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Albano Jerónimo: “Acho redutor ser visto apenas como o galã ou o rapaz giro”

O ator é um dos protagonistas do ‘remake’ da novela ‘Dancin’ Days’, que será exibida na SIC, e prepara-se para ser pai.

Marta Mesquita
22 de janeiro de 2012, 15:00

Albano Jerónimo já não fazia novelas há quatro anos, e quando surgiu a oportunidade de ser um dos protagonistas do remake que a SIC e a Globo se preparam para fazer de Dancin’ Days, aceitou com entusiasmo o desafio.
O ano que começa vai ser um dos mais importantes na vida do ator. A par da sua participação nesta novela – e noutros projetos profissionais –, Albano e a sua companheira de longa data, a também atriz e autora Cláudia Lucas Chéu, vão estrear-se muito em breve no papel de pais, que será, segundo o ator, “a grande etapa que começa este ano e que vai durar o resto da vida.”
Dias depois de ter regressado do Brasil, onde já começou a preparar Cacá, a personagem que interpreta na novela, o ator conversou com a CARAS sobre os desafios que se prepara para viver.
– Há vários anos que não participava em nenhuma novela. O que é que o convenceu a in­tegrar o elenco deste remake?
Albano Jerónimo
– Foram três coisas. Em primeiro lugar, a possibilidade de trabalhar com a Globo e fazer o remake de uma novela que marcou a ficção; em segundo, a oportunidade de trabalhar com a SIC – sou ator freelancer e nunca tinha trabalhado nesta estação –; em terceiro, tinha vontade de abraçar este registo, porque há muito tempo que estava afastado. Fazer novelas envolve um método de trabalho muito específico, tem um ritmo próprio e estava com saudades disso tudo.
– A maior parte dos atores diz que fazer novelas é um trabalho muito absorvente que deixa pou­co tempo para a vida pessoal. Gosta de se sentir totalmente dedicado ao trabalho?
– Às vezes gosto. O teatro e o cinema são os registos em que me sinto melhor, porque há mais tempo para criar algo. O traba­lho vai entrando em nós pouco a pouco e chega-nos à pele. Na televisão não há tempo para isso, mas estou com saudades de sentir essa urgência. Quero voltar a sentir essa adrenalina, com a qual podem surgir coisas muito interessantes e espontâneas.
– Ainda faz sentido diferenciar atores que só fazem cinema e teatro dos que fazem novelas?
– Um ator representa e isso pode fazer-se em qualquer registo. Acredito é no percurso de aprendizagem que cada pessoa faz. Para mim, faz mais sentido passar pelo teatro e cinema, porque é o que me toca mais, é onde me reconheço mais. A televisão é uma saída clara no nosso mercado, um trabalho digno, altamente respeitado, e quem não o vê assim acho que não é inteligente. Temos de agradecer as oportunidades de trabalho que aparecem. Acho que temos de ser humildes para receber bem aquilo que podemos fazer. Mas esse preconceito existe e ainda é uma realidade, infelizmente.
– Esteve no Brasil a preparar a sua personagem, Cacá, para esta novela. Ficou deslumbrado com o que viu no Rio de Janeiro?
– Não fiquei deslumbrado, mas senti um enorme respeito pela estrutura da Globo e de facto no Rio de Janeiro o universo televisivo é uma realidade muito presente. O que mais me marcou na Globo foi perceber que todos os funcionários estavam contentes por lá trabalharem e isso é um ótimo sinal, respira-se ali um bom ar. Gostei muito da cidade e fui muito bem recebido. Foram dez dias de trabalho altamente rentáveis, uma oportunidade única. Estive completamente focado no que estava a fazer, chegámos muito longe e foi o início da bela caminhada que vai ser este projeto. No Rio de Janeiro é tudo mais intenso, pelo menos no que diz respeito à televisão.
– Pode re­velar alguns traços do Cacá?
– Vem de uma família bem posiciona­da, sem problemas financeiros, mas está insatisfeito com aquilo que faz na vida e na maior parte das vezes não tem coragem para mudar, o que é muito atual. Assim, em traços gerais, é o que posso dizer sobre ele.
– A sua per­­sonagem é muito diferente de si, já que o Albano é uma pessoa muito realizada naquilo que faz...
– Sinto que sou um felizardo, porque trabalho na área que mais me realiza. Não sei se farei isto toda a vida, mas de certeza que não me afastarei deste universo.
– Tem vontade de experimentar outros ‘papéis’ além do de ator?
– Tenho vontade de fazer várias coisas e encenar é uma delas. Recentemente também realizei uma espécie de documentário de ficção e foi uma experiência na qual me senti muito bem. Não sou realizador, sou simplesmente um curioso. Estar atrás das câmaras é mais uma maneira de me divertir e conhecer.
– Há 11 anos, quando começou, imaginava-se um ator com tanto trabalho?– Não imaginava... Concorri ao Conservatório e as portas abriram-se. Saí no segundo ano, porque tive ofertas de trabalho e desde então não parei. O Conservatório prepara-nos enquanto pessoas para absorver um texto, agora essa ideia de nos preparar de forma concreta para o mercado de trabalho não existe. Mas considero o Conservatório primordial para qualquer ator, porque nos dá bases estruturantes e já pensei em acabar o curso, porque até seria interessante dar aulas.
– Sempre fez questão de não ficar associado aos papéis de galã. Não gosta de se ver como o menino bonito?
– Partiu de mim essa vontade de não ficar confinado a estereótipos e tive pessoas ao meu lado que aceitaram essa minha orientação e me deram a possi­bilidade de fazer personagens muito mais arriscadas, coisas não bonitas, não arranjadinhas... E a minha pausa em televisão foi também por causa disso. Pode ser perigoso para um ator ficar preso a um estereótipo. Acho redutor ser visto apenas como o galã e o rapaz giro. Enquanto atores, temos de ser barro para nos moldarem.
– 2012 vai ser um ano impor­tante na sua vida...
– Vai, sem dúvida. Vou começar os ensaios para uma peça que vou estrear no São Luiz, em março, portanto, vai ser uma loucura, porque as gravações da novela também devem começar nessa altura. Nesse mesmo mês também estreia o filme Florbela, de Vicente Alves do Ó, um realizador apaixonado e apaixonante. Depois, acabei recentemente de gravar o filme do Raúl Ruiz.
– Este ano também vai ser marcante na sua vida pessoal, pois vai ser pai muito em breve...
– É verdade... Pois em 2012 vão nascer também dois pais e isso é de facto a grande etapa que começa este ano e que vai durar o resto da vida. Estamos felizes e com muita vontade de sermos pais. Vamos ter de nos habituar a esta nova realidade. As prioridades vão mudar, os horários também e vamos ter de nos organizar. Mas vai ser, acima de tudo, uma questão de amor.

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