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Cláudia Vieira: "Não há nada que ponha em causa o amor que sinto pelo Pedro"

Na ficção, a atriz dá vida a uma personagem dividida entre dois amores. Na vida real, em contrapartida, encontrou no ator Pedro Teixeira o seu porto seguro.

1 de novembro de 2011, 15:13
Sempre fui de me perder com qualquer coisa que surgia, embarcar e me deixar levar e viver um momento e depois outro...”Cláudia Vieira diz isto de uma forma tão natural que se torna quase desconcertante. Ainda hoje, mesmo com um rumo cuja meta já tem definida, vai-se aventurando nos vários percursos para lá chegar, mas agora com os pés muito mais assentes na terra. Esta mudança deve-se à filha, Maria, de 18 meses, a quem a atriz é de uma dedicação extrema. O ator Pedro Teixeira completa o círculo de amor e é ele que faz a atriz acreditar que uma relação pode ser eterna. Mas se na vida real Cláudia Vieira, 32 anos, vive com estas certezas, na ficção está a experimentar um triângulo amoroso com Ângelo Rodrigues e José Fidalgo, na pele da Maria Mayer da novela Rosa Fogo, da SIC. Estes e muitos outros assuntos fazem parte das cenas desta conversa em que Cláudia mostrou o espelho de si mesma.

– Os papéis que interpreta influenciam a sua maneira de ser?

Cláudia Vieira – Até aqui isso nunca aconteceu, mas também nunca tive uma personagem que admirasse tanto. Por isso acredito que vai acabar por me influenciar. É um risco que corro, porque existe uma entrega grande e estou completamente disponível para a personagem.

– Ao ponto de poder vir a prejudicar a sua vida pessoal?

Não. Sinto que não vai causar estragos na minha vida, não me vai perturbar ao ponto de trazer consequências, porque acho que sei diferenciar as coisas.

– Foi exatamente a contracenar com o Pedro que se apaixonou por ele. Não poderia acontecer-lhe o mesmo agora?

Não sinto que haja espaço em mim para isso. Eu e o Pedro temos a nossa vida extremamente bem resolvida, temos muita sintonia, respeitamo-nos muito e somos bastante imunes a interferências exteriores. As cenas que gravei na Argentina foram de uma paixão tal que quem as viu achou que eu e o José Fidalgo – que já conheço há bastante tempo e é uma pessoa que me põe totalmente à vontade – tínhamos uma química enorme. Desempenhei essas cenas com toda a intensidade necessária, mas o meu coração está preenchido. Sinto que a minha vida emocional está completa e realizada. Temos as nossas discussões, como qualquer casal, temos momentos em que estamos chateados, mas não há nada que ponha em causa o nosso amor. Esse lado está de tal forma resolvido que o viver a personagem desta forma tão intensa não perturba em nada...

– O Pedro não tem ciúmes de a ver contracenar com dois homens tão bonitos?

O Pedro também está a contracenar com uma rapariga muito bonita! [risos] Claro que quando sabemos que a pessoa de que gostamos passa muitas horas com pessoas interessantes, há sempre lugar para uma pontinha de ciúme, mas é um ciúme saudável.

– O facto de se terem apaixonado na fic-ção pode trazer mais inseguranças... 

Percebo o que quer dizer, mas a verdade é que quando nos conhecemos, nos Morangos com Açúcar, estávamos disponíveis para nos apaixonarmos. Agora só estamos disponíveis um para o outro.

– Acha que se paga um preço muito alto por aparecer todos os dias no ecrã?

Acho que o foco está muito em nós, qualquer pessoa, entendida ou não, opina. Tenho de ter a capacidade de andar para a frente e de pensar se vale a pena valorizar alguns desses comentários. Já estou habituada e sei que não agrado a toda a gente, principalmente porque cheguei à representação vinda da moda. Tenho de estar sempre a prestar provas do que valho. A minha entrega tem de ser realmente gigante.

– Para onde é que gostaria que a sua carreira evoluísse?

Gostava de ter um porto seguro neste meio, de ser altamente disputada para mil e um projetos...

– Ter uma estrela no ‘passeio da fama’, portanto...

[risos] É isso... Gostava que a minha qualidade como atriz me permitisse que nunca me faltasse trabalho. Mas este meio não é assim. Há alguma instabilidade. De qualquer forma, a minha dedicação vai ser gigante, total!

– Mas sente que já a levam a sério en-quanto atriz?

Sinto que fui construindo isso. Nos Morangos era apenas mais uma a tentar a sorte. Foi o melhor para começar, fiz muita asneirada, representava muito mal, mas ali era aceitável que isso acontecesse. Nos projetos seguintes já não era tolerável cometer os erros que cometi. Mas não estou minimamente arrependida, foi uma excelente escola, acabou por definir um bocadinho o meu percurso de vida e sinto-me grata por isso.

– Há três anos que não fazia novelas. Estava com saudades?

