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Liliana Campos: "Acredito que tenho um grande amor à minha espera"

Numa conversa emotiva, a apresentadora da SIC falou-nos dos seus sonhos e do susto que viveu com a doença da mãe.

Cristiana Rodrigues
21 de janeiro de 2012, 16:00

"Ou me manda calar ou vai ter uma trabalheira para editar esta entrevista...” disse Liliana Campos, com humor, quando começámos a conversar. Mas deixámo-la falar, falar, falar... Respondeu às perguntas sempre com o tom de quem está a contar uma história. Por vezes intimista. Riu-se de si própria, emocionou-se ao falar da mãe, Zena Campos, de 80 anos, que esteve em risco de vida, e, com grande confiança, revelou que se sente realizada e cada vez mais segura, que não sente o peso dos 40 e que não gosta de estar rodeada de pessoas que estão sempre a lamentar-se. Nesta entrevista, houve também espaço para a apresentadora de televisão, há 18 anos na SIC, confessar que espera viver uma grande história de amor com final feliz.
– Há quem diga que com a entrada nos 40 as mulheres fazem um balanço...Liliana Campos – Sinto-me muito bem e nem me lembro que tenho esta idade [risos]. Sinto que evoluí. Acho que sou uma mulher diferente, para melhor. Aos 20 era muito mais impulsiva, mas acho que também ainda não tenho a tal serenidade que dizem que os 40 trazem, ainda tenho o sangue a pulsar com muita força!
– E em que fase está?
Estou a recuperar alguma tranquilidade... Tive um ano muito complicado, a minha mãe esteve muito doente. Neste momento está bem melhor, mas ainda em recuperação.
– Isso fragilizou-a? Sentiu que podia perder a sua mãe?
Sim, foi um dos piores anos da minha vida. Foi duro. Mas tive sempre uma esperança e uma fé enormes. Nunca deixei de acreditar que a minha mãe ia vencer. É uma lutadora. E numa altura em que já ninguém acreditava, recuperou. Foi um milagre. E estou grata por isso.
– São esses momentos que nos abalam que nos fazem olhar para a vida de outra forma?
Não tenho dúvidas que sim. Obvia­mente que preferia não ter passado por isto, mas já que aconteceu, acabei por retirar a melhor lição deste mau momento. Posso garantir que cresci e passei a olhar para as coisas de outra maneira, a acreditar no que sinto, no meu instinto...
– Teve a sensação de que se a sua mãe não tivesse sobrevivido muito teria ficado por dizer?
Eu e a minha mãe sempre fomos muito cúmplices, muito amigas. Sempre partilhei tudo com ela e sempre a fiz sentir quão importante é para mim. Mas claro há sempre coisas que ficam por dizer, por isso falei com ela durante o tempo em que esteve internada. Apesar de estar ligada ao ventilador, estava consciente e sei que, apesar de não conseguir responder, me ouviu.
– Às vezes esquecemo-nos de dizer ‘amo-te’ às pessoas que nos são mais queridas...
Sim... Em 2010 perdi a minha tia, uma pessoa muito importante na minha vida, a pessoa que ajudou a minha mãe a criar-me e, inclusivamente, vivia connosco. Quando ela ficou doente, senti que tinha de lhe dizer muita coisa que não tinha dito até então. Manifestar-lhe o meu amor e agradecer-lhe por tudo o que tinha feito por nós. E nessa altura ganhei o impulso e passei a fazê-lo ainda mais com a minha mãe, a pessoa mais doce e terna que conheço.
– Numa relação amorosa, ‘amo-te’ é uma palavra que também usa bastante?
Claro que também é muito impor­tante dizê-lo e, mais do que isso, demonstrá-lo. Mas não o digo da boca para fora, aquele dizer só por dizer, ou porque me dizem também. Digo-o só quando o coração sente que é a altura. Digo-o quando me apercebo de que já é muito mais do que gostar e que não é só paixão. Amar e ser amado é aquilo que todos nós desejamos. Mas a verdade é que com o tempo aprendi a expressar o amor mais facilmente. Antes protegia-me muito mais, tinha dificuldade em falar de sentimentos. Hoje estou diferente.
– Em criança, como é que se imaginava quando fosse adulta?
