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Pais de Rui Pedro reafirmam a esperança de encontrar o filho

Começou esta quinta-feira (dia 17) o julgamento de Afonso Dias, o principal suspeito do desaparecimento de Rui Pedro, há 13 anos.

Joana Brandão
18 de novembro de 2011, 16:10

“Acredito que vamos saber a verdade”, afirmou, emocionada, Filomena Teixeira aos jornalistas que aguardavam à saída do Tribunal de Lousada, no final do primeiro dia do julgamento de Afonso Dias, o principal suspeito do desaparecimento, há 13 anos, do seu filho mais velho, Rui Pedro. Filomena, cuja fragilidade é cada vez mais notória, considerou que foi um dia “positivo”, embora “bastante difícil”, pois, perante a juíza Carla Fraga, teve de recordar o fatídico dia 4 de março de 1998 com Afonso Dias sentado a poucos metros de distância.
Recorde-se que neste processo Afonso Dias responde por um crime de rapto qualificado, por ter, na tese do Ministério Público, aliciado e levado Rui Pedro, então com 11 anos, para um encontro com um prostituta, em Lustosa, Lousada, após o qual a criança nunca mais foi vista.
Um dos momentos mais tensos da audiência aconteceu, precisamente, quando Filomena Teixeira fez saber que, apesar de nunca ter tido nada contra Afonso, o seu marido e o seu pai não queriam que Rui Pedro se relacionasse com ele, por causa da diferença de idades que havia entre ambos, e que tal reserva já tinha sido notada pelo arguido. A esta afirmação, Afonso Dias levantou-se e, dirigindo-se a Filomena Teixeira, começou por dizer: “É mentira!”. Quanto ao resto das suas afirmações, já não foi percetível, tal a agitação que se seguiu. A juíza ordenou ao réu que se sentasse imediatamente, referindo-lhe que era a última vez que se levantava sem autorização. Também os populares presentes na sala de audiência se fizeram ouvir, dirigindo acusações ao arguido. “Senti receio do que ele me pudesse fazer”, comentou Filomena Teixeira no final da sessão.
O pai de Rui Pedro, Manuel Mendonça, foi igualmente ouvido em tribunal, para recordar o que aconteceu a 4 de Março de 1998. E, após a audiência, afirmou à Imprensa: “Temos a certeza de que ele [Afonso Dias] sabe. Se ele nos disser o que aconteceu ao Pedro, acaba aqui, se não, não vamos parar.” Quanto à sua opinião sobre a implicação de Afonso Dias no desaparecimento do filho, o pai do menino disse ainda: “Estou convencido de que o Afonso não fez nada, mas ele sabe o que aconteceu ao Pedro.”
Foi exatamente assim que começou o julgamento. Na primeira vez que se dirigiu ao tribunal, o advogado de acusação, Ricardo Sá Fernandes, fez questão de esclarecer: “O que os pais mais desejam é saber o que aconteceu ao filho. E anseiam encontrá-lo ainda vivo. No entanto, mesmo que o filho tenha falecido, é importante saber o que aconteceu, para que eles possam fazer o luto. Daí a importância deste julgamento.” Sá Fernandes concluiu a sua apresentação, frisando: “É preciso apurar o que aconteceu naquelas horas em que o menino desapareceu e são essas horas que estão em causa neste julgamento. Os pais têm esperança de encontrar uma luz. Não pretendemos transformar o arguido num bode expiatório. Se no final desta audiência de julgamento sobrar uma dúvida razoável, nós abster-nos-emos de pedir a sua condenação: não queremos arranjar um culpado à força”.
Em resposta, o advogado de defesa, Paulo Gomes, afirmou: “Este caso é para os pais do Rui Pedro atroz. Mas se pensarmos que o arguido pode ser inocente, imagine-se o sofrimento deste homem e da sua família.” Adiante-se que hoje Afonso Dias tem 35 anos, é motorista de pesados, casado e tem um filho.
Neste dia, Filomena Teixeira e Manuel Mendonça, que desde há 13 anos se empenham em não deixar que o desaparecimento do se filho caia no esquecimento, tiveram a seu lado a presidente da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas (APCD), Margarida Sousa Uva. “É muito importante que este caso tenha chegado a julgamento”, afirmou a mulher de Durão Barroso, que disse ainda à Comunicação Social: “Esperamos, simplesmente, que se faça justiça. Ninguém quer condenar um inocente, nem ninguém veio aqui para encontrar um culpado a toda a força. Se de facto o Afonso Dias é culpado, então que haja prova suficiente para condená-lo".
Quem também esteve ao lado dos pais foi Carina, a irmã mais nova de Rui Pedro. Em declarações à TVI, a jovem afirmou: “Espero acima de tudo justiça. Não esperamos vingança, mas alguma coisa que nos tire deste massacre.” Sobre o facto de ter tido que encarar Afonso Dias na sala de audiências, a jovem estudante de Medicina desabafou: “É difícil, porque todos os indícios dizem que ele é o culpado de eu não ter um irmão neste momento e dos meus pais não terem um filho, de faltar um elemento na nossa família.”
O julgamento prossegue na próxima terça-feira, dia 22, quando será ouvido o primo de Rui Pedro, João André. Caso fique provada a acusação de rapto qualificado, Afonso Dias arrisca-se a uma pena que pode chegar aos dez anos e oito meses de prisão.

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