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Pedro Costa Pinto premiado pelos seus “desenhos toscos” a preto e branco

O museólogo, de 39 anos, deixou-se fotografar no seu escritório de casa, onde costuma trabalhar, e onde se podem ver expostos alguns dos seus desenhos, feitos a preto e branco.

Joana Brandão
15 de janeiro de 2012, 18:00

Há dez anos, foi considerado por uma revista de social “um dos solteirões mais cobiçados da Invicta”. Charmoso, comunicativo, atencioso, interessado no mundo que o rodeia e assumido bon vivant, Pedro Costa Pinto, de 39 anos, recebeu-nos em sua casa, o porto de abrigo onde frequentemente reúne os amigos, para nos contar um pouco da sua história. Com uma memória invejável, baseia-se nas recordações da infância e da adolescência, mas também em episódios vividos pelos seus antepassados, para desenhar, a preto e branco, personagens “toscas e gordas, com as caras e o cabelo sempre iguais”, em situações do quotidiano. Com esses desenhos venceu, em 2011, o concurso Talentos Emergentes Mundo Mix. Um reconhecimento que o incentivou a preparar, para o primeiro trimestre deste ano, uma exposição em Lisboa.
Licenciado em Ciências His­tóricas, no ramo de Património, e pós-graduado em Gestão de Bens Culturais, o atual coordenador da Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio, no Porto, conta que herdou a sensibilidade artística da família materna, da qual fazem parte nomes como o da decoradora Maria José Salavisa, da pianista Carlota Tinoco ou do pintor Abílio de Mattos e Silva.
Nascido em Lourenço Marques, Moçambique, mas a residir no Porto desde os 17 anos (depois de 15 anos em Lisboa), Pedro Costa Pinto fala com orgulho e ternura dos pais, Francisco da Costa Pinto, antigo banqueiro e sócio de Jorge Jardim no Banque du Gabon, falecido em 2007, e de Boratinho de Mattos e Silva.
– Como é que uma pessoa que tem desenvolvido o seu percurso profissional na área da História vence o concurso Talentos Emer­gentes Mundo Mix?
Pedro Costa Pinto
– De forma tão despretensiosa quanto isto: enviei um desenho por e-mail. Desde os 17 anos que faço estes desenhos toscos, que têm sempre as mesmas características, e nos remontam para universos passados, mas nunca os tinha mostrado a ninguém. Até que uma amiga os viu e me desafiou. A passagem pelo Mundo Mix permitiu-me dar a conhecer o meu trabalho a um universo mais abrangente e ouvir críticas muito encorajadoras. No entanto, não me considero um artista. Aliás, este é só um dos meus muitos interesses. Como dizia um amigo meu, sou um homem do Renascimento, interesso-me por várias áreas, como psicologia, escrita, genealogia, artes plásticas e decorativas, joalharia, design...  sou um curioso por natureza.
– Tal como os seus desenhos, também os objetos que tem em casa remetem para o seu passado...
– Sou um sentimentalão e tenho a sorte de ter ótimas memórias. Tudo aqui em casa tem história. Os objetos, por si só, são excelentes auxiliares de memória. Mas atenção: herdar uma coisa não faz de nós proprietários. Prefiro ver-me como o guardião da história da minha família, das recordações, das fotos, das ‘tricas’ e dos romances... Acredito que se conhecermos os nossos antepassados as coisas fazem mais sentido.
– Fala com carinho e orgulho dos seus pais. São referências importantes na sua vida?
– O meu pai teve um papel muito importante na minha vida. Era uma pessoa excecional, um homem de valores inabaláveis, de uma verticalidade ímpar. Tenho muitas saudades de o ter por perto... Já a minha mãe, é um tsunami com pernas, tem uma força indescritível! Adora viajar e tem muita vida e energia. Sei que posso contar com ela sempre, nunca me faltou. Tenho um orgulho enorme e uma sorte imensa em ser filho de pessoas tão bonitas e que conseguiram transmitir-me princípios, mas também otimismo e boa disposição.
– Há dez anos, uma revista noticiou que estava de casamento marcado e descrevia-o como “um dos solteirões mais cobiçados da Invicta”. O que aconteceu desde então?
– Aqui continuo eu solteiríssimo, não sei se ainda cobiçado ou não, mas sem razões para me queixar [risos]. Gosto imenso de viver e, felizmente, tenho tido uma vida ótima e ótimos ami­gos. Confesso que aos 24 anos ponderei ir para padre, mas em conversa com o padre Pedro Gambôa percebi que podia ser um bom leigo, em vez de um mau padre. Tenho espírito de missão, sim, mas gosto muito de gozar os prazeres da vida.
– Ainda não se casou, mas é um homem extremamente ligado à família. Faz parte dos seus planos ter filhos?
– Gostava muito, mas não é uma coisa que se possa impor. Há alturas para tudo.

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