Carminho e Pablo Alborán: "Entre nós tudo se complementa"

A fadista e o cantor espanhol lideram as tabelas de ‘singles’ em Espanha e Portugal, com ‘Perdóname'.

25 Dezembro 2011 às 14:30

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Carminho e Pablo Alborán
João Lima
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Assim que as suas vozes se encontraram, Carminho, de 27 anos, e Pablo Alborán, de 22, perceberam de imediato que o seu dueto tinha tudo para dar certo. Ainda assim, dificilmente a fadista e o cantor espanhol imaginariam que Perdóname entraria de imediato para a liderança do top de singles do iTunes em Espanha e chegaria ao mesmo lugar em Portugal em poucos dias. O tema faz parte de En Acústico, CD do artista malaguenho editado no país vizinho a 14 de novembro e de imediato transformado num êxito estrondoso. E em Portugal, onde foi posto à venda uma semana depois, também já está no terceiro lugar da tabela dos mais vendidos.

Foi no Terreiro do Paço, um dos vários locais lisboetas onde gravaram o videoclip de Perdóname, que a CARAS conversou com os dois cantores. Pelo meio, Carminho foi ensinando palavras de português a Pablo e até cantaram.

Como surgiu a ideia de trabalharem juntos?

Pablo Alborán –
Conheci o disco da Carminho através da nossa editora, a EMI, e fiquei apaixonado pela voz, música e interpretação. Depois, desde pequeno que sou um amante de fado e, como estava a tratar do meu disco, surgiu a bela oportunidade de trabalhar com a Carminho. Com muito respeito, ensinei-lhe a canção, perguntei-lhe se gostava e fizemos uma adaptação em português. Foi muito fácil. Encontrámo-nos em Madrid e em meia hora fizemos a canção. Foi tudo muito espontâneo e natural.

E a Carminho, como recebeu este convite?

Carminho –
Foi uma surpresa. Estava em Espanha e até foi o presidente da editora que me disse que havia um cantor que estava a começar agora, como eu, e já com um sucesso inacreditável, que ia fazer um disco ao vivo e que gostaria que eu participasse. Quando o ouvi, fiquei muito contente por poder participar, pois apesar de ele estar numa área que não é a minha, a pop, consegue manter no seu canto e na sua forma de compor as raízes da música tradicional do seu país. No fundo, é aqui que nos identificamos mais, no respeito pelas raízes. Esse é também o meu caminho. Assim que nos conhecemos, começámos a perceber que os nossos percursos são muito semelhantes, começámos da mesma maneira e tudo o que nos tem acontecido tem sido quase paralelo, ele em Espanha e eu em Portugal. Entre nós, tudo se complementa.

Alguma vez pensaram que a canção teria tanto sucesso?

Pablo –
Na verdade, não. Era um risco, pois era a primeira vez que uma artista portuguesa entrava na rádio comercial em Espanha, e não se sabia se funcionava ou não. Mas era-me

igual, pois eu queria trabalhar com Carminho. E quando estivemos em estúdio foi muito emocionante, tanto para nós como para quem nos rodeava, até houve quem chorasse. Mas jamais pensei que seria assim e fico muito feliz e agradecido, pois conseguimos que a camada jovem espanhola sinta a música de outra maneira. Muitas pessoas perguntam-me o que é o fado e alegra-me que se emocionem com a Carminho.

Carminho – Não estava nada à espera. A música é muito bonita, identifico-me muito com ela, mas nunca pensei que fosse ter esta dimensão. Em termos de popularidade, este rapaz é um descontrolo! As pessoas gostam tanto e manifestam-se de tal maneira... O meu Facebook começou a encher-se de mensagens em espanhol, a perguntarem-me se tenho disco, a dizerem-me que gostaram da minha voz... tem sido maravilhoso. É assim que o fado se vai expandido.

A verdade é que se tornou a primeira portuguesa a alcançar o ‘top’ espanhol...

– É verdade! Estou com o Pablo, a música é dele, o sucesso é todo dele, mas é um grande orgulho fazer parte desta viagem que está a ser a carreira dele. É uma pessoa encantadora.

Percebe-se que há um grande entendimento entre ambos, que construíram uma amizade...

– Sim, hoje somos amigos.

Pablo – Há muitas coincidências entre nós, ambos tirámos o curso de Publicidade, a Carminho gostava de ter estudado Filosofia, que eu estudei, e ambos cantamos. Tem sido tudo muito casual e bonito.

Como conseguiram unir o fado com a ‘pop’?

Carminho –
A música tem as portas abertas para tudo, o que importa é que as pessoas tenham empatia musical e artística. Além disso, sinto que o facto de o Pablo ter uma tradição muito genuína para com a sua música faz com que entenda também a minha. Já fomos a casas de fado e a forma como ele reage é a de uma pessoa que entende a música.

Como lhe surgiu essa paixão pelo fado?

Pablo –
Em pequeno, ouvi um concerto da Dulce Pontes e aquela paixão com que os fadistas cantam é a mesma com que se canta o flamenco. E isso deixou-me encantado. No fado sente-se o mesmo que no flamenco, uma pessoa emociona-se e sente a alma rasgar-se. A nostalgia e a melancolia atraem-me e no fado sente-se isso. Sobretudo neste disco, que é bastante íntimo, queria que o fado estivesse presente. Trabalhar com a Carminho era a peça que faltava para completar este disco.

Poderão voltar a trabalhar juntos?

Carminho –
Julgo que sim. Ainda não sabemos muito bem, mas gostava que o Pablo visitasse a nossa cultura, de que ele gosta tanto. E ainda por cima hoje começou a aprender português [risos]! Talvez possa cantar em português.

Pablo – Gostaria muito, mas há que saber e estudar para cantar fado.

O objetivo é que este vosso trabalho seja reconhecido além das vossas fronteiras?

Carminho –
Esta música é do Pablo e faz parte do seu repertório. Ele está com uma projeção incrível em Espanha, em França e na América Latina, e eu, sempre que o acompanhar, irei onde a carreira dele o levar.

Pablo – Estou convencido de que, nos países onde o dueto for ouvido, rapidamente vão querer a Carminho.

Carminho – Estou a construir a minha carreira paralelamente a este fenómeno do Pablo, o que também me faz estar surpreendida e agradecida. O fado, agora com toda esta promoção de Património Imaterial da Humanidade, está a ser mais reconhecido, e esse é também o meu papel.

Palavras-chave do artigo
Carminho, Pablo Alborán, Perdonáme, top, vendas
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