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Carlos Medeiros: "Quero continuar a ser um bom ser humano"

O ‘event designer’ conta como gere a profissão e a vida familiar, da qual faz parte a filha, Marta.

Cristiana Rodrigues
14 de janeiro de 2012, 12:00

Quando pensava no que queria ser quandocrescesse, Carlos Medeiros, agora com 48 anos, apenas sabiaque queria viajar, viajar muito. E durante anos conseguiu fazê-lo.Como event designer da Cateri, empresa de catering e produção de eventos, um dia acordava num sítioe adormecia noutro. Las Vegas, conta, é a sua cidade preferida paradar asas à imaginação, que é como quem diz, dar asas... à produção.Agora, 25 anos de experiência profissional depois, continua acorrer de um lado para o outro. O seu dia começa às sete da manhã etermina lá para as tantas. Entre a Cateri e o Aura, restaurante noTerreiro do Paço, ainda tem de gerir a sua vida pessoal eprincipalmente cumprir o seu papel de pai e... de filho. Marta, cuja custódia é partilhada com a suaex-mulher, tem 15 anos, está no oitavo ano e, quem sabe, um diapoderá seguir as suas pisadas. Irene Santos, a sua mãe, é a pessoa a quem dedicaa sua vida. Estas e outras emoções fazem parte desta conversa. Oencontro foi no Aura.
– Aura é um nome que calha bem…
Carlos Medeiros –
Não é por acaso. Um espaço comoeste, em qualquer ponto do universo, tem de ter algo que não sejasó a gastronomia. É bom sabermos que vamos a determinado local eque saímos de lá com uma aura diferente. O Aura é quase um spa deemoções, não é tão sensível ao toque, mas muito sensorial ao níveldo olfato, da visão, do paladar e até da audição, porque temosmúsica fantástica.
– É aqui que tem passado grande parte do seu tempo?
Divido o tempo entre o Aura e a Cateri, porquetenho de assinar as produções, criar as propostas, os momentos eestar presente. O Fabrice [Marescaux], sim, fica aqui o dia todo eeu venho ao final da tarde para estar com a equipa para darformação. O meu dia de trabalho tem geralmente entre 14 a 16 horas,mas dá-me um prazer enorme...
– No meio de tanto trabalho, como é que arranja espaço para a sua vida pessoal?
A minha vida pessoal e a profissional estãocompletamente integradas. Por exemplo, ainda hoje, para fazer estaprodução levantei-me às 6h30 e deixei a Marta na escola meia horamais cedo. Eu prefiro que ela se levante meia hora mais cedo eirmos aqueles 20 minutos de carro a conversar do que pedir àempregada ou a alguém para a levar à escola.
– A Marta está com 15 anos...
Sim, mas acha que tem 18 anos… [risos]
– Diz-se que é uma fase que merece algum acompanhamento...
Eu sempre tive esta vida e certamente estoumuito mais presente que muitos pais. O facto de estarmos em casa àsoito da noite e jantarmos com os nossos filhos não quer dizer queestejamos com eles. Eu posso não estar em casa à hora de jantar,mas estou com ela nos vários momentos importantes da vida dela.Falamos ao telefone várias vezes por dia e as novas tecnologiastambém nos permitem estar sempre em contacto. Há muitos pais queestão em casa mas não têm tempo para os filhos. O afastamentofísico não tem nada a ver com o afastamento emocional.
– Há pais que se culpabilizam por não passar tanto tempo como gostariam com os filhos...
Sim, há muitos pais que se penalizam por teremvidas idênticas à minha, que se culpabilizam por trabalharemdemasiado. A esses pais digo para não se preocuparem, porque oimportante é termos um papel ativo no dia a dia deles,independentemente das horas que passamos juntos.
– A Marta tem crises típicas da adolescência?
Ela é uma adolescente fácil. Claro que hámomentos em que se excede, mas quem impõe as regras sou eu. Porexemplo, a Marta é muito espontânea e ‘parte o mundo’, mas com umaconversa de dois minutos rapidamente desce à terra e muda aatitude.
– E já mostra algum gosto por esta área? Acha que vai seguir as suas pisadas?
Bem, ela gosta de cozinhar e de estar presenteem alguns eventos nossos. Nas férias de verão esteve no Aura atrabalhar. É fundamental um jovem da idade dela partilharexperiências a vários níveis. E é bom para ela conhecer pessoasdiferentes, respeitar hierarquias.
– E abdicou de ânimo leve das idas à praia com amigos?
[risos] Ela pedia-me uma folga ao fim de doisdias. Mas enquanto estava a trabalhar a atitude era adulta ecumpria os objetivos. Acho que é benéfico ter várias experiênciasao longo da vida.
– Mas gostaria que a Marta desse seguimento aos seus projetos?
Ela está no oitavo ano, não faz parte dos meussonhos que ela seja o que quer que seja do ponto de vistaprofissional, mas sim que seja bem formada e muito bem orientada.Tento dar-lhe várias perspetivas do mundo, desde o mais sofisticadoao mais simples. Tento prepará-la para ser capaz de se relacionarcom qualquer pessoa e nesse aspeto acho que é uma vencedora.
– Hoje, os jovens não sabem o que querem ser. Nessa idade o Carlos já tinha perspetivas?
Eu queria viajar e sabia que queria umaprofissão que me levasse a qualquer lado do mundo. Andei numcorrupio durante anos. Aconteceu-me acordar a meio de uma viagem eter de pensar duas vezes qual era o destino. Foi uma ótimaexperiência.
– O que é que espera daqui para a frente?
Recuso-me a ver notícias. Vejo os canais que mefazem sonhar e pensar positivo. É importante saber o que está aacontecer, mas não tenho de criar pensamentos negativos nem de serpessimista. Depois, em termos pessoais, quero continuar a ser umbom ser humano, ajudar quem está ao meu lado. Tenho três sócioscompletamente distintos e com respeito e amizade quero continuareste elo mesmo nos momentos em que não estamos de acordo uns com osoutros. Quero crescer com eles. Isto não passa só por dinheiro,passa por estabilidade emocional, compreensão. Depois, em relaçãoàs mulheres da minha vida, a minha mãe e a minha filha, são elasque me fazem lutar e olhar para o futuro. Antes de um de nósdesaparecer quero ter a sensação de missão cumprida. Quero ter acerteza de que fiz o best of the best a todos os níveis.

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