve tão bem na vida, nunca se sentiu tão importante: "Nunca fui tão cumprimentado, tantas vezes capa de revistas."
– Quando se é alvo deste tipo de acusações, é preciso coragem para se sair à rua?
Paco Bandeira –
Eu tenho tanta certeza, tanta segurança em mim, que estou-me nas tintas. Quem olha para mim vê aquilo que os seus olhos querem ver, a realidade sou eu. O que vale em mim é aquilo que eu digo, aquilo que eu canto, e é por isso que andam pessoas assustadíssimas, porque eu estou a dizer coisas muito importantes, com muita verdade, estou a cantar temas fundamentais para todos nós e estou muito à vontade. E devo dizer que, sinceramente, sem ironias, estou muito contente, porque eu não sabia que era tão importante.
– Mas ser assunto por estes motivos não é propriamente agradável...
No meu julgamento vai estar toda a gente, vai ser uma maravilha! Mas a minha inocência provar-se-á. Há uma acusação do Ministério Público (MP), e o MP é que tem de fazer prova. Não sou eu que tenho de me defender das acusações. Se o MP comprovar e transitar em julgado, meus amigos, peço a todos aqueles que me ouvem e que me estão a apoiar que me matem, que me condenem, que me deitem para o lixo...
– Sente-se muito confiante, mas com este caso volta-se a falar do suicídio da sua primeira mulher...
Sim. Há quem diga que fui eu que matei a minha mulher. Aqui há uns anos talvez não conseguisse falar do assunto com tanta lucidez – não é de um momento para o outro que perdemos a pessoa que mais amamos na vida, com quem vivemos 35 anos, e que temos de levar com o mundo em cima –, mas neste momento tenho a energia toda que a razão me dá. É muito feio, é asqueroso, chamar a atenção das pessoas para casos que estão resolvidos e que estão mais do que provados. Eu nunca fui acusado pelo MP. A associação da arma neste processo tem a sua habilidadezinha.
– Confirma, então, que está tranquilo?
Estou tranquilíssimo, mais do que tranquilo. Vivemos num país livre, com uma liberdade que todos nós ajudámos a conquistar, isto não ia alterar-se de um momento para o outro, só se estivesse tudo maluco, e então valia a pena ser condenado.
– Essa tranquilidade não será só fachada, não será uma defesa?
Sou um indivíduo normal, cheio de problemas, como toda a gente, mas porque teria uma fachada? Tenho a consciência tranquila. Se a seguir se provassem as acusações, o que é que eu ganhava em estar a dizer estas coisas? Era um mau investimento em mim próprio!
– Jamais tocaria em alguém?
Jamais.
– Ouve comentários desagra­dáveis?
Sim, alguns. Ouço dezenas deles positivos e depois três ou quatro desagradáveis. Mas ando à vontade na rua, sou um cidadão livre e não tenho medo de nada. Vou ao ginásio, vou almoçar e, por vezes, as pessoas até exageram no trato. E eu até agradeço que não o façam, porque é tão ofensivo rebaixarem-me como elevarem-me.
– De que forma tenta proteger a sua filha mais nova?
A Constança tem noção da grande injustiça que se está a passar com o pai. Obviamente que ama a mãe e tem razões para isso e também tem razões para amar o pai. Por isso temos tentado protegê-la.
– Tem tido contacto com a Constança ou houve algum tipo de afastamento?
Todos os dias falo com ela. A nossa relação é muito saudável, complementa a educação que a mãe lhe dá. Ela está num dos melhores colégios do país, é uma aluna excelente, a mãe trata-a muito bem em tudo o que são ques­tões femininas e na educação que deve ter. Quando ela quer filosofia e falar de coisas importantes, fala comigo. Conversamos como dois adultos, eu tenho o maior respeito por aquela inteligência e nunca faria nada, nunca lhe levantaria um dedo, desde o dia em que ela nasceu. E repare que na altura eu nem sequer queria ter mais filhos, mas assim que lhe peguei ao colo aconteceu um milagre. Ela é a pessoa mais importante da minha vida.
– As suas filhas mais velhas estão do seu lado?
Têm estado sempre do meu lado. Apoio emocional não me falta. Mas claro que tanto a Paula como a São também sofrem muito com isto, dá-lhes cabo do sistema nervoso.
– Está preparado para enfrentar a sua ex-mulher em Tribunal?
Nós não nos odiamos. Estou preparado para enfrentar toda a gente e até ela. Eu não quero que lhe aconteça nada. Se o caso me for favorável, o que penso que vai ser totalmente, não quero que as pessoas a persigam, que a difamem, que seja vítima deste processo, porque, acima de tudo, é mãe da minha filha. E a minha filha ama-a. Ela está é mal rodeada: trabalha nas prisões, já passaram por ela os maiores bandidos do mundo e já tratou de todos esses casos...
– Que motivos levaram à vossa separação?
Um dia recebi uma SMS que dizia: “Vou sair de casa a conselho da minha advogada.” Curioso é que um mês antes eu tinha comprado uma moradia de 400 mil euros que pus em nome da Constança com usufruto do pai e da mãe. Hipotequei o monte, comprei a pronto para ficar escrito que a casa era dela. E depois disso ela foi-se embora. Como vê, fui apanhado de surpresa.
– Não é de ânimo leve que as pessoas decidem separar-se. Já não havia amor?
Não. Para ser sincero, o gran­de amor da minha vida foi a Fernanda. Começámos a viver juntos com 17 anos. Hoje apaixono-me mais por ideias, conceitos e formas de estar na vida, mais do que por outras coisas, e isso também já não havia entre mim e a minha ex-mulher, porque não havia diálogo. Ela é uma mulher bonita, atraente, o que é importante à primeira vista. Depois, o que se estabelece entre as pessoas é a cumplicidade. O resto é uma coisa animalesca e parva, muitas vezes até ridícula, como dizia o Pessoa.

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