Imaginava que a esta altura já estaria casada e com filhos. E não aconteceu [risos]. Mas isso não quer dizer que o balanço que faço não seja bastante positivo, as coisas foram acontecendo e eu fui seguindo uns caminhos em detrimento de outros.
– Estabelece metas para a sua vida ou deixa que ela aconteça?
Nunca tive metas assim tão bem definidas, pensar como será é uma coisa, acontecer é outra... Acredito que ainda há muitas coisas boas reservadas para mim. Tive oportunidade de viver outras tantas que no futuro poderiam não acontecer, portanto, foram vividas na altura exata, fizeram-me crescer, enriqueceram-me, e são situações que não vão voltar a acontecer.
– Acredita que tem à sua espera um gran­de amor?
[risos] Acredito nisso, completamen­te. Muita coisa vai acontecer de diferente na minha vida. Há bonitas histórias de amor que começaram aos 40...
– Terá sido por privilegiar demasiado a sua vida profissional que não conseguiu que o amor coexistisse com ela?
Não. E se o fiz não foi premeditado ou propositado. Houve muitos anos em que estive realmente muito dedicada ao trabalho, e não era por obrigação. Fi-lo por prazer, para aprender e evoluir. Nesse sentido, terão com certeza ficado outras coisas para trás.
– Arrepende-se?
Lembro-me de uma altura em que havia casamentos de amigos, batizados, aniversários aos quais não fui porque estava a trabalhar e nesse sentido sim, há situações de que me arrependo, porque há momentos que não voltam a acontecer. Agora, se me arrependo do que foi o meu percurso e da dedicação que sentia que tinha de ter, não, nada disso.
– É mais fácil apaixonar-se por um colega de trabalho, já que passa muitas horas do dia na SIC?
Não acho que seja mais fácil, mas a verdade é que já me apaixonei por co­legas de trabalho A verdade também é que há muitos casais neste meio, porque as pessoas realmente acabam por passar muitas horas juntas.
– Abandona uma relação ao primeiro obstáculo?
Não, de todo! Não viro nada as costas ao primeiro obstáculo. Não é assim que as coisas funcionam. Enquanto acredito, estou, luto, batalho, vou à guerra. Quando sinto que já dei tudo, que já não há mais nada a fazer, então parto para outra, porque há uma vida inteira à minha espera, cheia de coisas boas.
– Mas termina uma relação quando percebe que não dá mais ou arrasta as situações?
Felizmente isso comigo nunca aconteceu. Há muitas pessoas que continuam nos relacionamentos quando tudo está esgotado, com medo de ficarem sozinhas. Eu seria incapaz. Sempre que senti que as relações tinham terminado e achei que já não valia a pena, saí. É talvez por isso que hoje sou amiga dos meus ex-namorados. E sei que se precisar de alguma coisa posso contar com eles. E eles comigo. Sempre fui honesta e talvez em algumas alturas não tenha sido muito compreendida, mas acho que com o passar do tempo isso se revelou uma coisa boa.
– Já viveu desgostos de amor?
Claro que sim. Mas cresci, aprendi a proteger-me e a dedicar-me de outra forma.
– Já se habituou a viver sozinha, criou hábitos e rotinas... Não será cada vez mais difícil partilhar a vida com alguém?
É de certeza. A partir do momento em que vivemos sozinhos tornamo-nos mais egoístas, e quantos mais anos passam, pior é. Estou habituada a ter as coisas em determinado sítio, tenho as minhas manias, os meus horários... Tudo depende do meu biorritmo, se quero ficar na ‘ronha’, fico, se me apetece levantar cedo, levanto-me, só cozinho se me apetece... Mas também acho que quando nos apaixonamos, acabamos por nos adaptar e tudo é mais facilmente moldável.
– É de paixões assolapadas ou consegue viver um amor mais calmo?
Bem, sou de paixões, mas depois esse estado tem de evoluir. De início tem de haver uma grande paixão, sou muito romântica, gosto de estar apaixonada, gosto que estejam apaixonados por mim, gosto de viver aqueles momentos intensos da paixão. São esses momentos que nos vão dar estrutura para que a relação possa crescer e que nos ajudam até a passar por momentos menos bons, pois lembramo-nos de que já vivemos aquilo e que é possível.

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