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Caso Rui Pedro: Alegações finais marcadas para dia 26

A mãe, Filomena Teixeira, afirma: "Espero que aconteça um milagre"

Joana Brandão
4 de janeiro de 2012, 23:53

A última sessão do julgamento do caso Rui Pedro, dedicada à produção de prova em audiência, que decorreu esta quarta-feira, foi particularmente difícil para Filomena Teixeira e Manuel Mendonça. Os pais do menino desaparecido há quase 13 anos tiveram de recordar o que fizeram a 4 de março de 1998, e ver reconstituídos todos os passos de Rui Pedro naquele dia. Acompanhados pelo coletivo de juízes, a procuradora geral da República, os advogados, as testemunhas e o arguido, Afonso Dias, Filomena Teixeira e Manuel Mendonça percorreram as ruas de Lousada a pé perante o olhar atento dos populares e ouviram, entre outros, quatro amigos de escola de Rui Pedro recordarem o momento em que o viram, do campo da escola, a conversar com Afonso Dias e a entrar no seu carro. “É um dia muito difícil para mim, mas espero que aconteça algo… um milagre” afirmou a mãe, aproveitando a ocasião para fazer um pedido a Afonso Dias: “Se puder apelar alguma coisa, é que haja uma revelação.

Embora nas 11 sessões de julgamento já decorridas, o arguido tenha optado por manter o silêncio, Filomena Teixeira não hesita em dizer que “a esperança é a última a morrer e a minha, se calhar, só vai morrer comigo”. Também o advogado Ricardo Sá Fernandes deixa em aberto a hipótese do arguido se dirigir ao tribunal, antecipando o dia das alegações finais, agendado para 26 de janeiro: “Veremos se numa última oportunidade Afonso Dias falará ou não.”
A drogaria, o quiosque, a escola de condução, o restaurante, a escola e a zona de prostituição em Lustosa foram os locais visitados esta quarta-feira, e onde foram repetidos os testemunhos já prestados em tribunal. “Hoje fez-se uma reconstituição muito exaustiva e rigorosa do que aconteceu no dia 4 de março de 1998, entre o final da manhã e as 15h00”, referiu Ricardo Sá Fernandes. “O objectivo central dos pais do Rui Pedro continua a ser descobrir o que aconteceu ao filho. O julgamento é um passo para isso. Nós não vamos cessar a luta pela descoberta de Rui Pedro com o final deste julgamento. Só terminamos o nosso combate quando soubermos o que aconteceu. O processo não termina com a sentença”, acrescentou o advogado.
Discreta, mas sempre presente, Carina Mendonça é um apoio muito importante para os pais. Em entrevista à TVI, a irmã mais nova de Rui Pedro pediu “compaixão” a Afonso Dias: “Ele que se ponha no nosso lugar, hoje o filho dele tem a idade que o meu irmão tinha quando desapareceu. Vivemos até agora sem saber o que aconteceu a uma parte de nós e queremos a verdade.” Certa do envolvimento de Afonso Dias no desaparecimento de Rui Pedro, a estudante de Medicina afirma que “naquele dia aconteceu algo imprevisto, não sei o quê, mas que ele não estava à espera.” E argumenta: “Acredito que o Afonso tenha algum envolvimento no que aconteceu ao meu irmão. Mas acho que ele não matou o Pedro, pelo menos propositadamente. Não foi uma coisa calculada, nem premeditada. Foi um acidente… deve ter acontecido um imprevisto com que ele não soube lidar na altura.
A dois meses de se completarem 14 anos após o desaparecimento de Rui Pedro, a leitura do acórdão pelo coletivo de juízes, presidido por Carla Fraga, é um dos momentos mais aguardados pela família do menino, que foi visto pela última vez em Lousada quando tinha 13 anos.
No final da última sessão do julgamento de Rui Pedro, a CARAS conversou com Filomena Teixeira e Manuel Mendonça sobre o dia fatídico agora reconstituído e sobre a esperança que os continua a mover. Não perca as declarações exclusivas dos pais de Rui Pedro na próxima edição da CARAS.

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