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Paulo Sousa Costa: “Só quero ser o pai que não desistiu perante a morte do filho”

O jornalista e produtor acaba de publicar o primeiro de sete livros infantis que têm por herói o Dragãozinho Azul. Mas está também a escrever sobre a perda do filho, Paulinho.

Manuela Silva Reis
21 de novembro de 2011, 18:38

As crianças portuguesas passaram a ter um novo herói à hora de ir para a cama. Tem ar de querubim de caracóis louros, sorriso aberto, carinhoso e é o protagonista da série de sete livros O Dragãozinho Azul. O primeiro leva o título Verde de Inveja. Paulo Sousa Costa escreveu e lançou-o um ano depois da morte do filho, Paulinho, de sete anos, que não resistiu a uma leucemia galopante.
Durante este ano, o jornalista e produtor, sempre apoiado pela namorada, Carla Matadinho, tem traçado o seu próprio percurso de cura observando e cumprindo um lema que sempre compartilhou com o filho: “Desistir não é opção.”
– Há hipótese de vir a publicar outro tipo de livro, mais focado em tudo o que viveu?
Paulo Sousa Costa – Esse livro já está a ser escrito aos poucos, não há timings, e vai ser exatamente o processo de ‘um ano sem...’. Sempre gostei muito de escrever, mas nunca pensei que iria escrever sobre isto. Fui tirando notas ao longo do primeiro ano e é um ciclo. Não fazia sentido escrevê-lo sem passar um verão sem o Paulinho, sem o primeiro regresso às aulas sem o meu filho. Mas mesmo esse livro não vai ser escrito de uma forma depressiva.
– Desistir não é opção...
Muitas pessoas me relembram isso. É uma opção que se pode cogitar, mas desistir de mim é desistir do Paulinho. E não pode ser. Neste momento sei que há pais que olham para mim para se inspirarem, embora não o faça para isso e antes para sobreviver. Só quero ser o pai que não desistiu perante isto.
– Sei que sempre quis muitos filhos. Como vai ser?
Não sei. Os planos são feitos a outro ritmo. Não posso agora ir ter filhos pelo que aconteceu, nem posso deixar de os ter pelo que aconteceu. Uma coisa que eu sei é que vai renascer um Paulo diferente, estou a tentar que renasça um Paulo pelo menos parecido. O que ando a fazer é ser coerente com a mensagem que tentava passar ao meu filho.

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