Nas Bancas

Eunice Muñoz

Eunice Muñoz

Mário Galiano

Eunice Muñoz, atriz há 70 anos: “Serei inquieta até Deus me chamar”

A atriz estreou-se em teatro há precisamente 70 anos, com a peça ‘Vendaval’, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Redação CARAS
28 de novembro de 2011, 15:02

Quando, em 1941,subiu pela primeira vez ao palco, integrada no elenco de Vendaval, de VirgíniaVitorino, numa produção da companhia Rey Colaço/Robles Monteiro, entãoresidente no Teatro Nacional D. Maria II, Eunice Muñoz não podia suporque o sonho de ser atriz se tornaria a realidade de toda a sua vida. Mas aos 83anos continua a subir ao palco e, no último dia 28, assinalou nele os seus 70anos de carreira, com a estreia da comédia Cerco a Leningrado noauditório com o seu nome, em Oeiras (numa encenação de Celso Cleto).
Horas antes, tinha recebido de Aníbal Cavaco Silva, numa cerimóniarealizada no Palácio de Belém, a sua terceira ordem honorífica, a Grã-Cruz daOrdem do Infante D. Henrique. “Esta condecoração é importante, porquerepresenta o reconhecimento do meu trabalho, e, neste caso, o reconhecimento dopaís, uma vez que é entregue pelo Presidente da República. Por muito modestaque eu seja, e sempre foi essa minha postura, honra-me muito, até porque apartir de determinado momento fiz papéis que me exigiram muito trabalho”,confidenciou a atriz à CARAS.
Enumerar os seus trabalhos, quer no teatro quer no cinema e na televisão, équase impossível. Mesmo assim, quando lhe pedimos para destacar algum dos seustrabalhos, referiu a penúltima peça que fez, para o Teatro Experimental deCascais, O Comboio da Madrugada, de Tennessee Williams, numa encenação de CarlosAvillez.
A nível pessoal, Eunice viveu de forma igualmente intensa: “Os meus amoressempre foram intensos. A primeira vez que me casei tinha 18 anos, foi muitocedo, mas tinha aquela ideia de que com o casamento conseguiria liberdade.Nasceu a minha filha Susana, recorda. Terminado o casamento com RuiCouto, uniu a sua vida ao empresário Ernesto Borges, pai de Joana,António, Pedro e Maria. Bara nasce do terceirocasamento, com António Baraona. “Depois de me separar do meu segundomarido, foi complicado. Profissionalmente estava bem, estava à frente daCompanhia de Comediantes, mas a nível sentimental estava mal, por causa daseparação. Resolvemos não separar os filhos e o meu ex-marido partiu paraAngola com os quatro filhos. Foi muito doloroso. A Susana é que ficou semprecomigo”, recorda a atriz, que tem hoje oito netos (entre os quais Lídia,que lhe segue as pisadas, tendo-se estreado a seu lado em O Comboio daMadrugada), e quatro bisnetos.
Um percurso preenchido a todos os níveis, mas que nunca lhe permitiu deixar deser uma mulher inquieta: “A minha vida foi sempre vivida com uma certainquietação. Inquietação pelos filhos – até à hora da nossa morte, ainquietação faz parte da maternidade –, inquietação pela profissão, que semprefoi muito insegura, tive mesmo momentos difíceis materialmente falando... E continuo inquieta até Deus mechamar.”

Palavras-chave

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras