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Diane von Furstenberg: “Tornei-me uma mulher poderosa, a mulher que sempre quis ser”

Aos 64 anos, a estilista tem uma energia invejável e diz que isso se deve ao seu amor pela vida e curiosidade pelo mundo. Diane esteve em Portugal e conversou com a CARAS.

Inês Mestre
1 de novembro de 2011, 19:35

Diane von Furstenberg, de 64 anos, é um dos grandes nomes da moda internacional. Nascida em Bruxelas, na Bélgica, filha de uma judia que esteve nos campos de concentração, Diane começou por criar roupa nos anos 70, depois de se ter casado com o príncipe alemão Egon von Fürstenberg. Apesar de não ter necessidade de trabalhar, Diane queria ser financeiramente independente. Foi nessa altura que criou o famoso vestido traçado. Uma peça simples e elegante que se tornou um ícone e revolucionou o mundo da moda, transformando o seu negócio num verdadeiro império.
Ao divorciar-se, em 1972, perdeu o título de princesa, mas continuou a usar o nome pelo qual era conhecida. Deste casamento resultaram dois filhos, Alexander, de 41 anos, e Tatiana, de 40, dos quais tem três netos: Talita, de 12 anos, Antonia, de 11, e Tassilo, de dez.
Foi depois de divorciada que a estilista encontrou o homem da sua vida, Barry Diller, um magnata da comunicação social com quem namorou nos anos 70. Barry e Diane separaram-se ao fim de cinco anos, mas reencontraram-se e casaram-se em 2001.
Depois do sucesso alcançado nos anos 70, as décadas de 80 e 90 trouxeram um ritmo mais brando a Diane von Furstenberg, que viu o seu negócio entrar num certo declínio. Há 12 anos relançou o seu nome e tem estado no topo desde então. A estilista esteve em Portugal para o lançamento do seu perfume, Diane.
– O que podemos encontrar neste perfume?
Diane von Furstenberg –
As mulheres esqueceram como um perfume pode ser importante e poderoso, por isso quis criar um novo clássico, um perfume com o poder de se tornar viciante e que faça as pessoas lembrarem-se da mulher que o usa. Este perfume sou eu e pus neste frasco todo o meu conhecimento, sabedoria, paixão, amor e truques de sedução.
– É uma mulher sedutora?
Já não! Pelo menos não seduzo da mesma maneira, sou uma mulher mais velha, sou avó... Mas é engraçado: quando não queremos seduzir é quando seduzimos melhor!
– E é uma mulher poderosa?
Tornei-me uma mulher poderosa. Quando comecei a trabalhar não sabia o que queria fazer, mas sabia que tipo de mulher queria ser. E consegui tornar-me essa mulher. Aconteceu quando estava a fazer coisas para outras mulheres. E, ao mesmo tempo, ajudei-as a tornarem-se as mulheres que elas queriam ser. Por isso, tem sido, desde o início, um diálogo muito honesto e real entre mim e as mulheres. A minha vida é dar poder às mulheres, é isso que eu gosto de fazer, é isso que sei fazer. Faço-o através da minha roupa, das minhas palestras e do meu trabalho filantrópico. A minha paixão e missão na vida é fazer com que cada mulher se torne a mulher que sempre quis ser. É essa a mensagem em tudo o que eu crio. As roupas, malas, sapatos, são para serem práticos e sedutores, mas também para dar poder à mulher que os usa.
– Sei que não quer fazer cirurgias plásticas. Gosta das suas rugas?
– Não particularmente! A verdade é que prefiro ser quem sou, pois sei quem sou, a tentar ser algo diferente. Tenho medo disso.
– O seu vestido traçado continua a fazer sucesso ao fim de 40 anos. Surpreende-a?
É surpreendente e estranho ao mesmo tempo! Mais estranho agora do que quando o criei. Tinha 25 anos quando fiz aquele vestido e foi um sucesso estrondoso que me permitiu fazer dinheiro e ser independente. Há 12 anos recomecei o meu negócio com o mesmo vestido e isso é incrível. Mulheres como Michelle Obama, Ingrid Betancourt ou Madonna usaram-no em ocasiões muito especiais. É estranho e incrível, não tinha ideia nenhuma de que isto iria acontecer.
– Tem uma longa história de amor com o seu marido, Barry Diller...
– Sim, há 36 anos apaixonámo-nos loucamente. Estivemos juntos durante cinco anos e separámo-nos porque eu tinha outras coisas para fazer e queria muito ser independente. Mas ele esteve sempre presente e há dez anos decidimos casar-nos. Agora percebo que ele sempre foi o homem da minha vida.
– Acredita no destino, que há coisas que têm de acontecer?
– Acredito, mas também acho que temos de prestar atenção ao destino. Se não estivermos atentos, há portas que se abrem e oportunidades que surgem que podemos perder.
– Como é a sua relação com os seus filhos?
– Ótima, somos muito chegados. Fui mãe aos 22 e aos 23 anos e sempre tive crianças à minha volta.
– Por falar em crianças, como é ser avó?
– É fantástico! Adoro os meus netos, eles são maravilhosos! Mas o que eu mais gosto no facto de ser avó é ver os meus filhos enquanto pais e perceber que eles ouviram tudo o que eu lhes disse, mesmo quando eu achava que eles não estavam a ouvir.
– É uma mãe orgulhosa...
– Muito orgulhosa! Os meus filhos são o meu melhor trabalho.
– O que aprendeu com a sua mãe?
– Que o medo não é uma opção. E eu vivo a minha vida assim.
– Então, não tem medo de nada?
– Claro que tenho medo que alguma coisa aconteça aos meus filhos e netos... Mas o medo não é uma opção. O medo é um grande obstáculo.
 

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