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Acusada dos crimes de incêndio e explosão, Sónia Brazão luta pela sua inocência

A atriz arrisca-se a uma pena que pode ir até oito anos de prisão e a pagar todos os danos provocados pela explosão na sua casa.

Marta Mesquita
5 de janeiro de 2012, 17:04

Na tarde de 3 de junho, uma violenta explosão destruiu o apartamento de Sónia Brazão, que ficou com queimaduras de segundo e terceiro graus em 90 por cento do corpo. Na sequência deste acidente, a Polícia Judiciária iniciou uma investigação e concluiu que houve libertação intencional de gás. Agora, o Ministério Público acusa a atriz pelos crimes de libertação de gases asfixiantes, incêndio e explosão. Se for condenada, Sónia sujeita-se a cumprir uma pena que pode ir até oito anos de prisão e a ser responsabilizada por todos os danos causados. Confrontada com esta acusação, a atriz continua a defender a sua inocência, negando a tentativa de suicídio.
A CARAS esteve no estúdio e agência de David Simões, a DXL, e acompanhou o making of do catálogo da linha de joias Brazão by Eugénio Campos, durante o qual a atriz falou connosco sobre esta difícil etapa da sua vida.
– Como é que está a encarar o facto de ter sido formalmente acusada?
Sónia Brazão
– Tranquilamente. A minha recuperação e o esclarecimento de toda esta situação têm sido e continuarão a ser a minha meta.
– Sempre disse que não tentou suicidar-se. Vai continuar a defender essa posição?
– Vou continuar a defender essa posição, porque é a minha.
– Tem medo do desfecho deste processo?
– Acredito que as coisas vão esclarecer-se e que o Ministério Público vai perceber que houve qualquer coisa que espoletou tudo aquilo… Se alguma vez tivesse pensado em suicidar-me, de certeza que não seria desta forma. Sou uma pessoa demasiado estética para infligir uma coisa destas ao meu corpo! Morta, mas gira!
– Tem medo de que as pessoas pensem que é mesmo culpada?
– As pessoas acreditam no que querem. Tenho imensa gente que me tem dado apoio e que vai continuar a dar. Os meus fãs estão comigo e não me julgam, e o mesmo acontece com minha família e os meus amigos.
– Pouco tempo depois do acidente, comentou-se que a Sónia estaria muito desiludida com a sua vida, sobretudo a nível profissional. Como é que se sentia nessa altura?
– Vamos esclarecer as coisas, eu não estava sem trabalho, mas achava que depois de 15 anos dedicados à televisão já merecia ter alguma estabilidade. Tinha uma novela agendada para setembro e tinha muitos desfiles marcados para o verão. Estava de bem com a vida.
– Hoje é uma Sónia completamente diferente daquela que era antes de 3 de junho?
– Não, de forma nenhuma. Sou a mesma Sónia, tenho é talvez outra perspetiva da vida.
– E que perspetiva é essa?
– Dou importância às pequenas coisas da vida, que antes me pareciam tão garantidas. Nunca nos imaginamos a deixar de respirar. E como é bom respirar, andar, ir sozinha à casa de banho...
– Durante a apresentação do seu livro, Não Desisto, a equipa médica que a tem acompanhado elogiou a sua capacidade de lutar e a sua recuperação em tão pouco tempo...
– O instinto de sobrevivência é algo muito forte nos seres humanos. E foi algo muito marcante também em mim. Não imaginava nada pior do que estar toda queimada. E ver o olhar desesperado da minha mãe a querer convencer-me de que estava tudo bem… Um dia em que estava com muita dificuldade em respirar, prometi-lhe que ia sair dali e consegui cumprir. Não sei de onde nos vem esta força… Acho que é a força de todos aqueles que nos amam.
– Qual é a relação que agora tem com o seu corpo?
– Há dias… Às vezes fico muito triste, porque ainda não posso vestir tudo aquilo que quero, mas também já olho para as marcas e penso: “Que bom, já estão mais pequenas.” Agora estou a começar a habituar-me ao cabelo curto, que toda a gente diz que me fica bem. Estou a recuperar e não me posso queixar de forma alguma.
– E já tem vontade de regressar ao trabalho?
– Para já, não. Fazer televisão implica trabalhar 12 horas por dia e eu ainda me sinto limitada pelo meu próprio corpo. Ainda tenho de fazer muitos tratamentos e uma produção não pode parar por causa disso!
– Acredito que dar a cara por uma linha de joias inspirada em si e muito feminina lhe faça bem ao ego...
– Claro que sim, sobretudo assinar uma coleção com o Eugénio [Campos], que foi um feliz encontro que tive na vida. Comecei a participar nos seus desfiles há uns quatro anos e fomos amadurecendo a ideia de assinarmos juntos uma coleção. Deu-me muito alento perceber que o convite se mantinha depois de sair do hospital.
– Uma das joias mais emblemáticas desta coleção é uma fénix. Identifica-se com esta figura mitológica que renasce das cinzas?
– Sim, de certa forma sinto que nasci novamente. Quando estava no hospital, completamente dependente de que me lavassem os dentes, que me mudassem a fralda, que me coçassem os olho, sentia-me como um bebé. Tive de reaprender a andar, a falar, algo que nunca pensei que tivesse de aprender de novo... a ideia da fénix renascida é muito bonita.
– Gerou-se muito interesse mediático à sua volta depois do acidente. Incomoda-a pensar que foi preciso acontecer-lhe algo de tão grave para conseguir ser tão popular?
– É nas tempestades da vida que percebemos quais são as pessoas que estão ao pé de nós e quais as que estiveram lá só de passagem… E é nestes momentos que se faz uma grande triagem.
– E durante esta triagem, teve muitas desilusões?
– Tive mais surpresas do que desilusões. Sempre tive muito respeito pelos meus fãs, porque são eles que aplaudem o nosso trabalho. Os meus fãs são as asas dos meus sonhos, porque são eles que me permitem ir mais além. E durante todo este tempo, eles mandaram-me cartas, deram-me todo o apoio do mundo, o que me ajudou a continuar a lutar.

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