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Joana Lemos fala do enfarte do marido: "Assusta-me pensar que posso perdê-lo"

Joana Lemos, o marido, Manuel Reymão Nogueira, e os filhos de ambos, Tomás, de 13 anos, e Martim, de 11, vivem em Chelsea, Londres, há cerca de um ano e meio. Foi aí q ue, na passada terça-feira, dia 15, Manuel teve um ataque cardíaco de grande intensidade.

Cristiana Rodrigues
1 de dezembro de 2011, 10:22

Londres, terça-feira, 15 de novembro, 7h15 da manhã. Manuel Reymão Nogueira, de 42 anos, chegava ao escritório onde trabalha como responsável pelos mercados emergentes no Espírito Santo Investment Bank/Execution Noble, quando se sentiu mal. Foi de imediato socorrido e levado para o Chest Hospital, onde lhe foi diagnosticado um ataque cardíaco de forte intensidade. Joana Lemos, a mulher, acompanhou-o nestas horas de aflição. Conhecida por ser uma mulher lutadora e cheia de força, nunca lhe passou pela cabeça que iria perder o marido. Otimista, diz que foi o amor que os une que não a deixou ir abaixo. Aos filhos de ambos, Tomás, de 13 anos, e Martim, de 11, contou o sucedido, sem dramatismos, mas revelando a gravidade da situação. Depois de três dias de internamento, durante os quais lhe foi colocado um stent (uma espécie de válvula de reforço) numa das artérias, Manuel Reymão Nogueira teve alta. Já está em casa, estável e a ser “mimado por toda a família”. Mas esta história não acaba aqui. Daqui a algumas semanas vai voltar ao hospital para ser subme-tido a uma cirurgia para tratar a outra artéria. Em exclusivo para a CARAS, Joana Lemos contou como tudo aconteceu.
– O que é que se passou realmente na terça-feira, dia 15?
Joana Lemos –
Quando o Manel saiu de casa já não se estava a sentir muito bem. Cheguei a sugerir-lhe que depois de ir levar o Tomás e o Martim à carrinha da escola voltava a casa para o levar ao escritório. Mas ele não queria chegar atrasado e acabou por se pôr a caminho. Mas passado um quarto de hora de ele ter saído de casa, já estava a chegar ao trabalho, ligou-me a dizer que estava sentir-se pessimamente. Eu disse-lhe que ia buscá-lo, pois da maneira como ele estava a falar – com falta de ar – percebi que era preocupante. No entanto, quando cheguei, um colega que trabalha com ele, que percebeu a gravidade da situação, já tinha chamado uma ambulância, até porque o Manel queria ir para casa de táxi. Ele tem pânico de hospitais...
– E qual foi o diagnóstico?
Um ataque cardíaco de grande intensidade. A sorte foi ter sido rapidamente socorrido. Os próprios médicos, depois de verem o estado em que ele estava, disseram que o Manel poderia não ter resistido.
– E foi logo submetido a uma cirurgia?
Quando chegou ao Chest Hospital, que é especializado em doenças de coração, já tinha a equipa médica à espera dele, por isso foi imediatamente para o bloco operatório, onde lhe foi colocado um stent.
– E o problema ficou solucionado?
Não. Ele tem ainda uma artéria com uma lesão que terá de ser tratada.
– Sabem avaliar quais foram as causas?
O Manel trabalha há 20 anos na bolsa e é um trabalho, como toda a gente sabe, extremamente stressante. E os tempos que se vivem hoje em dia, a economia e a crise também não ajudam. Ele vai para o escritório às 6h30 da manhã. Dedica-se ao trabalho a cem por cento, assim como à família. Acho que isto tudo pode ser o resultado de uma má gestão do stresse da vida que tem. Depois, a hereditariedade dele também não ajuda, o pai morreu aos 52 anos precisamente com um ataque cardíaco.
– E o que é que fez, em que é que pensou enquanto o Manel estava a ser socorrido?
Fiquei muito aflita e ansiosa. Só pensava nele e nos meus filhos. Para ser verdadeira, nem sei bem em que pensei, acho que liguei o piloto automático, estava cheia de força e otimismo, que é com o que eu procuro munir-me
nestas alturas de desespero...
– Sim, quem olha para si vê uma mulher lutadora, cheia de garra...
Não vale a pena as pessoas irem abaixo. O amor que eu sinto pelo Manel e que ele sente por mim é tão forte que não nos deixa desistir. Acredito tanto na força do amor que foi nisso que me centrei. Tive sempre um otimismo muito grande que me fez acreditar que as coisas se iam resolver.
– Em algum momento sentiu que poderia perder o Manel?
Do fundo do coração, apesar de os mé-dicos me terem alertado para a gravidade da situação, nunca senti isso. Na minha cabeça não o conseguiria conceber. Ele próprio também não. Temos uma dependência tão grande um do outro que não consegui ver outro caminho que não o otimismo.
–Mas vermos a pessoa que amamos nu-ma situação tão delicada como esta deve ser terrível...
É horrível! Felizmente, nasci munida de forças para muita coisa, mas no que diz respeito ao meu marido e aos meus filhos, não consigo conceber a perda de nenhum deles. Vivemos muito em função uns dos outros, gozo desse privilégio. Eu e o Manel temos crescido juntos, estou desde os 22 anos com ele... Ele é meu marido, a paixão da minha vida. Assusta-me pensar que o posso perder.
– E os vossos filhos, como souberam da notícia?
Eles não souberam de imediato da gravidade da situação. Foram-se apercebendo aos poucos. Até porque, embora a minha mãe venha visitar-nos com frequência, desta vez chegou de repente. Assim como ficaram apreensivos quando a minha sogra e a minha cunhada apareceram.
– Como é que reagiram?
O Martim é um miúdo que se defende mais, ou, pelo menos, disfarça mais, embora eu acredite que ele não tenha muita consciência do que se passou. O Tomás tem desde que nasceu uma dependência enorme do Manel e vice-versa. Por isso ele ficou muito aflito, um bocadinho perdido até. E agora não quer sair de junto do pai, embora esteja mais calmo. Constatar que as coisas de um momento para o outro podem mudar é aflitivo...
– É nestas alturas que se faz um balanço do que é realmente importante?
Até pode ser, mas eu não preciso destes maus momentos para fazer esses balanços nem para valorizar o que de facto é importante. E a prova é a forma como temos vivido e como relativizamos os momentos menos bons, porque para nós o mais importante é estarmos em família, juntos. E, procuramos viver o melhor possível perante as adversidades que vão surgindo, de outra forma não estaríamos juntos e felizes como estamos.
– O Manuel está consciente do que se passou?
Sim. Os médicos mostraram-lhe o desenho de um coração e apontaram o que tinham feito e o que falta fazer... e ele tomou consciência.
– E está assustado?
Está muito apreensivo, muito ansioso, com medo, não quer sair de ao pé dos meus filhos, não quer que eu saia de ao pé dele... Mas está doido para voltar ao trabalho.
– Daqui para a frente vai certamente ter que alterar alguns hábitos...
Sim, fumar nunca mais na vida. Já lhe fizeram uma tal ensaboadela ao cérebro que ele está preparado para isso.
– E agora que é que vai acontecer?
Ele vai estar sob vigilância. Perto de nossa casa há um hospital que já tem o relatório do que sucedeu, caso aconteça algum episódio até ele fazer a operação... Mas estou confiante de que não vai acontecer mais nada e que o Manel vai recuperar muito bem.

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