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Carlos Martins: “Acreditamos num final feliz para o Gustavo”

Em Espanha Carlos Martins e a mulher, Mónica, contam-nos como vivem o drama das suas vidas.

Natalina de Almeida
29 de novembro de 2011, 16:27

Já em Espanha, o futebolista português Carlos Martins e a sua mulher, Mónica, aceitaram falar para a CARAS sobre o drama que estão a viver e cederam-nos uma foto do seu álbum familiar que evidencia bem a enorme cumplicidade que existe entre pai e filho.
O casal atravessa um momento muito doloroso, depois de os médicos terem diagnosticado aplasia me-dular ao seu filho Gustavo, de três anos, uma situação que foi tornada pública no passado dia 15, depois do apuramento de Portugal para o Euro 2012. Desde então, gerou-se uma onda de solidariedade em redor do médio do Benfica (emprestado esta época ao Granada), que não para de crescer e de emocionar os pais do pequeno Gustavo.
Conscientes da gravidade da doença do filho, Carlos e Mónica vivem dias de angústia, mas recusam entregar-se ao medo de perder Gustavo. O casal sabe que existe uma esperança e é nela que concentra toda a sua vida neste momento. E é por isso que não se cansa de apelar à doação de sangue para que se possa encontrar rapidamente um dador de medula óssea compatível com o seu filho.
Apesar do drama pessoal que está a viver, Carlos Martins não quer deixar de jogar e fá-lo por um motivo maior: o futebolista conta-nos que a alegria que proporciona a Gustavo sempre que entra em campo é tão grande que tudo vale a pena, e é aí que encontra forças para continuar a trabalhar: “É o meu filho que me dá forças para treinar e jogar. Ele vibra quando me vê em campo."
A ligação entre pai e filho é muito forte e cúmplice. É Mónica quem o diz, mas também o irmão do futebolista, António Manuel Martins, que, em Portugal, dá todo o apoio necessário à família para aumentar de forma significativa a base de dadores de medula óssea e, dessa forma, ajudar o Gustavo e todas as pessoas que aguardam um transplante.
Em Espanha, o casal divide os  dias entre os treinos do futebolista, os tratamentos e cuidados especiais que têm que dedicar a Gustavo e ainda o carinho e atenção que sabem que os outros dois filhos, Martim, de um ano, e Bruna, de 11 anos (fruto de uma anterior relação de Mónica) precisam.
A doença foi detetada em agosto deste ano, quando Gustavo caiu e ficou com a perna a sangrar. A mãe levou-o ao hospital e, depois de terem realizado exames, concluíram que o nível de plaquetas da criança era baixíssimo. Depois disso, Gustavo foi submetido a vários tratamentos à base de cortisona, em Espanha, tendo chegado a estar internado. Na semana passada, quando Carlos Martins já se encontrava ao serviço da Seleção Nacional, o menino teve uma recaída bastante grave. A doença foi confirmada aos pais por um médico de um hospital de Lisboa, no passado dia 14, precisamente três dias antes de Gustavo completar três anos.
Carlos e Mónica ficaram destroçados. O futebolista deveria jogar pela Seleção daí a dois dias e não deixou de o fazer. Mal acabou a partida, a música que se ouvia no balneário do Estádio da Luz, pela qualificação para o Euro 2012, foi desligada e os futebolistas ouviram o médico Henrique Jones explicar-lhes o que se passava com Gustavo. Foi só nessa altura que se aperceberam da gravidade da situação. Carlos Martins chorou e foi confortado por todos os seus colegas, que se dispuseram de imediato a realizar os testes médicos necessários para se verificar se algum deles se-ria compatível. Na família não existe um dador compatível e fora dela as probabilidades de encontrar um é de uma em cem mil.
Com Mónica muito fragilizada, é Carlos Martins quem fala em nome do casal sobre este momento tão angustiante.
– Como está o Gustavo neste momento?
Carlos Martins
– O Gustavo é uma criança de três anos... Com grande esforço da minha parte e da mãe, estamos a tentar que não se aperceba da gravidade do que tem. A situação está mais ou menos controlada, mas a angústia é constante. A doença do Gustavo é muito grave. Temos plena consciência disso e sabemos que a cura passa pelo transplante. A medula óssea do Gustavo não produz os componentes sanguíneos necessários, por isso é preciso encontrar rapidamente um dador compatível. O Gustavo está a fazer tratamentos médicos em Espanha, de modo a que a situação se mantenha controlada até que apareça um dador.
– Como se sentem em relação a esta onda de solidariedade, que já ultrapassou fronteiras e está a levar milhares de pessoas a inscreverem-se como dadoras de medula óssea?
– Invade-nos um sentimento de gratidão que é completamente impossível de descrever.
– Qual é o vosso maior desejo?
– O maior desejo, temos de confessar, é que seja encontrado um dador compatível com o Gustavo e que o nosso filho possa voltar a ser a criança enérgica que sempre foi. E, humildemente, queremos acreditar que esta onda se traduzirá na solução do problema de saúde do Gustavo e de muitas outras crianças que por em todo o mundo sofrem da mesma doença.
– E o maior medo?
– Estamos muito angustiados, mas sabemos que este é o momento de estarmos focados na solução e é nela que empenhamos todas as nossas forças. Eu, a Mónica, e toda a família temos muita esperança  de que vamos encontrar um da-dor compatível para o Gustavo. Estamos todos unidos e focados nisso.
– Como estão a lidar os irmãos do Gustavo com esta situação?
– Desde a descoberta da doença toda a família tem vivido momentos muito difíceis. O Martim é muito pequeno, tem apenas um aninho, e, mais uma vez, fazemos todos os esforços para que não seja descurada a atenção de que necessita. A Bruna já tem onze anos, com ela as coisas já têm de ser mais pensadas. Tem plena consciência da doença do irmão, mas parece-nos que está a reagir da melhor forma. Ajuda-nos a repartir a atenção en-tre os irmãos e tem-se mostrado uma grande ajuda, demonstra uma compreensão extraordinária, parece uma pequena mulher. É uma menina com muita força
–  Como mantêm a esperança de que vai aparecer um dador compatível?
– Como? Vendo e acompanhando a evolução da onda de solidariedade em que os portugueses estão empenhados. Acreditamos que o esforço de toda uma nação, de todo o mundo, se traduzirá num final feliz para o Gustavo e para todas as outras crianças.
– Onde vão buscar forças para viverem o vosso dia-a-dia e tentar manter alguma normalidade?
– Somos pais e quem é pai sabe que, em toda e qualquer circunstância, vivemos em função dos filhos. As forças surgem-nos assim que eu e a Mónica acordamos e olhamos para a nossa família. Ver o Gustavo a tentar roubar as atenções ao Martim, ver a Bruna a embalar o Martim quando este chora... Aí pensamos: somos uma família, e é essa realidade que nos dá forças. Basta-nos olhar para o Gustavo, para nós enquanto família, para termos fé e esperança.
– Na qualidade de pais que lutam pela vida do vosso filho, gostariam de deixar algum apelo?
– Ajudem-nos a salvar a vida do nosso filho! Neste momento de dor, mas também de gratidão, eu e a Mónica apelamos encarecidamente para que as pessoas se tornem dadoras de medula óssea. Ao fazê-lo, poderão salvar uma vida, uma vida que pode ser a do Gustavo ou a de qualquer outra pessoa no mundo. Queremos sal-var a vida do nosso filho e de outras crianças que estejam em situação idêntica.

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