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Raquel Prates: "Ficarei triste se não tiver filhos"

A apresentadora de televisão e galerista não fazia projeções nem tinha idealizações em relação à vida de casada. Para Raquel, cada dia do seu casamento com o pintor João Murillo tem sido uma descoberta.

15 de janeiro de 2012, 17:00

É uma das mulheres que constam sempre da lista das mais elegantes na eleição anual da CARAS. E em 2010 foi mesmo a preferida dos nosso leitores. Raquel Prates, 36 anos, vestiu-se a rigor e partiu à descoberta do Palácio de Monserrate, inserido no encantatório Parque de Monserrate, Sintra. E durante esta breve visita foi posando para a máquina fotográfica e revelando alguns detalhes da sua vida. A apresentadora de televisão, diretora-coordenadora do portal de arte artelection.com e da Galeria de São Bento – juntamente com o pai, António Prates, e o irmão, Luís Prates –, casada com o pintor João Murillo, falou desta união de cinco anos e meio e revelou que o desejo de ter filhos se mantém. Contou ainda que em 2012 vai voltar a trabalhar em televisão e que o seu blogue sobre tendências de moda e artes visuais – www.raquelprates.com – vai tornar-se um projeto mais ambicioso e criativo. Raquel explicou também como lida com boatos e confirmou que ser alvo de especulações é o reverso da medalha de se ser figura pública: a semana passada, uma revista noticiava que a galerista e o marido teriam uma dívida de quase seis mil euros por falta de pagamento do condomínio do apartamento onde vivem em Lisboa. Assunto que Raquel preferia ter contornado, mas que foi inevitável mencionar.
– São verdadeiras as acusações de dívidas que vos fazem?
Raquel Prates –
A única resposta possível a “acusadores anónimos” é o silêncio, lamentamos que eles não entendam que nunca farão parte da nossa vida. São... anónimos!
– Então, de onde vêm estas notícias?
– Honestamente, não sei. Também questiono porque é que se veiculam informações “anónimas” e de alguma forma se alimenta um defeito tão grande de caráter e formação dando-lhe voz. Acho que é fomentar um novo tipo de chantagem. É uma inversão de valores e também de critérios editoriais, porque a imprensa o permite. Existe uma desresponsabilização total a vários níveis. Mas posso garantir que durmo de consciência tranquila. É uma guerra desigual, porque as armas são diferentes a nível de princípios, moralidade e exposição. Por outras palavras, é jogar xadrez contra alguém que não tem as suas peças em cima do tabuleiro, julgo que mesmo quem nunca tenha jogado xadrez entende o que estou a dizer.
– Com este tipo de rumores a correr, é preciso coragem para enfrentar o público?
Os boatos ou rumores existem desde sempre e não me afetam muito, pois sei que não é possível agradar a todos. Para mim, ser-se corajoso é combater problemas graves de saúde, não é necessário ter coragem para enfrentar o público...
– Ser alvo de especulações é o reverso da medalha de ser uma figura pública?
Infelizmente, é. Mas a visibilidade do meu trabalho profissional e o seu reconhecimento pautam a grande maioria dos momentos, por isso, sinto-me feliz e agradeço.
– A fama tem algum lado positivo?
Nenhum! Nos dias de hoje, ‘fama’ tem um significado pouco honroso. Existem diferenças abissais entre o reconhecimento público de um percurso profissional sério e a fama de um participante de um reality show. Não sou preconceituosa, mas são opções completamente díspares. O reconhecimento é que só tem lados positivos, porque é a possibilidade de crescer e desenvolver um empenhado percurso profissional, de dar a conhecer e aproximar as pessoas de matérias que ignoravam por completo. E esta é uma vertente profundamente generosa.
– O que é que a deixa mais feliz?
Uma lista infindável de coisas... mas entre muitas outras, sentir que sou amada pelos meus é, sem dúvida, o que me deixa mais feliz.
– Por falar em ser amada: está casada há cinco anos e meio. Em que fase está do casamento?
Não consigo olhar para a minha relação como uma fórmula matemática e apontar fases. Os dias são mais importantes e obviamente sempre diferentes. O que posso garantir é que me casei com o homem que amo e essa emoção é tão profunda e tão cheia!
– Ao longo destes anos houve alguma altura em que pensaram desistir do vosso casamento?
Nem sequer alguma vez utilizámos essas palavras. Um casamento é feito diariamente. Todos os dias renovamos os votos, com tudo de bom e menos bom que eles nos trazem. Os momentos melhores devem ser valorizados, porque um problema é a coisa mais fácil de arranjar. Acho que é muito difícil resumir tudo numa receita, e não gosto de projeções em casais que “são um exemplo”. Na realidade, nem na perfeição acredito. Somos só nós... com as qualidades e defeitos inerentes.
–E ainda estão muito apaixonados ou outros sentimentos mantêm agora a chama acesa?
Ambos valorizamos a paixão. Apreciamos a sedução e gostamos de nos sentir seduzidos.
– Qual é a maior prova de amor que se pode dar?
Não sei quantificar. Mas talvez a inesperada e no momento certo. Por vezes... uma palavra, outras um silêncio.
– São bastante independentes ou precisam da constante certeza de que pertencem um ao outro?
Ninguém pertence a outro, mas apreciamos a presença e tentamos organizar os dias de forma a que possamos usufruir sempre da companhia um do outro.
– Era desta forma que imaginava a vida de casada?
Não tinha projeções nem idealizações. É sempre uma descoberta.
– Fala no João com muita admiração. Ainda estão fascinados um com o outro?
Tenho muito orgulho no João. Na sua forma apaixonada e extrovertida de viver. O João gosta de se sentir vivo e celebra-o. Eu... sou provavelmente mais “aborrecida”, pela minha personalidade mais contida. [risos]
– A sua vida tem fugido às linhas que traçou?
Todos os dias! Mas tenho sempre o plano b, c, d... E no final apercebo-me de que provavelmente me deveria ter poupado a tantas antecipações e soluções. Mas não considero perda de tempo, é a minha personalidade.
– Numa entrevista que nos deu anteriormente, dizia que se fizesse planos 2011 seria o ano em que teria um filho. Esse desejo não se concretizou...
Infeliz­mente não se concretizou até hoje, mas continuo a desejá-lo e a fazer planos nesse sentido.
– Acha que ter um filho a poderá privar de algumas coisas que ainda quer fazer?
Não, pelo contrário. Poderá oferecer-me muitas coisas que ainda quero fazer.
– Com o passar dos anos não se tornará cada vez mais difícil decidir ter filhos, já que correm o ‘risco’ de se habituarem a viver com os vossos horários, os vossos hábitos…
De todo. Eu e o João temos a capacidade de nos adaptarmos às melhores e piores circunstâncias da vida. Gosto de partilhar as coisas boas com as pessoas que amo. Pelo menos até agora ainda não temos vícios de pessoas sós.
– Se não tiver filhos, essa será uma lacuna da sua vida?
Não será uma lacuna, mas confesso que ficaria triste se assim fosse. Gosto da ideia de uma casa cheia.
– Em termos de afetos, sente-se segura?
Em relação aos meus afetos? Sim! Faço diariamente uma autoanálise na tentativa de ser uma pessoa melhor. Tento viver em paz, comigo e com os outros.
– Tem planos para começar 2012?
Não. É curioso... Antes era uma data que fazia questão de preparar ao detalhe. Não sei se tem que ver com a velocidade a que somos obrigados a viver, ou com as mutações que o tempo nos transmite. Hoje já só a verdade é o único “detalhe” importante de que não abdico. Já só me preocupa com quem estou nesse momento, quer fisicamente, quer em memória, pois nessas alturas não consigo deixar de pensar nas pessoas que gostaria tanto que continuassem a respirar na minha vida. E claro, usufruir!
– Para terminarmos: na passagem de ano tem por hábito beber uma taça de champanhe e comer as 12 passas à meia-noite?
A taça de champanhe, as 12 passas, os 12 desejos, a nota na mão, o pé direito elevado, telefonemas aos pais, tios, primos e avó, e um abraço muito demorado do meu marido!

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