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Pais de Rui Pedro ansiosos: “Só queremos saber a verdade”

Apesar da elegância com que se tem apresentado em tribunal, Filomena Teixeira, mãe de Rui Pedro, precisa de apoio para andar.

Joana Brandão
18 de dezembro de 2011, 12:22

Se tudo correr como previsto, o julgamento de Afonso Dias, o principal suspeito do rapto de Rui Pedro, chega hoje, quar­ta-feira, 14 de dezembro, ao fim. E, apesar do silêncio que Afonso teimou em manter ao longo das dez sessões anteriores, espera-se que termine também a angústia de Filomena Teixeira e Manuel Mendonça, os pais do menino que desapareceu de Lousada no dia 4 de março de 1998. As alegações finais e a leitura do acórdão, no entanto, só serão feitas em janeiro.
Apesar de esperado, o silêncio de Afonso contrariou as expectativas dos pais, Filomena e Manuel, que há 13 anos esperam por notícias do filho. “Tudo leva a crer que ele tem alguma coisa para contar e temos esperança que o faça. Infelizmente, a nossa justiça permite que quem quiser esconder algo possa não falar. A nós interessa-nos que ele fale e diga onde está o Pedro. Só queremos saber a verdade”, afirmou, uma vez mais, Manuel Mendonça, na última segunda-feira, dia do fecho desta edição.
Precisamente pelo facto de o arguido não falar, na segunda-feira foi visionado em tribunal o vídeo da reconstituição que Afonso fez para a Polícia Judiciária, em 2004, do dia em que Rui Pedro desapareceu. E foram ouvidos os elementos da PJ que conduziram a investigação em 1998. Quer a acusação quer a defesa apontaram erros aos inspetores, sobretudo aos da primeira equipa que se ocupou do caso. Por que razão o depoimento da prostituta Alcina Dias só foi parar aos autos dez anos depois do desaparecimento de Rui Pedro e a reconstituição dos passos do arguido só foi feita em 2004 são algumas das questões que continuavam sem resposta na segunda-feira.
O sofrimento em que tem vivido os últimos 13 anos marcou profundamente Filomena, que, quando foi induzida a acusação, em março passado, pesava apenas 39 quilos. Desde então, engordou seis quilos, mas como continua sem vontade de comer tem sido alimentada a soro, para evitar uma recaída. Apesar do seu visível abatimento, nos dias de audiências, e com a ajuda da filha, Carina, Filomena arranja-se com todo o cuidado. Como explica o marido, “ela tenta manter-se em cima para conseguir aguentar isto tudo. Cada sessão do julgamento é um estímulo, já que, como nós todos, está com esperança de ouvir a verdade sobre o que aconteceu ao Pedro”.
 

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