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Joana Santos no Brasil: “Sou adaptável e aberta à mudança”

A atriz está no Rio de Janeiro para protagonizar o ‘remake’ de ‘Dancin’Days’. Sente o peso da responsabilidade, já que sucede a Sónia Braga no papel, mas está determinada e otimista.

Ana Oliveira
9 de dezembro de 2011, 09:14

A psicopata Diana que interpretou em Laços de Sangue, agora premiada com um Emmy, deu a Joana Santos uma popularidade difícil de prever e abriu-lhe as portas da Globo: a atriz está no Rio de Janeiro para protagonizar um remake da novela Dancin’Days, que nos anos 70 conquistou audiências tanto no Brasil como em Portugal. Serão alguns meses longe de casa e da família, mas o facto de ter consigo o namorado, o brasileiro Ilya Yamasaki, atenua as saudades. Foi a partir do Rio, via e-mail, que a atriz deu esta entrevista à CARAS.
– Deve ser um desafio interpretar um papel que ficou tão marcado pelo trabalho de Sónia Braga...
Joana Santos – Quando me disseram que seria a protagonista da novela, percebi que tinha em mãos uma grande responsabilidade. Mas ainda bem, que venham os desafios! Comecei por fazer uma pesquisa na Internet, procurei vídeos, sinopse da novela, características da personagem, e deparei-me com o êxito que foi esta novela nos anos 70, o boom de audiências, o efeito que provocou sobre o público... Lançou modas, foi realmente incrível.
– E vai inspirar-se no trabalho da Sónia Braga?
– Procurei saber o que foi a novela naquela época, mas inspirar-me na Sónia Braga, penso que não. São épocas diferentes, o que era moda, o que interessava as pessoas naquela altura, agora é diferente. A novela vai ser adaptada aos dias de hoje.
– A Júlia é uma trintona com uma filha de 15 anos, a Joana faz 26 esta semana... Vai sofrer alguma transformação física para parecer mais velha?
– É engraçado, li um artigo em que a Sónia Braga, que fez o papel aos 28 anos, dizia que tinha tido medo de não dar conta do recado. Eu prefiro perguntar-me como é que vou dar conta do recado [risos]. Felizmente, tenho o privilégio de estar a ser preparada pela atriz e diretora de atores Lais Corrêa. Estamos num trabalho intenso de conhecimento interior da personagem, e o facto de ter tempo para preparar, estudar, pesquisar e trabalhar as emoções antes de me dedicar ao texto é fundamental para acreditar que sou capaz. Se eu não acreditar no que estou a fazer, ninguém vai acreditar.
– Passa de um papel de vilã para um de ‘boazinha’. As personagens influenciam-na?
– Eu acredito no seguinte: a personagem sou eu, mas eu não sou a personagem. Quero dizer com isto que empresto as minhas emoções às personagens e não o contrário. Vou sofrer, vou sentir prazer, vou chorar, vou sorrir com as personagens, mas elas são elas, e eu sou eu.
– Esta mudança de país deverá trazer obstáculos práticos, mas é também uma oportunidade de valorizar e diversificar o seu trabalho. O que destacaria em termos de mudança de vida?
– Já estou no Brasil há três meses, é a primeira vez que fico tanto tempo afastada da minha família, dos meus amigos, da minha casa... Duas semanas de­pois de ter terminado a novela Laços de Sangue eu estava no Brasil... Estava de férias, mas sentia-me vazia, sentia que não tinha nada para fazer, e não estava a gostar dessa sensação: chorava, chorava... Entretanto, passou. A Diana esteve comigo um ano e de repente foi-se, era normal sentir esse vazio. O facto de ter passado por isso longe da minha família e dos meus amigos fortaleceu-me. Não ter o ‘colinho’ da família, não ouvir dizer “pronto, já passou”, fez-me aprender a dizer a mim mesma: bola para a frente, como se diz aqui. Contudo, considero-me uma pessoa adaptável às situações e sou aberta à mudança.
– O que é que lhe custou mais deixar em Portugal?
– Custou-me muito deixar a minha casa, tinha mudado há pouquíssimo tempo quando viajei, mas sobretudo custou-me estar longe da família.
Foi para o Brasil pela experiência, pela oportunidade de enriquecimento de currículo, ou mais pela aventura de mudar de vida?
– Uma coisa levou à outra: a Globo Internacional e a SIC propuseram-me vir preparar a personagem no Brasil, e o facto de estar longe da zona de conforto acaba por ser bom neste tipo de preparação, pois há outro tipo de concentração.
– Na vida, em geral, gosta de arriscar ou prefere jogar pelo seguro?
– Às vezes arrisco e dou-me bem, outras vezes não... [risos] Mas no geral prefiro jogar pelo seguro.
– Em Portugal, o seu trabalho recente foi muito reconhecido e valeu-lhe até um Globo de Ouro. Isso fê-la sentir que entrava nu­ma nova etapa de vida?
– Graças à minha dedicação e empenho, fui reconhecida e senti que a vida me estava a sorrir. E continua a sorrir, tanto no plano profissional como no pessoal. Pensamento positivo traz coisas positivas.
– Sei que é uma pessoa discreta, que prefere não se expor muito. Acha que vai conseguir manter essa reserva no Brasil, onde a fama dos atores de novela proporciona grande popularidade?
– Aqui não preciso de me re­servar, ninguém me conhece! [risos] Mas eu já sou reservada por natureza, nada deverá mudar.
– Preocupa-se com a sua imagem, ou continua a preferir a descontração e a informalidade?
– Preocupo-me cada vez mais com o corpo. Começou por ser uma necessidade profissional, pois quanto mais resistência tiver, melhor interpreto cenas que exijam mais de mim fisicamente. Depois comecei a olhar para o espelho e a sentir-me melhor com a minha postura e o meu físico, mas continuo a ser uma pessoa descontraída.
– Sei que esteve em S. Paulo, em casa da mãe do seu namorado. Já se conheciam?
– Estive em S. Paulo, sim, mas já conheço a mãe do meu namorado há algum tempo e damo-nos muito bem! [risos] Nestes primeiros tempos tive ainda oportunidade para passar um fim de semana em Búzios, que fica a cerca de duas horas do Rio, e recomendo: tem praias lindas, restaurantes muito bons e é perfeito para descansar.
– O seu namorado vai permanecer no Brasil estes meses?
– O meu namorado vai ficar aqui comigo, sim.
Será uma ajuda para suportar as saudades da família?
Claro, é mais fácil suportá-las com ele perto de mim.
– Já teve tempo de fazer amigos no Brasil? Tem estado com os colegas portugueses que aí estão?
– Já me encontrei com o Ri­cardo [Pereira] e com a Francisca [Ribeiro] no aniversário dele, e também estive com a Marina Mota e a Maria Vieira. Com a Mafalda Pinto costumo encontrar-me mais frequentemente. Foi com ela que vim para o Rio de Janeiro a primeira vez, há uns cinco anos. E também tenho alguns amigos brasileiros.

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