Nas Bancas

Anna Westerlund: "Tenho a família com que sempre sonhei”

A ceramista dedica grande parte do seu tempo à educação dos filhos, Emma, Mia e Max, de sete, quatro e um ano, respetivamente, fruto da sua relação com o ator Pedro Lima.

Cristiana Rodrigues
2 de dezembro de 2011, 13:54

A entrevista foi marcada com o objetivo de falarmos com Anna Westerlund sobre o Natal. Foi por aí que começámos, mas o rumo da conversa acabou por ser outro... A ceramista, de nacionalidade sueca, que abraçou recentemente um novo projeto tornando-se sócia do Chef Nino – loja de gelados italianos artesanais localizada na LX Factory, em Alcântara, que reabre em dezembro –, diz estar a passar uma fase tranquila junto da família com que sempre sonhou. Quando fala dos filhos, Emma, de sete anos, Mia, de quatro, e Max, de um, fá-lo no plural. Fala em nome dela e no do ator Pedro Lima, com quem partilha a vida há mais de dez anos.
– Que recordações guarda dos Natais passados?
Anna –
Os Natais que recordo com mais saudade são os que passava na Suécia, pois correspondem totalmente ao imaginário habitual: há neve, está tudo enfeitado com luzes, fazem-se bonecos de neve... A família do meu pai é numerosa e por isso era uma festa.
– Realmente, aqui são um bocadinho diferentes, mas também tem a casa cheia...
[risos] É verdade, agora vivemos numa casa minimamente ca-
paz de receber a nossa família e por isso no dia 25 é muito divertido.
– Mas não festejam a noite de Natal?
Festejamos, mas nessa noite sou só eu, o Pedro e os nossos três filhos. Alterámos o ritual para podermos celebrar o Natal em grande quando o João Francisco – filho do primeiro casamento de Pedro Lima – está connosco. Está combinado que ele passa sempre a noite de 24 com a mãe e o dia 25 em nossa casa. Assim passámos a fazer um almoço grande com toda a família.
– Qualquer criança associa o Natal a presentes. Suponho que os vossos filhos não sejam diferentes.
Sim, é quase impossível não o fazerem, mas não esgotam aí a relevância do Natal, pois aproveitamos a época para falar da importância do amor, da partilha, da solidariedade. E eles acabam por associar também o Natal ao facto de poderem fazer uma revisão nos brinquedos para oferecer a algumas crianças que não podem ter um Natal igual ao deles. Espero que na balança esteja tudo bem equilibrado.
– Costumam participar em ações solidárias?
Gostaria de ser mais participativa, mas muitas vezes a vida corre depressa demais. Quando os nossos filhos forem mais crescidos eu e o Pedro pretendemos levá-los, numa noite de Natal, a partilhar essa solidariedade, passar a noite de 24 a dedicarmo-nos aos outros, de forma real e que também lhes dê prazer.
– Eles já mostram ter esse sentido de partilha?
Uma das coisas que nos fez ambicionar ter uma família minimamente numerosa foi precisamente a questão da partilha, que se torna desde logo automática. Depois, tendo irmãos, tornam-se mais solidários, aprendem facilmente a respeitar as liberdades e os ritmos uns dos outros.
– A Emma e a Mia são muito próximas?
Passam das melhores amigas a inimigas em três segundos. [risos] Mas quando há alguma zanga entre elas ou qualquer tipo de ofensa, são sempre obrigadas a pedir desculpa. Acho que é fundamental. Também lhes transmito que os irmãos são os melhores amigos, os grandes companheiros para o resto da vida.
– E a relação delas com o Max é pacífica?
Adoram pegar nele, continuam a vê-lo como um bebé, mas ele é pesado e já não gosta de andar ao colo delas. [risos] Então, às vezes há umas zangas porque ele lhes puxa os cabelos e começa a exteriorizar o que sente.
– A Emma e a Mia já revelam alguma independência?
Tem sido um esforço contínuo promover a independência delas, principalmente no que diz respeito a vestirem-se de manhã quando ainda estão cheias de sono, mas não tenho sido bem sucedida... [risos]
– Portanto, é obrigada a acordar mais cedo...
Confesso que não...
– Mas é preciso alguma organização. Deixa, por exemplo, a roupa preparada de véspera?
Não sou organizada a esse ponto. Há dias alguém me dizia que se levantava mais cedo para sair de casa mais arranjadinha, com rímel... E eu confesso que prefiro dormir mais um bocadinho do que pôr rímel ou blush. [risos]
– Imagino! Até porque ainda há noites mal dormidas...
Eles não dormem mal, mas é raro um deles, por qualquer razão, não acordar a meio da noite. Por isso, digo que há sete anos não durmo uma noite inteira. Às vezes sinto que as outras pessoas não têm consciência de que essa noite de sono interrompida cria, com o passar do tempo, algum cansaço. Mas nada que depois uma noite inteira não reponha...
– E para isso conta com a ajuda dos seus pais, certo?
Sem a ajuda dos meus pais nunca teria conseguido realizar os meus sonhos. Para mim, são uma referência em relação ao futuro dos meus filhos, para que eu acredite sempre no sonho deles.
– Por falar em sonhos, há algum que tenha por realizar?
Sempre idealizei uma família com vários filhos e um marido que partilhasse este meu desejo. Agora tenho a família com que sempre sonhei. Vivo o dia-a-dia, aproveito o que vai surgindo. Sinto-me tão sortuda! Tenho uma família feliz, saudável, trabalho no que gosto... Estou tranquila e muito feliz.
– Sim, até tem um novo projeto em mãos...
Em relação à cerâmica, sempre senti alguma dificuldade em termos de mercado e sempre foi um desafio arranjar um espaço onde conseguisse conciliar uma série de coisas de que gosto. Depois de alguns projetos, acabei por me tornar sócia do Chef Nino e estou radiante. É um espaço que tem tudo a ver comigo, a cerâmica e a gastronomia estão ligadas. É uma geladaria que tem receitas artesanais, uma vertente que também aprecio. Tentamos servir receitas biológicas e o mais sazonais possíveis, por isso estou a adorar.
– Parece que primeiro se dedicou à família e só agora está a dedicar-se à carreira. Acha que terá perdido alguma oportunidade profissional?
– Acho que não. Neste momento é que me sinto capaz de fazer este investimento. Claro que às vezes sinto que poderia ter tentado conciliar melhor a maternidade e a profissão, sinto que adiei um bocadinho talvez pela minha falta de capacidade de ser mais organizada. Mas essa decisão também foi tomada para eu poder viver os primeiros anos dos meus filhos com mais calma. Não me importava de estar umas etapas mais à frente em termos profissionais, mas as coisas são como são. Tem sido um caminho lento, até porque gosto de dar passos bem seguros, e um dia isso poderá refletir-se numa maior estabilidade do que se tivesse feito tudo a correr.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras