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Amor Electro: "Ter sucesso nunca foi uma prioridade para nós”

Ricardo Vasconcelos, de 32 anos, Rui Rechena, de 45, Marisa Liz e Tiago Pais Dias, ambos de 28, são os elementos daquela que muitos consideram a banda revelação do ano.

Inês Mestre
27 de outubro de 2011, 17:15

Marisa Liz, Tiago Pais Dias, Ricardo Vasconcelos e Rui Rechena são amigos há cerca de dez anos. Depois de terem feito percursos diferentes na música e de um projeto de versões chamado Catwalk, surgiu um convite para gravarem um disco e decidiram criar algo novo. E parecem ter acertado em cheio. Os Amor Electro nasceram de uma vontade de mudança nas suas vidas e do desejo de fazer algo diferente e inspirador para eles próprios.
O álbum de estreia, Cai o Carmo e a Trindade, foi lançado em abril deste ano e em agosto já tinha vendido 10 mil unidades, dan­do à banda o seu primeiro Disco de Ouro. Em se­tembro surgiu outra surpresa, a nomeação para os MTV Europe Music Awards, na categoria de Best Portuguese Act.
Para o sucesso da banda tem contribuído o tema A Máquina cuja música foi composta por Tiago e a letra por Marisa. Uma equipa dentro e fora dos palcos, uma vez que a cantora e o produtor do disco e multi-instrumentista da banda estão juntos há cerca de oito anos e são pais de Beatriz, de três anos.
A CARAS quis conhecer me­lhor os elementos daquela que muitos consideram a banda revelação do ano.
– Como surgiu este amor?
Tiago Pais Dias
– Este projeto surgiu com base noutro mais antigo, de versões, chamado Catwalk. Começámos a ir a eventos e festas e as coisas começaram a resultar porque as nossas versões eram o mais descolado possível dos originais. Até que surgiu um convite da Valentim de Carvalho para fazer um disco de versões que acabou por se tornar um disco misto com temas originais. Mas acima de tudo é a junção de quatro amigos a fazer música pelo prazer de fazer música.
– Como se descrevem?
Marisa Liz – Quisemos juntar-nos os quatro para fazer algo que imaginamos não ser um projeto, mas sim uma banda e alguma coisa que se tornasse a médio/longo prazo uma carreira. E como disse o Tiago, somos quatro amigos a fazer música sem qualquer noção de risco ou de responsabilidade, no bom sentido, e desprovidos de qualquer tipo de preconceito. Fazemos música da forma que nos apetece e temos tido a sorte de as pessoas nos compreenderem.
– Para quem não conhece este álbum, como o definem?
– Acho difícil definir qualquer coisa e é ainda mais difícil de­finirmo-nos a nós próprios, porque às vezes nem nós sabemos! Precisamente por não querermos ter essa definição a nível musical ou a nível técnico é que decidimos chamar Amor Electro à banda. Porque temos uma parte mais quente, outra mais fria, tanto a nível pessoal como musical. E no nosso disco há canções que falam sobretudo de amor, com um quê de romântico sem preconceito nenhum, mas também um lado mais eletrónico e mais frio que temos como seres humanos e que transportamos para a música.
– Estavam à espera deste su­cesso?
Rui Rechena
– Toda a gente gosta de ser bem recebida, mas ter sucesso nunca foi uma prioridade nossa. Sempre gostámos muito de música, mas essencialmente sempre gostámos muito uns dos outros e sempre nos demos bem. O sucesso nunca foi um objetivo.
Marisa – Nós vemos o sucesso como uma recompensa pelo nosso trabalho durante anos. Não foi algo que aconteceu do nada. Nós estamos neste meio há muitos anos e sabemos como é a vida em Portugal e nas artes. Estamos muito contentes por termos atingido o Disco de Ouro e por termos sido nomeados para o prémio MTV e isso traduz-se um bocadinho no sucesso que estamos a ter, mas acho que o nosso sucesso interior é continuarmos a fazer a nossa música e as pessoas continuarem a gostar.
– Mas sabe bem estarem no­meados para um MTV Europe Music Award...
– Sabe mais do que bem! Prin­cipalmente por ter acontecido cerca de cinco meses depois de o disco estar à venda. É um Natal antecipado! É um presente de que não estávamos à espera, tal como muita coisa que nos tem acontecido, mas que é muito bem recebido. Não vamos ser hipócritas e dizer que estamos na nossa vida e nos Amor Electro sem esperar que as coisas boas também aconteçam. Temos consciência do trabalho que temos tido, do talento que temos e das coisas que queremos fazer. Só não esperávamos que fosse tão rápido!
– A Marisa é mais mimada por ser rapariga?
Rui
– Como é óbvio, nós tentamos sempre proteger a nossa menina. É um elo diferente, não é o mais fraco nem o mais forte, mas diferente e tentamos sempre protegê-la, mas de certeza que ela também nos tenta proteger.
Marisa – Protegemo-nos todos uns aos outros. Nós somos os quatro aqui e quando estamos na estrada somos 12 e pensamos da mesma maneira. Como é óbvio, por ser mulher há coisas diferentes: por exemplo, eu tenho um camarim só para mim. Mas o curioso é que eles acabam sempre no meu! Somos quase inseparáveis.
– O Tiago e a Marisa são um casal. Como é trabalharem juntos na banda?
Tiago
– É a mesma coisa que trabalhar com o Rui ou o Ricardo. Tanto estamos bem como estamos mal. Já tivemos grandes discussões mas também já tivemos momentos brutais todos juntos.
– São mais críticos e mais duros um com o outro do que com o Rui e o Ricardo?
Tiago
– Acho que somos menos críticos entre nós do que com eles. Tem a ver com confiança, com o nosso historial.
 

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