Nas Bancas

João Gil e Luís Represas: Juntos de novo por uma paixão comum

Vinte anos depois do fim dos Trovante, os músicos voltam juntos a estúdio e lançam um álbum de originais.

Andreia Cardinali
19 de dezembro de 2011, 12:16

No ano em que comemoram os 35 anos da banda em que se estrearam, e da qual foram fundadores, os Trovante, e 20 anos depois do fim da mesma, Luís Represas e João Gil voltaram a juntar-se em estúdio para gravar um CD de originais, que dá pelos seus nomes. Um reencontro natural, tendo em conta que o ex-vocalista e o ex-guitarrista dos Trovante sempre se apoiaram um ao outro nos seus percursos individuais. Este regresso teve, segundo dizem, o contributo fundamental de Margarida Pinto Correia, a mulher de Luís, e Ana Mesquita, a mulher de João.
– O que é que vos fez voltar a trabalhar juntos após tanto tempo?
João Gil –
As nossas mulheres [risos]!
Luís Represas – Por um lado, a EMI lembrou-se de nos desafiar a fazer um disco de originais aproveitando a onda dos nossos 35 anos de carreira. Por outro, ao fim destes anos todos tivemos tempo suficiente para fazermos música separados, o que nos trouxe solidez e fez com que agora estivéssemos suficientemente fortes e com a vontade de fazermos juntos algo de original e novo.
– Mas estiveram estes anos separados por alguma questão mal resolvida do tempo dos Trovante?
Os Trovante existiram durante 16 anos e acabaram. Cada um de nós andou 20 anos a fazer o seu caminho, e nesses anos houve entre estes dois edifícios pontes de união. Houve canções do Gil que cantei em discos meus, espetáculos em que o convidei a subir ao palco, e pessoalmente sempre mantivemos o contacto. Nunca deixámos de ser amigos e nunca tivemos qualquer tipo de quezília.
– O João referiu que foram as vossas mulheres as grande incentivadoras...
João –
São sempre. Era uma brincadeira, mas é para levar a sério. Temos duas mulheres fantásticas, singulares, grandes mulheres. Já que o Luís falou de edifícios, que é uma imagem bonita, quando as pessoas têm um edifício bem construído e sólido, tudo se aguenta e corre bem. Por isso, este trabalho é um reencontro muito bonito entre duas pessoas bem resolvidas na vida e na música. Duas pessoas disponíveis para continuar a sua vida musical, profissional e de amizade. Nós os dois temos muito em comum. Além de sermos do mesmo signo, temos muito mais a unir-nos para além das duas mulheres fantásticas que temos e da paixão pela música: temos uma maneira muito positiva de ver as coisas, somos dois otimistas incorrigíveis, o que nos torna leves perante as dificuldades.
– A amizade não pode ser prejudicial a nível profissional, visto que têm mais à-vontade para dizerem certas coisas?
Não deixamos de o fazer. Dizemos tudo o que nos apetece.
Luís – Acho que é exatamente o contrário. O facto de nos conhecermos muito bem faz com que adivinhemos rapidamente o que o outro está a pensar e a querer. Depois, temos coincidências em termos conceptuais. E mesmo as divergências que sabemos ter em termos de gosto não são sequer discutidas, pois estamos a fazer um disco a dois. Ninguém impõe nada a ninguém, apenas propomos e dispomos.
– Essa capacidade de aceitarem bem as vossas diferenças sempre existiu?
João –
Acho que passámos por uma fase de crescimento enquanto homens e músicos quando fizemos os Trovante. Particularmente nós os dois, que muitas vezes fizemos parceria como autores de música e letra, rapidamente nos conhecemos a um outro nível. Lembro-me de que naquela altura aprendi muitas coisas, mas, sobretudo, tive a capacidade de compreender onde cada um de nós era realmente bom e se transcendia. Beneficiámos os dois dessa parceria e hoje em dia diria que é muito mais simples e menos doloroso, pois já não temos de passar por essa aprendizagem.
– Ambos têm percursos de sucesso na música portuguesa. Em que é que este projeto diverge dos outros que já fizeram?
Beneficia largamente de tudo o que fizemos. É um disco altamente imediato e espontâneo. Beneficia de haver a compreensão mútua de como se pode potenciar o melhor de cada um de nós. Neste disco eu canto, porque senti a segurança, o apoio e o abraço do Luís. Creio que o Luís beneficia também do facto de eu estar mais maduro enquanto compositor.
Luís – Pelo facto de ter composto para muita gente, o João sabe melhor do que ninguém quais são as canções onde eu posso ir mais longe e isso dá-me uma enorme segurança.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras