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Eduardo Fortunato de Almeida decide mudar-se para a Tailândia com a família

O empresário, de 38 anos, abraçou um novo desafio profissional que lhe permitirá trocar o fato e gravata por calções e ‘T-shirt’.

Cláudia Alegria
7 de janeiro de 2012, 10:00

No passado dia 16, Eduardo Fortunato de Almeida, de 38 anos, a mulher, Cláudia Búzio, de 36, e os dois filhos, Eduardo, de nove, e Matilde, de sete, partiram do Aeroporto da Portela rumo a Banguecoque, na Tailândia. Na bagagem levaram muita esperança, força de vontade e pouco mais, já que aquele país asiático parece ser o paraíso para quem gosta de fazer compras: muita oferta e preços imbatíveis.
Levar toda família no início de um desafio profissional no estrangeiro pode parecer uma decisão arriscada, mas para Eduardo estava fora de questão voltar a afastar-se da mulher e dos filhos. Depois de ter passado um ano e meio a trabalhar em Moçambique, matando saudades da família pelo telefone ou através do Skype, o empresário jurou a si próprio que não voltaria a fazê-lo, já que o preço a pagar era demasiado alto: a ligação com os filhos perdia-se a cada dia que passava. Por isso, Eduardo decidiu embarcar numa nova aventura profissional, desta vez  com o apoio,  mas também com a presença, do seu núcleo familiar. A CARAS marcou encontro com os quatro, dias antes de partirem para Ko Pha Ngan, a ilha onde irão morar nos próximos tempos.
Esta grande aventura pare­ce ter sido bem aceite por toda a família. A decisão chegou a ir a votos?
Eduardo – Foi uma decisão bem pensada entre mim e a Cláu­dia. Há muita coisa em jogo, mas o que nos levou a avançar foi o facto de ser uma experiência nova, não só a nível profissional, mas também de vida. Para os miúdos, será com certeza uma experiência enriquecedora e inesquecível.
Cláudia – Não era nada que não tivesse sido falado quando o Eduardo foi para Moçambique. Portanto, era uma ideia que já vinha a ser mastigada. Quando surgiu esta oportunidade de ir para a Tailândia, que é um país onde já estivemos e achamos que tem condições, resolvemos arriscar.
– Depois da experiência de Moçambique, decidiu que não voltaria a sair do país sem a família?
Eduardo – O meu regresso de  Moçambique deveu-se única e exclusivamente às saudades que tinha dos meus filhos e da minha mulher. Todos os dias sentia que estava a perder um pouco do crescimento dos meus filhos, todos os dias desaparecia um bocadinho de mim...
– Provavelmente, o pior era encontrar a casa vazia ao final do dia...
– Ainda por cima vivia sozi­nho num quarto de hotel... Mas o pior era quando falava com eles via Skype. A partir de determinada altura, resolvemos não falar todos os dias, porque era cruel perceber que estava a perder todos os dias um pouco do crescimento deles. A Matilde chegou a ir tirar uma camisola minha ao armário para sentir o cheiro do pai ao adormecer...
– Deve ser muito doloroso para um pai ouvir isso...
– Sim... Mesmo no colégio, a Matilde transformou-se, não era a mesma menina, chorava, emagreceu muito... A Cláudia começou a notar alguma irritabilidade neles, sentia que lhes faltava qualquer coisa.
Cláudia – O Eduardo sempre foi um pai muito presente, que brinca imenso com os miúdos, tem imensa paciência, inventa brincadeiras, e faltou-lhes ali aquela parte.
Foi quando decidiu regressar?
– De um dia para o outro ele decidiu que vinha embora, e veio. Ligou-me, disse que não aguentava mais, comprou o bilhete e no dia seguinte chegou a Lisboa. Como chegámos a falar da possibilidade de irmos ter com ele, ficámos com vontade de mudar de vida, de passar por novas experiências. Portanto, quando surgiu esta oportunidade na Ásia, não foi difícil tomarmos uma decisão, pois já estávamos motivados.
– Até porque entretanto passaram cinco semanas de férias na Tailândia, certo?
