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Paco Bandeira: “Obviamente, vou ser absolvido”

15 anos depois da morte da primeira mulher, o cantor responde por agressões à mulher e maus tratos à filha

Redação CARAS
10 de janeiro de 2012, 17:32

A minha filha Constança é, neste momento, a pessoa mais importante da minha vida. Por ela tenho suportado toda esta tramoia contra mim, que facilmente comprovarei com factos, que certamente serão tidos em conta no julgamento, que se inicia no próximo dia 10 e pouco durará, pelo óbvio da razão. Creio, obviamente, que vou ser absolvido pela lei”, declarou Paco Bandeira, de 65 anos, à CARAS, quando confrontado com as notícias de que está a ser julgado por acusações de violência doméstica contra a sua segunda mulher, Maria Roseta, de 49, e de maus tratos contra a filha de ambos, Constança, de 12. E, alegando a proteção da filha, o cantor alentejano, que é também acusado de devassa da vida privada e detenção de arma proibida, disse-nos que até ao fim do julgamento não gostaria de falar mais sobre o caso: “Tenho de ser muito cauteloso, para que tudo o que faça ou diga não seja prejudicial a quem, além de ter apenas 12 anos, não tem a mínima culpa. E ama o pai e a mãe de igual modo e do mesmo modo sofre pelos dois.”
Recorde-se que esta não é a primeira vez que o intérprete de A Ternura dos 40 vê o seu nome envolvido numa polémica deste género. Em março de 1996, a sua primeira mulher, Maria Fernanda Mocinho Castelo Bandeiras, de 51 anos, morreu na sua presença, no quarto do casal, na Quinta da Bela Vista, Lourel, Sintra, com um tiro de revólver na cabeça. O revólver pertencia ao cantor e, na altura, chegou a avançar-se com a hipótese de ter sido ele o autor do disparo. A investigação policial, porém, acabou por concluir que teria sido suicídio.
Quanto ao cantor, defendeu firmemente a sua inocência, que aliás deixou bem clara numa entrevista que deu à CARAS de 6 abril de 1996, um mês depois da morte de Fernanda: “Perdi a minha melhor amiga e, como se não bastasse a dor que isso me causou, ainda por cima tenho de suportar os boatos que por aí circulam. Diz-se que eu lhe dava tareias enormes, que lhe era infiel e, inclusivamente, que fui eu que a matei. É um absurdo tão grande que até me custa acreditar que haja gente tão mal formada neste mundo. Houve uma enfermeira que chegou a afirmar que eu lhe tinha partido uma clavícula. É incrível! Essa história passou-se há cerca de três meses, quando, um dia, a Fernanda teve uma enorme crise de nervos e, para tentarmos acalmá-la, eu e o meu cunhado (irmão dela) tivemos de a segurar à força. Na altura, ela queixou-se da clavícula e, realmente, fez uma pequena luxação. Aliás, as pessoas que afirmam esse tipo de coisas deveriam ser mais sérias e procurar a verdade. Para isso, bastava-lhes falar com o meu cunhado, que sempre viveu connosco, ou com a nossa empregada. Então, sim, saberiam qual era o ambiente que se vivia em nossa casa.”
Apesar de nessa mesma entrevista nos ter assegurado que, depois do que tinha vivido, não poderia “voltar a ser feliz”, em 1997 Paco acabou por se envolver com Maria Roseta, uma assistente social dos Serviços Prisionais que já conhecia há vários anos. Por já ter 52 anos, quando ela lhe disse que estava grávida, Paco começou por tentar convencê-la a fazer um aborto, por se considerar demasiado velho para ser pai de novo, mas acabou por aceitar esta paternidade tardia. Em 1999 nasceu Constança, que lhe trouxe “um mundo novo”. Numa entrevista que nos deu no seu monte do Alentejo, em setembro de 99, tinha a filha apenas oito meses, Paco confessou que não estava apaixonado pela companheira e que ela o sabia. Mas em julho de 2002, recebeu-nos na sua casa do Lourel para uma entrevista em que posou pela primeira vez com Maria Roseta e Constança, e na qual se mostrou plenamente feliz ao lado desta nova família: “É algo que não consigo explicar, é a tal ideia de que Deus tira com uma mão e dá com a outra. Não tenho vergonha nenhuma de admitir que isto foi quase divino.”
A relação acabou por durar até 17 abril de 2009, altura em que Maria Roseta terá saído da casa que partilhavam em Oeiras, mudando-se para casa dos pais e levando consigo a filha. Quanto ao processo contra Paco Bandeira, terá sido apresentado depois disso, por uma técnica do Gabinete de Apoio à Vítima.

O caso só foi tornado público agora, na sequência de uma notícia publicada no Correio da Manhã do passado dia 31 de dezembro, com o título ‘Paco Bandeira leva companheira a 12 anos de terror’. Segundo aquele jornal, o cantor está a responder em tribunal “pelos crimes de violência doméstica contra a mulher e maus tratos sobre a sua própria filha, quando ainda era bebé”.

Citando a acusação do Mi­nistério Público, a que teve acesso, o Correio da Manhã refere ainda: “Entre 1997 e 2009, a segunda mulher do músico, M.R., foi humilhada, agredida e ameaçada, chegando num dos muitos episódios violentos a ter um revólver encostado à cabeça – com a filha de três anos ao colo.”

Ainda de acordo com o diário, o cantor teria um sistema de videovigilância no interior da sua casa de Oeiras, registando todos os passos da mulher, que acusava de lhe ser infiel, e teria chegado mesmo a desabafar com a empregada doméstica que Maria Roseta “corria risco de vida” e tinha “a hora marcada”.
Em reação a esta notícia, Paco Bandeira publicou numa das suas páginas do Facebook, logo na noite de 31: “Aos meus amigos do Face: certamente, já devem ter percebido que tudo o que passa à minha volta é resultado da ousadia que tive de ter opinião que põe em causa a ‘chafurdia’ que vai na inquisição social, principal culpada de muita da desgraça que em Portugal germina. Taxativamente, isto é uma vingança contra mim, uma brutal tentativa de assassinato de carácter que não terá êxito porque a verdade vem... sempre ao de cima. Confio que aguardem com serenidade e sentido de justiça, principalmente, aqueles a quem tento merecer. Vejam o conteúdo que se segue, o qual é apenas um pouco da minha luta contra os senhores do nosso mundo. Depois tirem as conclusões que acharem por bem.”

Entretanto, foi mesmo criado um grupo aberto naquela rede social, intitulado Paco Bandeira em Legítima Defesa.

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