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Ruy de Carvalho: "Tenho netos maravilhosos, sou um avô muito orgulhoso"

Junto dos netos, João Ricardo, de 28 anos, Diogo Henrique, de 25, e Henrique, de 21, o ator falou de afetos e laços familiares, e confirmou que teve uma vida cheia e feliz.

Andreia Cardinali
3 de dezembro de 2011, 13:12

Ruy de Carvalho não recorda os Natais da sua infância com grande entusiasmo, já que a morte de um irmão no Dia de Reis retirou à mãe a vontade de festejar a época.  Foi só quando se casou, e em especial quando foi pai – o filho mais velho, João, tem agora 56 anos, e a filha, Paula, 52 – é que passou a comemorar a quadra com outro investimento afetivo. O nascimento dos netos, João Ricardo, hoje com 28 anos, Diogo Henrique, com 25, filhos de João, e Henrique, de 21, filho de Paula, deu novo fôlego às celebrações natalícias, que só perdeu com a morte da mulher, Ruth, há quatro anos.
Foi junto dos netos, com quem tem uma relação de cumplicidade e, acima de tudo, de afeto e carinho, que o ator conversou com a CARAS com a mesma simpatia, humildade e generosidade de sempre.
– Como vive esta época de Natal?
Ruy de Carvalho –
É um lugar-comum, mas os homens de­viam praticar o Natal todos os dias. O Natal para mim é uma festa de amor, amizade e solidariedade, é mais uma forma de lembrar todos esses sentimentos.
– Por não ter a sua mulher a seu lado, o Natal tornou-se mais triste?
Claro que sim. Antigamente o Natal na nossa casa era uma alegria. Hoje em dia somos menos, mas continuamos unidos, o espírito que nos unia continua a existir. O que a minha mulher fazia passou a fazer a minha filha. Acho que vou ter um Natal bom.
– Os seus filhos têm sempre o cuidado de o confortar...
Sim, confortam-me muito, tratam-me ‘nas palminhas’. Vivo sozinho, com a minha cadela, mas tenho muito amparo, tanto de um como do outro. Vou visitá-los com muita frequência.
– Dos Natais que já viveu, há algum que recorde com mais carinho?– Não, houve Natais que não tive, uns por estar a trabalhar, outros em criança, pois a minha mãe não tinha grande alegria nesta época devido à morte de um irmão meu no Dia de Reis. Só com a minha mulher é que passei a gostar mais do Natal.
– E como é a sua relação com os seus netos?
Acho que é boa, eles dizem que não dou muita confiança [risos]. Gosto muito deles e quero-lhes muito bem. Talvez não seja um bom avô, pois não ando a apaparicá-los, não os levei à escola... Não tinha tempo, a minha vida sempre foi muito absorvente. Nesse sentido, não fui um descanso para os meus filhos [risos], embora os meus netos pudessem estar comigo sempre que quisessem. Já fizemos muitas viagens juntos.
– Tem sido um bom exemplo para eles...
Pois, diz que sim. Um deles até seguiu a minha profissão, por isso, não devo ser mau de todo. Eles são muito lutadores, fazem muito pela vida e o Henrique, que escolheu a minha profissão, é o que está, naturalmente, mais aflito. O mais velho tem um trabalho estável, é geólogo, o do meio é piloto aviador, e só quando os vir completamente encaminhados é que fico satisfeito.
– O Henrique é o mais parecido consigo?
Ele é muito parecido com o pai, mas o pai é o meu tipo. O meu filho também tem coisas minhas... O meu filho é mais a mãe e a minha filha o pai. São muitos bens que eu tenho... A família que tenho enriquece-me, são complementos de uma maior felicidade.
– E a sua relação com cada um dos seus netos é diferente?
Com o que é da minha pro­fissão sou mais exigente. A minha profissão não é brincadeira nenhuma e depende muito da pessoa. O Henrique está na mesma luta em que estou e em que estive no princípio, pois sou ator há 64 anos. Hoje em dia é mais difícil começar, a não ser em televisão, estamos pouco garantidos. Tenho três netos maravilhosos, sou um avô muito orgulhoso.
– Pergunto aos seus netos se confirmam que o Ruy não foi um bom avô...
Henrique –
Ele é muito modesto. Eu vivi com o meu avô e ele sempre teve brincadeiras comigo, foi um avô muito presente. Dizer que não nos apaparicava não é de todo verdade. Ele nunca foi de grandes demonstrações em termos de brinquedos ou objetos, mas os melhores presentes que já recebi foram e são as suas lições de vida.
Diogo Henrique – Nós também não vivíamos muito perto do meu avô para que ele nos pudesse ir buscar à escola ou assistir aos treinos, mas os fins de semana eram sempre para estar com eles. Há um ano e meio mudei-me para casa do meu avô, durante dez meses, por razões práticas e foi muito engraçado. Eram mais as vezes que ele não estava em casa do que eu [risos]. Aos 84 anos, tem mais energia do que muitos jovens da minha idade. É muito fácil gostar do meu avô.
João Ricardo – Ele sempre nos contou histórias na cama e fez passeios connosco. Todos os momentos em que nos fez rir, chorar, em palco e na televisão, são histórias muito nossas. Não esteve em todos os momentos, mas sempre foi muito presente, sempre aproveitou todas as oportunidades para estar junto de nós.
– E como é ser-se neto de um ator consagrado?
Henrique –
A mim traz-me um grande sentido de responsabilidade e acho que as pessoas esperam de mim o mesmo que ele é, o que nem sempre é fácil.
Diogo Henrique – Não conheci outra realidade e só é aborrecido quando não se consegue passar despercebido [risos].
João Ricardo – É um orgulho muito grande e um exemplo a seguir em muito sentidos. É um homem muito honesto e modesto.
– Sei que continua a sentir muitas saudades da sua mulher. Como tem lidado com isso?
Com saudades e a expectativa de um dia chegar novamente ao pé dela... Ela está sempre presente na minha memória. Foram 53 anos de casamento e mais nove de namoro, é muito tempo... É uma vida.
– Mas há pessoas que não têm a capacidade de superar a dor da perda...
Isso supero, nem ela quereria que assim não fosse. Ela era uma pessoa bem disposta que acreditava na continuidade da vida e um dia iremos encontrar-nos.
– Mas pensa nesse momento, na morte?
Não tenho medo desse dia, um dia terei de morrer. Agora encaro a morte de uma maneira bem disposta.
– Com a sabedoria que o tempo dá, mudava alguma coisa de fundamental na sua vida?
Nada. Não fiz nada que julgue ter sido uma grande asneira. Tive um bom casamento, uma boa vida pessoal e profissional. Doenças graves, mas que superei... Posso dizer que sou um homem feliz.

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