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António Quina e Andrea Martins: Uma história de amor especial

O fundador de A Vida é Bela e a namorada criaram um novo conceito baseado na relação de ambos.

Andreia Cardinali
15 de janeiro de 2012, 14:00

António Quina, de 44 anos, proprietário e fundador do conceito A Vida é Bela, e Andrea Martins, de 36, são os protagonistas de uma história de amor que começou no Brasil e deu origem à criação da marca A2, inspirada nas iniciais dos nomes de ambos e no facto de fazerem tudo a dois. De casamento marcado para o próximo ano, contam-nos a sua história.
– Conheceram-se durante uma viagem transatlântica feita pelo António...
António Quina – A minha vida é procurar satisfazer os sonhos dos meus clientes e houve uma altura que achei que deveria satisfazer os meus próprios sonhos. Tinha o sonho antigo de atravessar o Atlântico de barco à vela e decidi que este seria o ano certo. No dia 4 de janeiro parti, com três amigos, à aventura.
– Essa viagem acabou por lhe trazer uma surpresa: a Andrea.
Julgo que na realidade ia à procura de mim próprio. Encontrar a Andrea foi natural, uma coisa que tem sido para nós extremamente emotiva e vivida. Partilhamos um caminho juntos e assim tem sido desde que nos conhecemos.
– E como se conheceram?
Foi uma história muito engraçada: um dia, em Fernando Noronha, fomos mergulhar e ao nosso lado estava a Andrea. Foi um daqueles mergulhos inesquecíveis, partilhado a dois, e quando regressámos à superfície combinámos os dois que nessa tarde iríamos à loja juntos ver as fotografias que nos tinham tirado.
Andrea Martins – Depois encontrámo-nos à porta da igreja mesmo ao lado da loja e a verdade é que começámos a falar, não mais parámos e nem chegámos a ir ver as fotografias. Percebi de imediato que havia uma ligação, pois tivemos uma daquelas conversas que mesmo com alguém que se conheça muito bem, raramente se tem. Foi uma conversa com muita empatia, daquelas em que partilhamos coisas muito íntimas e nos sentimos compreendidos de uma forma inexplicável.
António – Talvez por isso a nossa relação seja tão forte, pois aconteceu muito naturalmente. Captámos logo a boa energia um do outro.
– E quando perceberam que estavam apaixonados?
Andrea – Eu estava de férias sozinha e na verdade a última coisa que queria era conhecer alguém. Quando ele se foi embora, já que só ficou dois dias na ilha, eu sabia que nos encontraríamos outra vez, pois ele ia de barco para o Rio de Janeiro, onde moro. Para mim, até aí, não tinha passado de uma ligação especial e cada um seguiria a sua vida. Antes de ele chegar ao Rio ia passar em Salvador e o tempo que ele demorou foi o mesmo que eu levei a chegar ao Rio. Aí, ele ligou-me a dizer que ia apanhar um avião para ir jantar comigo e foi isso que fez a diferença.
– Quando decidiu ir jantar com a Andrea já tinha um objetivo...
António – Fiquei genuinamente interessado em conhecer melhor a Andrea. A nossa relação é também especial por causa disso, as coisas foram acontecendo, não há uma forma de definir. Entre nós não há datas marcadas, há momentos.
– Mas há objetivos comuns, até porque já planeiam casar-se...
Temos um objetivo muito claro que é ser­mos felizes e vivermos a nossa vida com verdade, o que é muito difícil nos dia de hoje. Casar é sim­bólico. Queremos muito, mas o mais importante é assumirmos um compromisso a dois.
– Têm vivido uma relação muito intensa...
Há um poema de Fernando Pessoa que define muito a nossa relação: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” Desde que estamos juntos, não me recordo de um dia em que não tenhamos partilhado e construído algo.
– O António mudou-se pa­ra o Rio de Ja­neiro por amor…
Fui definitivamente porque me apaixonei e porque felizmente o meu trabalho também o permite. Sair de Portugal, deixar as minhas filhas e a família, não foi uma opção tomada de ânimo leve, mas percebi que devia seguir o meu coração.
– Como é que as suas filhas reagiram?
Não posso falar por elas, mas eu sinto que estou cada vez mais próximo delas e que temos uma relação mais intensa e verdadeira. Tenho estado a aprender a relacionar-me do ponto de vista qualitativo com elas. Claro que não é fácil, por vezes tenho imensas saudades e há alturas em que é muito difícil, mas é muito bom quando as reencontro e foi muito bom quando as apresentei à Andrea. Temos tido momentos muito especiais.
– Andrea, esta mudança do António para o Brasil foi uma prova de amor...
Sem dúvida, mas julgo que o foi de ambos os lados. Eu vivia sozinha há muito tempo, nunca me casei e nunca o quis, pois tinha medo de perder a minha individualidade e connosco esse problema não existe. Eu também tive de mudar as minhas rotinas, pois aquela era até então a minha casa. Foi uma prova de amor dele muito grande, mas julgo que foi recíproco.
– E como foi o pedido de casamento?
António – Foi um momento muito pensado e especial. Noutras relações da minha vida nunca me quis casar pois não achava que fizesse sentido. E aqui por alguma razão houve um apelo diferente.
Andrea – Vimos no Brasil o filme Meia-Noite em Paris, do Woody Allen, e iríamos celebrar o nosso aniversário de nove meses em setembro, em Paris, cidade onde os meus pais e tios também estavam de férias. O António pediu para não marcar nada no dia 11 às 17 horas, alugou um carro de 1911 para nós e outro para os meus pais e tios, para que conhecêssemos a cidade. Antes do jantar passámos em Montmartre e parámos numa rua pequenina, altura em que ele tirou uma caixa do bolso e me fez o pedido. Eu só chorava, ele também e foi um momento muito forte para ambos. Nunca quisemos casar e naquele momento não havia dúvidas nenhumas. É muito estranho [risos]. A mesma certeza que sempre tive de que não queria casar, tenho hoje de que com o António faz todo o sentido. A nossa história é muito especial.

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