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Fotos e declarações inéditas de Cesária Évora

A cantora cabo-verdiana morreu no passado dia 17, aos 70 anos, vítima de insuficiência cardiorrespiratória aguda, na sua terra natal.

Andreia Cardinali
26 de dezembro de 2011, 15:29

Cesária Évora morreu no passado dia 17, aos 70 anos, em Cabo Verde, seu país natal, de insuficiência cardiorrespiratória aguda e tensão cardíaca elevada. Foi no hospital Baptista de Sousa, na Ilha de S. Vicente, onde se encontrava internada desde a véspera. O funeral realizou-se no passado dia 20, no Mindelo, em Cabo Verde, país onde foi decretado luto nacional.
Apelidada de “diva dos pés descalços”, a cantora encerrou a sua carreira no último dia 23 de setembro, depois de cancelar uma série de espetáculos devido à fragilidade do seu estado de saúde. Recorde-se que Cesária foi operada ao coração em maio do ano passado e sofreu um acidente vascular cerebral no mesmo dia em que foi tornada pública a decisão de abandonar os palcos. Mas essa não foi a primeira vez que a cantora, considerada a “embaixadora da morna”, foi internada. Em 2008 sofrera um AVC durante um espetáculo na Austrália, pouco antes de vir a Lisboa promover o álbum Rádio Mindelo, que reunia uma recolha das primeiras gravações da artista no início dos anos 60.
Nessa ocasião, a CARAS en­trevistou-a e ficou a saber um pouco mais sobre a vida da artista, numa conversa em português, sem tradutor, ao contrário do que lhe era habitual. São declarações inéditas que publicamos agora e que sublinham que a música e os palcos eram a sua grande paixão: “Quero cantar até morrer. Bem, até morrer não pode ser, pois vou ter de parar antes, mas ainda não sei quando. Ainda não chegou esse momento. Sempre gostei de estar em palco a cantar em casas privadas, nos bares, em qualquer canto, o importante é cantar e que as pessoas gostem. Comecei a cantar quando estava internada num orfanato em que ia à igreja todos os domingos cantar, mas nunca pensei algum dia ser reconhecida. Aos 16 anos, um grupo de rapazes que tocava na rua convidou-me para cantar e um deles disse-me que eu tinha boa voz. A partir daí tomei-lhe o gosto.”
Cesária só foi internacionalmente reconhecida aos 47 anos e desde então não mais parou de receber prémios e homenagens, a última em 2009, ao ser distingui­da por Nicolas Sarkozy com a medalha da Legião de Hon­ra. Re­co­nheci­men­tos que não ‘pesavam’ a Cesária: “Não aumenta o peso da responsabilidade porque eu, para cantar e para ganhar um Grammy ou ser reconhecida em França, tenho de estar em forma. Claro que fico muito contente e mais ainda quando sou reconhecida na minha terra, onde já ganhei uma medalha do meu presidente.”
Nesta entrevista, Cesária falou ainda com orgulho dos seus dois filhos, Eduardo e Fernanda, de 52 e 43 anos, respetivamente, dos dois netos, Janete e Adilson, e do bisneto, Luís, de quatro anos. “Quando termino as tournées vou sempre ter com eles para matar saudades e descansar. A minha filha, o meu neto e o meu bisneto passam mais tempo em Cabo Verde, a minha neta está no Brasil e o meu filho em França. Sempre que vou onde eles estão, em vez de um hotel, fico na casa deles e é muito bom. Gosto muito de estar ao pé deles. Quando estou em trabalho sinto muitas saudades da minha família, de casa, do meu povo e da minha terra.” E apesar dessa “sodade”, que tão bem cantou, afirmou-se como uma mulher alegre: “Para se cantar morna não é preciso ser-se triste, até se pode dançar. Eu nunca fui uma mulher triste, gosto de alegria.”

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