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Aos 23 anos, Luís Borges conhece a mãe biológica

“Mãe é mãe. Independentemente das opções que ela tenha feito na sua vida, fiquei super contente por conhecê-la.”

Redação CARAS
2 de janeiro de 2012, 11:18

Luís Borges tinha apenas três meses quando foi entregue a uma instituição em Portugal e a sua mãe, Maria Teresa Semedo Borges, foi deportada para o seu país natal, Cabo Verde. O atual manequim tinha quase dois anos quando uns tios, João Borges e Maria do Céu Semedo, o foram buscar, criando-o como um filho, em Castelo Branco. Ao longo de toda a sua vida, Luís só tinha falado com a mãe biológica duas vezes, pelo telefone, e assume: “Nunca tinha tido vontade de a conhecer.” Isso mudou, porém, no passado dia 21, quando, finalmente, esteve cara a cara com Maria Teresa, que regressou a Portugal para se submeter a tratamentos oncológicos, pois tem cancro do colo do útero. O manequim partilhou com a CARAS as emoções deste encontro e como planeia construir daqui para a frente a sua relação com a mãe.
– Como é que surgiu esta oportunidade de conhecer a sua mãe?
Luís Borges – Estava em Nova Iorque e um tio meu ligou-me a dizer que havia uma pessoa que queria falar comigo. Mal lhe passou o telefone, percebi que era a minha mãe, que estava em Lisboa. Ela está com uma doença grave e está cá a fazer tratamentos.
– Imagino que neste encontro tenham falado dos motivos que a levaram a deixá-lo em Portugal...
– Compreendi perfeitamente a situação dela. Sei que não teve uma vida fácil e agradeci-lhe o facto de me ter deixado cá em Portugal, porque se tivesse ido para Cabo Verde teria vivido com muitas dificuldades e não seria quem sou hoje.
– Durante estes 23 anos, nunca teve contacto com a sua mãe?
– Falei com ela duas vezes ao telefone.
– E tinha muita vontade de a conhecer ou isso não era importante para si?
– Sinceramente, nunca tinha tido vontade de a conhecer. O Eduardo [Beauté] e o meu pai adotivo sempre me disseram que a devia conhecer, mas eu nunca quis. Achava que não me fazia falta conhecê-la, mas quando a conheci percebi que fazia. Mãe é mãe! Independentemente das opções que ela tenha feito na sua vida, fiquei super contente por a conhecê-la. Às vezes dizemos coisas que o coração não sente...
– Neste encontro também estava o seu meio-irmão, Ricardo. Também só o conheceu agora ou já tinha estado com ele?
– Eu já tinha estado com o Ricardo, mas na altura era muito novo. Anos mais tarde, quando vim para Lisboa, já eu tinha 19 anos, encontrei-o por acaso, num bar onde ele trabalhava, e até foi ele que me reconheceu. Depois afastámo-nos, porque eu viajo muito, e acabámos por perder o contacto.
– Agora que conheceu a sua mãe, como pretende gerir a vossa relação? Quer continuar a vê-la?
– A minha ideia agora é continuar a estar com a minha mãe. Ela veio cá fazer tratamentos e quero acompanhá-la o mais possível. Espero que ela não volte para Cabo Verde, mas não sei... Já estivemos juntos desde o nosso primeiro encontro e ela sabe que pode vir cá as vezes que quiser. A minha mãe vai ter todo o meu apoio. Sei que ela está a passar por uma fase difícil.
– Não a culpa por o ter deixado numa instituição e nunca ter acompanhado o seu crescimento?
– Ao princípio culpava-a e tinha várias perguntas na minha cabeça, mas agora que falei com ela já não a culpo. De alguma maneira, tenho pena dela, porque não teve uma vida nada fácil.

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