Eduardo – Sim. Quando cheguei de Moçambique, decidirmos comprar os bilhetes pela Internet e partimos de mochila às costas, sem nada marcado. Só quando chegámos a Banguecoque é que fizemos as reservas dos hotéis e resorts.
Para as crianças essas férias devem ter sido uma aventura...
Cláudia – Claro! Corremos as ilhas todas, andávamos os quatro numa acelera para todo o lado, saíamos de manhã e chegávamos à noite exaustos.
Eduardo – Aproveitámos todos os minutos, fomos a feiras, mercados, centros comerciais, templos budistas... Foi uma experiência espetacular, sobretudo para os miúdos.
– Nessa altura, ficaram com vontade de regressar?
Cláudia – Pensámos logo que aquele seria um ótimo sítio para viver se houvesse uma oportunidade.
– E as oportunidades procuram-se ou encontram-se?
Eduardo – As oportunidades vêm ter connosco e agarram-se.
– Como é que surgiu esta oportunidade de trabalhar na Tailândia?
– Fiz vários contactos quando estive em Moçambique e acabei por ser convidado para ser representante de um grupo de turismo em Banguecoque e Macau. Além disso, sinto que chegou a altura de ter o meu próprio projeto e, se surgir essa oportunidade na Tailândia, apostaremos em criar algo nosso.
– Mas o projeto não é ficarem apenas um ano?
Cláudia – Exatamente. De­finimos que seria cerca de um ano. Se, durante esse tempo, tudo correr bem e os miúdos se adaptarem, ficamos. Caso contrário, não vamos fazer disso cavalo de batalha nem obrigaremos os miúdos a ficar.
– Acha que eles estão preparados para esta mudança?
– Acho que eles vão com a ideia de umas férias prolongadas. Não quero que pensem que vão ser obrigados a ficar lá para o resto da vida. Por isso, acho que estão contentes por ir, até porque vão ter menos horas de aulas e  mais praia e piscina. Tudo isso os incentiva bastante!
– Uma vez que ambos se encontram no primeiro ciclo, tiveram de assegurar as suas inscrições na escola?
– Eles vão perder este primeiro período. Claro que no início vai ser um pouco complicado, porque vão passar a falar só em inglês. Mas os miúdos têm uma facilidade incrível de adaptação e aprendem as línguas rapidamente, e acabarão por se enquadrar na matéria.
– A Cláudia geria três lojas ligadas à área da saúde. Os ne­gócios ficam bem entregues?
Muito bem entregues: a mi­nha mãe é uma trabalhadora nata e a minha irmã uma organizadora nata. Tenho a certeza de que vai correr tudo muito bem e, se nós voltarmos, tenho sempre esse porto de abrigo.
– A gastronomia tailandesa é exótica e muito condimentada. Qual é o vosso plano em relação à alimentação das crianças?
– A Tailândia é um país que vive muito do turismo, pelo que tem todas as cadeias que conhecemos, como o McDonald’s ou o KFC. Também existem imensos restaurantes italianos e ingleses, e mesmo eu hei de entrar no ritmo e começar a cozinhar algumas refeições.
Eduardo – Vamos ter uma empregada que acompanhará a Cláudia aos mercados locais e ao supermercado, para que conheça os alimentos de que os miúdos gostam. Não queremos obrigá-los a comer coisas que não conhecem. Será uma adaptação gradual.
– Em 2004, numa entrevista que deram à CARAS, diziam que gostavam muito de ter mais filhos, mas que queriam esperar mais cinco ou seis anos. A verdade é que já passaram sete...
Cláudia – E é um assunto que continua a ser falado, não está posto de lado. Em Portugal não é fácil ter filhos, a nível de logística, de colégios, com pais que trabalham a tempo inteiro e avós ainda ativos profissionalmente. Tudo isso, infelizmente, tem de ser pensado. A vontade ainda existe e, quem sabe, na Tailândia, se as coisas correrem bem, não virá um bebé...
Eduardo – Eu gostava de ter três filhos e, se Deus nos der essa bênção, penso que é uma questão de tempo. A família ficaria completa com mais um filho.

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