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Rita Ferro Alvim orgulhosa da sua família

“Sempre tive o sonho de ser mãe. É a maior concretização da minha vida”

Cláudia Alegria
26 de novembro de 2011, 14:08

Nasceu numa família de escritores: a bisavó Fernanda de Castro, o bisavô António Ferro, o avô António Quadros e a tia Rita Ferro são nomes fortes da literatura portuguesa. Ainda assim, Rita Ferro Alvim garante não ter sentido o peso da responsabilidade dos apelidos que herdou quando chegou às suas mãos o primeiro exemplar do livro que acaba de lançar, Socorro! Sou mãe... – Como sobreviver com alegria ao primeiro mês de vida do bebé.
Formada em Marketing e Publicidade pelo IADE, e com uma pós-graduação em Comunicação e Imagem, Rita tem dedicado os últimos dez anos da sua vida profissional ao jornalismo, estando atualmente na SIC Notícias. Com o nascimento da primeira filha, Maria, hoje com 22 meses, surgiu a ideia de escrever um livro, mas a falta de disponibilidade – “porque o primeiro mês de vida dos bebés é dos mais difíceis na vida de uma mulher que se estreia na maternidade” – levou-a a adiar esse projeto até voltar a ser mãe, de Duarte, hoje com 11 meses. Ao lado do consultor Bernardo Alvim, com quem se casou em maio de 2008, Rita Ferro Alvim formou a família com que sempre sonhou, e da qual fala sempre com o maior orgulho.
– Vindo de uma família de escritores, não sentiu responsabilidade acrescida ao lançar este livro?
Rita Ferro Alvim –
Sou bisneta, neta, sobrinha e irmã de pessoas que lançaram livros... Acho que, na nossa família, nascemos de caneta na mão! Não senti grande responsabilidade porque o tema é especial e bastante diferente dos da família, pelo que não senti grande pressão. A linguagem que uso é ligeira, como se estivesse a reproduzir uma conversa entre amigas. Mas não me considero escritora, como eles. Não me imagino a lançar, por exemplo, um romance, embora tenha gostado da sensação de ter terminado este livro. Agora quero ter outra boa ideia, mas numa área diferente.
– Alguém da sua família o leu antes de  ser enviado para a editora?
– O livro começou por ser um molho de recortes para a minha irmã Maria Ana, que estava grávida, e que acabou por ser a primeira a lê-lo. O livro começou por ser uma compilação de informações que fui fazendo enquanto estive de licença de maternidade, sem que tivesse intenção de o publicar. Depois, tudo foi acontecendo rápida e naturalmente.
– Mas chegou a pedir-lhes conselhos?
– Pedi muitos conselhos à minha prima  Marta [Gautier] e à tia Rita, claro, que se movem no mundo dos livros há muito tem­po. Vibraram com as minhas conquistas, deram-me força, e elucidaram-me sempre que lhes telefonava para tirar dúvidas.
– Porquê escrever um livro sobre o início de vida de um primeiro filho, quando acaba de ser mãe do segundo?
– Porque no primeiro filho não se consegue! É muito difícil, senão praticamente impossível, escrever um livro nessa altura.  Com o nascimento do Duarte, que coincidiu com a gravidez da minha irmã, surgiu a vontade de tentar passar informações que se desconhecem quando nasce o primeiro filho. Por isso, comecei a juntar recortes de revistas e jornais, mandava e-mails à minha irmã com tudo o que poderia acontecer nos primeiros meses de vida dos bebés, porque achava que a minha irmã mais nova não ia conseguir ser... mãe [risos]. De repente, tinha tanta informação reunida, que surgiu a ideia de editar um livro. E foi assim que nasceu este projeto, que só foi possível porque o Duarte foi sempre um bebé muito calminho, dormia imenso e portava-se lindamente. Mesmo assim não volto a juntar as duas coisas: ou um filho ou um livro! Digo sempre que tive gémeos: o livro deu-me tanto ou mais trabalho que o Duarte [risos].
– É importante que as mães tenham consciência de que tudo muda com a chegada de um bebé?
– Sim. É dos meses mais difíceis e complicados na vida de uma mulher, sobretudo porque muitas mães estão convencidas de que é tudo espetacular, que os bebés só comem e dormem, e esquecem-se de que têm de acordar de três em três horas para os alimentar... Tudo muda com a chegada de um bebé, até a relação do casal. E, por vezes, as mulheres são apanhadas de surpresa, já que não têm experiência.
– A verdade é que, ainda que se tenha noção do que é ter um primeiro filho, nunca se está verdadeiramente preparado...
– Nunca, quando são os nossos filhos tudo é novo e diferente. Lembro-me de que, quando estava grávida da Maria, já me irritava ouvir tanta gente dizer que devia aproveitar para dormir. E agora dou por mim a dizer às grávidas para dormirem! Se este livro ajudar em alguma coisa uma mãe já fico feliz. A minha intenção não é ensinar, é fazer despertar o instinto das mães que, por vezes, fica escondido e um pouco baralhado, e demora mais um pouco a aparecer, embora esteja sempre lá.
– No seu caso, o instinto maternal esteve sempre presente? A vontade de ser mãe, pelo menos, sempre demonstrou...
– A vontade, sim, sempre. Quando era criança sonhava que ia ser mãe, em adolescente sonhava que estava à espera de bebé. A minha vida fazia sentido assim. Ainda bem que apareceu o Bernardo na minha vida. Ser mãe é a minha grande concretização.
– E o Bernardo também estava preparado para esta fase? Como referiu, quando nascem os filhos a relação entre os casais é posta à prova...
– Completamente. Nós gostamos muito um do outro. Acho que não há nenhum segre­do, o importante é gostarmos mesmo muito um do outro, e eu não imagino a minha vida sem o Bernardo.
– O papel do pai é fundamental, mesmo em termos logísticos, como ajudar a dar banhos, mudar fraldas ou encarregar-se dos irmãos mais velhos...
– É verdade, e o Bernardo sempre dividiu as tarefas comigo. Como o Duarte mamou durante sete meses, o Bernardo libertou-me mais com a Maria, ia passear com ela, dava-lhe as refeições... A nova geração de pais também é completamente diferente, tiveram de mudar a sua forma de estar, porque também não contamos com as mesmas ajudas. Os pais têm mesmo de ajudar, senão as mulheres dão em doidas!

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