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Buraka Som Sistema em Alfama, de partida para… o Mundo

João, Rui, Andro, Kalaf e Blaya (de joelhos) são os Buraka Som Sistema, autores de batidas incontornáveis como, por exemplo, “Wegue, Wegue”, cujo título é, afinal, “Kalemba”.

Manuela Silva Reis
14 de janeiro de 2012, 10:00

À sua passagem por Alfama, onde foi feita esta sessão fotográfica, muitos transeuntes perguntavam: “Mas quem são estes? São conhecidos?” O que é facto é que ninguém sabia que aqueles cinco jovens que ali posavam vestidos de smoking e calçados com ténis coloridos – a proposta da CARAS foi criar vários contrastes entre o estilo musical dos entrevistados, a roupa e os ambientes – , eram uns “miúdos” que se ouvem bastante em algumas rádios portuguesas e até fazem muito sucesso no estrangeiro. Porque na verdade, como acontece com muitas bandas lusas, também os Buraka Som Sistema tiveram de começar por conquistar fãs além-fronteiras.
Considerados os criadores do género kuduro progressivo, os Buraka existem desde 2006. Nestes cinco anos gravaram três CDs, venceram o Globo de Ouro de Melhor Grupo em 2009, foram agraciados com o prémio de Melhor Artista Português e nomeados para Melhor Artista Europeu nos MTV Europe Music Awards 2008. Kalemba, Yah ou Hangover são alguns dos êxitos da banda, cujo último álbum se intitula Komba.
Kalaf (voz), Rui e João (produtores e DJs), Blaya (MC e bailarina) e Andro (produtor, letrista e cantor) aceitaram o desafio da CARAS e, para estas fotos, vestiram-se de forma bem diferente da habitual. Do seu dia-a-dia, só os ténis e o código em que se entendem – uma ‘cena’ que não assiste a todos –, se manteve.
Kalaf veio de Benguela aos 18 anos para estudar Gestão, Andro partilha raízes angolanas e cubanas, Blaya nasceu no Brasil, mas sente-se alentejana, Rui e João são nascidos cá. Autodidatas, alguns deles com projetos musicais anteriores, souberam sempre o que queriam fazer e só mesmo João acabou o curso de Direito. Depois, mandou-o “às urtigas” e voltou-se para os sons e para os computadores, afinal, o que sempre quis fazer.
Já em janeiro, os Buraka vão correr mundo: a 8 tocam nas Bahamas, a 10 estarão em Washington, a 11 em Nova Iorque, depois passam pelo Canadá, regressam a Portugal para uma data em Guimarães, e tornam a partir rumo a Espanha, Holanda, França e Bélgica.
– Já percebi que funcionam em democracia. Fazem todos um pouco de tudo...
Kalaf – Sim. As letras, por exemplo, são quase todas escritas por todos.
João – Partilhamos ideias. Quer nas letras, quer na composição das músicas, cada um tem as suas ideias e chegamos a um ponto em que estamos todos de acordo.
– Quando eram pequenos, o que queriam ser?
Kalaf – Eu tinha os sonhos de qualquer criança: queria ser piloto ou astronauta. E é engraçado, porque agora voo bastante.
Blaya – Até à primeira classe, queria ser veterinária, mas depressa percebi que não tinha queda para isso e depois achei que queria algo que tivesse desporto...
– Dançar com os Buraka tem tudo a ver com desporto!
Mesmo! É muita ginástica, muito suor. Fiz o curso de desporto no liceu e fiz um curso de técnico de informática, que não tem nada a ver. Desde cedo que tinha um swing, porque sou brasileira, embora só lá tenha ido nascer. Voltei com dois meses e vivo em Ferreira do Alentejo. Estar com os Buraka foi uma grande sorte: sentir que aos 24 anos já fiz tanta coisa como eles é maravilhoso!
Rui– Em miúdo nunca tive um ofício preferido. Na escola preparatória decidi-me por desenho, mas quando chegou a parte mais técnica vi que não era para mim. Nessa altura já fazia teatro e sabia que queria trabalhar na área das artes. E foi aí que me virei para a música. Estava na escola secundária quando conheci o João e começámos a trabalhar juntos em projetos muito diferentes dos Buraka. Eu e o João começámos a explorar a música eletrónica bem cedo e a tocar instrumentos também.
João – Não me lembro bem  do que é que queria ser quando era miúdo, mas a minha mãe lembra-se de me ouvir dizer que não queria trabalhar muito, mas queria ganhar muito dinheiro...
–E está a conseguir?
Não, não estou, mas estou no processo de conseguir...daqui a dez anos. Eu fui o único dos cinco a acabar um curso superior. Só queria mesmo que os meus pais me deixassem fazer música e me financiassem, e acabei Direito em 2007. O objetivo não era gostar, era conseguir fazer a minha música.
– Nunca pensou exercer?
Não, não. Inclusivamente, agarrei no diploma, que só tive porque a minha mãe quis, emoldurei-o e ofereci-lho. E ainda hoje está no escritório lá de casa, é um talismã. Pelo meio ainda tirei um curso de Engenharia de Som em Madrid... E o Rui praticamente tirou o mesmo curso, porque leu as mesmas fotocópias que eu!
Andro – Eu estudei bastante para ir para Medicina, mas não consegui entrar e então, como sempre tive jeito para computadores, comecei a trabalhar com eles e a tocar guitarra em Cuba. Comecei a fazer música. Fiz um disco em Angola, com os Negonguenha, e foi por causa desse disco que o Kalaf me convidou para entrar nos Buraka.
– Perdem-se ou ganham-se horas em frente ao computador?
Não se perde, nem se ganha. As coisas mudam e é preciso acompanhar os tempos. Hoje não acharia graça nenhuma a um cavalinho de madeira, preferia uma consola. Aos cinco anos já preferia uma consola... Há 50 anos era-se feliz com o que havia nessa altura, agora a realidade é outra.
– Algum de vocês tem filhos?
João – Eu tenho uma filha de quatro anos. Fui pai aos 27, e não foi minimamente planeado. Acho que é fixe. Vive comigo quando cá estou, mas vivo mais com o Kalaf, porque partilho quarto com ele quando estamos em digressão [risos].

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