Estava realmente com muita vontade de voltar à representação e terem-me dado a Maria Mayer foi um presentão, porque ela é uma mulher de princípios, com garra, cheia de atitude, muito intensa, correta, apaixonada, e estas são características com as quais me identifico e que admiro nas pessoas.

– Tem as características da Maria? Há alguma que gostaria de ter?

Também sou extremamente apaixonada. A determinação dela, eu não tenho. Agora começo a ser mais determinada, acho que foi uma das mudanças que a maternidade me trouxe. Sempre andei à deriva, a viver o momento e a saborear as oportunidades que iam surgindo. Hoje sei o que é certo para mim, o que quero fazer para o resto da minha vida, a dedicação que vou dar quer à apresentação quer à representação. Mas não era uma característica que eu tivesse. Quanto à força, considero-me forte, mas penso sempre muito se estou a magoar as outras pessoas. Deixo muita coisa por dizer. Para não me incomodar e não me chatear, ignoro em vez de reagir. Já a minha personagem é muito mais direta, respeita a sua própria opinião acima de tudo.

– Entretanto, o trabalho como modelo tem ficado para segundo plano...

Têm surgido alguns convites, mas para trabalhos durante a semana, o que é incompatível com as gravações. E ao fim de semana tenho de curtir muito a minha Maria, tenho de curtir muito o meu Pedro. Às vezes custa-me dizer que não a coisas que gosto de fazer, mas preciso de cuidar de mim. O meu tempo de descanso está a ser altamente beliscado.

– Mas a moda dá algum dinheiro...

Sim, os trabalhos mais bem pagos são os das campanhas publicitárias, mas não há preço que pague eu abdicar da Maria e do Pedro. No entanto, há exceções. Se numa semana conseguir passar algum tempo com eles, então talvez possa abdicar de umas horas para poder agarrar uma ou outra campanha.

– Certamente há outros projetos pessoais que também acabam por passar para segundo plano... Não lhe dá que pensar?

Claro que sim. Sempre quis dar irmãos à Maria com uma diferença de idades pequena, de cerca de dois anos, mas para isso teria de engravidar dois meses antes de terminarem as gravações, portanto já pondero adiar...

– Tenta compensar a Maria pelas suas ausências?

É verdade que me questiono se devo ou não fazer-lhe as vontades todas ao fim de semana. Mas acabo por não o fazer. Zango-me quando é preciso, refilo quando é preciso e preocupo-me com o facto de ela poder vir a ser uma menina mimada. Estabelecer regras é uma tarefa que exige muito, é mais difícil do que o deixar estar. Era mais fácil, quando ela chora, pegar-lhe ao colo e ela calar-se... Mas não sou muito assim. Faço de tudo para que a Maria seja uma menina feliz, mas com regras. Brazelton, um psiquiatra e pediatra norte-americano que adoro, escreve no livro A Criança e a Disciplina que “os pais não podem esperar qualquer espécie de gratidão por parte dos filhos até que estes experimentem as alegrias e os desafios de educarem os seus próprios filhos. As crianças sem regras não se sentem amadas”.

– Dizia-me antes de iniciarmos esta conversa que tanto a Cláudia como o Pedro são pessoas extremamente desorganizadas. Como é que organizam a vida da Maria?

[risos] É um desafio, porque isso requer que nos tornemos organizados, e tem sido muito difícil... Temos a noção de que ela precisa de ter horários, de ser organizada, mas tem sido uma luta... Se estamos a ser capazes? Não, ainda há muita coisa para pôr em dia. Era genial se um de nós fosse metódico e organizado, mas não, somos os dois caóticos!

– Tem tido muitos momentos altos na sua vida. Quais destacaria?

– Profissionalmente, os Morangos com Açúcar, a peça Saia Curta e Consequências, que foi extraordinária, a campanha que fiz para a Triumph, com a qual alcancei o auge, e esta fase, pois está a ser muito gratificante. Pessoalmente, tenho de destacar de novo os Morangos, onde conheci o Pedro, o amor da minha vida, a pessoa com quem quis ter filhos, com quem quero ter mais filhos e que quero ter ao meu lado. Depois, saber que estava grávida foi um pico de adrenalina, porque queríamos muito. Um momento de muita emoção foi ouvir o coração da Maria pela primeira vez. Indescritível, foi o nascimento dela. Destaco também o nascimento dos meus sobrinhos, que adoro como se fossem meus filhos.

– E há espaço para conflitos interiores?

Claro que sim. Tenho momentos de desorientação total e acho que não consigo fazer nada, não consigo ser a mãe, a mulher e a amiga que gostaria de ser. Há umas quantas pessoas que estão constantemente presentes no meu pensamento e com as quais não queria perder o contacto, mas inevitavelmente faço-o. Os verdadeiros amigos compreendem, mas as relações acabam por sair beliscadas. Porque entre o estar extremamente ocupada e o ser extremamente desorganizada, acabo por ser ausente... Depois, há outros que me dão provas de amizade gigantes e eu sinto que não estou à altura. Irrita-me um bocadinho o meu deixar para depois...

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