Nas Bancas

Susan Sarandon: “Com a idade ‘encontramos’ a nossa voz”

Aos 64 anos, a atriz mantém a beleza intemporal e o charme irresistível, como se viu nesta visita ao Castelo da CARAS. Persistente na luta contra as injustiças sociais, continua a dedicar-se de corpo e alma à representação.

Redação CARAS
15 de outubro de 2011, 19:52

Elemento destacado da elite de Hollywood, Susan Sarandon mostra a mesma paixão ao vestir a pele de personagens complexas como ao cruzar o oceano para ajudar uma comunidade atingida por desastres naturais. A beleza é intemporal, o charme é avassalador e a voz rouca embala os sonhos de homens de todas as idades, ainda que prefira usar a palavra para lutar contra as injustiças sociais. Aos 64 anos, a atriz é uma mulher única e chegou ao Castelo de CARAS, nos arredores de Nova Iorque, revelando uma humildade surpreendente: “Que sítio tão bonito! Tenho uma casa de campo na região, mas nunca imaginei encontrar um castelo tão perto de Manhattan. Estou honrada e agradecida pelo convite de CARAS.”
Estrela de filmes que fazem parte da história do cinema como Thelma e Louise (1991) e A Última Caminhada (1995), que lhe deu o Óscar de Melhor Atriz, a norte-americana já interpretou todo o tipo de personagens, mas confessa-se fã de vilãs. Na vida real, divide-se entre os papéis de mulher, atriz, ativista e mãe de Eva, de 26 anos (da sua união com o realizador Franco Amurri), de Jack, de 22, e Miles, de 19, estes do casamento com o ator Tim Robbins, que terminou em 2009.
– Sabe que é um exemplo de uma mulher poderosa?
Susan Sarandon – Obrigada. Acho que temos de abraçar a nossa maneira de ser de forma diferente da dos homens, não é preciso cometer os mesmos erros para chegar ao poder. Como mães, precisamos de criar os nossos filhos, meninos e meninas, da mesma forma. Feminismo é uma palavra às vezes usada com sentido negativo. O correto é ter os homens como aliados! Se tratarmos o nosso filho de maneira diferente ou se o nosso marido nos desautoriza frente ao nosso filho, ele um dia fará o mesmo quando for adulto.
– Também costuma receber elogios por ser ativista. Quando surgiu essa paixão?
– Cresci numa época em que os problemas eram latentes e as notícias nas revistas, TV e jornais não eram tão controladas pelos lobbies. Havia imagens impressionantes do Vietname, eu estava na faculdade em Washington quando Martin Luther King foi
assassinado... O mundo vivia uma revolução e nós acreditávamos que podíamos mudar as coisas. Era a época da libertação feminina, do ‘sexo, drogas & rock’n’roll’. A injustiça sempre me incomodou. Sou a mais velha de nove irmãos, não era rebelde, não tive namorado até entrar na faculdade. Casei-me com o primeiro homem com quem tive sexo. Tornei-me ativista antes de ficar famosa. Com espaço nos meios de comunicação, fez ainda mais sentido usar a minha voz. Só porque nos tornamos celebridades não quer dizer que devamos parar de exercer o nosso papel de cidadãs. Ensinemos uma criança a ler, reciclemos, atuemos na nossa comunidade!
– Vê-se como ícone de beleza?
– Quando eu era nova, Barbarella [Jane Fonda] era a imagem que vendia, mas eu via mulheres como Silvana Mangano, que não tinha uma beleza clássica popular nos EUA, e pensava: “Que sexy que ela é!”. Eram mulheres que pareciam dizer ‘sim’ à vida. São as imperfeições que nos fazem ser quem somos, que nos dão personalidade. Eu nunca me vi como uma beldade, mas sim como uma atriz. Talvez por isso a passagem dos anos tenha sido mais fácil. Ficamos mais velhas e ‘encontramos’ a nossa voz, ficamos menos confusas, mais tranquilas e fortes ao mesmo tempo. Isso é atraente para muita gente.
– Os anos parecem não passar por si...
Bette Davis dizia que “envelhecer não é para os fracos”. É difícil, sim, especialmente quando nos vemos num ecrã gigante! Temos de nos focar no nosso interior, esta é a beleza que vai durar verdadeiramente. O corpo, aos poucos, vai trair-nos se não aceitarmos as mudanças. Fico doida ao ouvir jovens de 20, 30 anos a queixarem-se das coxas, dos braços!
– Qual é o segredo para manter o “glamour” na passadeira vermelha?
– Não sou assim tão glamorosa! Primeiro, procuro looks para quem tem peito, seja Donna Karan, Diane von Furstenberg ou Lila Rose. Gosto de coisas que sejam alternativas e surpreendentes, mas não muito. Não mudo o guarda-roupa a cada estação, tenho peças que adoro e conservo durante anos.
– Já guardou o guarda-roupa de algum filme seu?
– Às vezes acontece o contrário: uso peças minhas. Mas fiz um filme com o Richard Gere, Arbitrage, ainda inédito. Éramos ‘muito ricos’ e usei algumas peças de caxemira italiana que quis guardar.
– No cinema, é melhor ser heroína ou vilã?
– Vilã, sempre! Quando podemos dizer e fazer coisas que jamais faríamos na vida real é mais divertido. O Capitão Gancho é mais interessante que o Peter Pan! [risos]
– O que procura nos guiões?
– Gosto do novo. Tem de me emocionar, mesmo que não seja através da minha personagem. Ajuda se o elenco traz grandes atores; se o realizador é uma pessoa que admiramos. Se somos pagos, melhor ainda! Mas é raro conseguir tudo ao mesmo tempo... [risos]
– É verdade que guarda o seu Óscar na casa de banho de casa?
– Sim, com ‘amigos’ como o prémio SAG. Os meus filhos dizem que é a “casa de banho dos famosos”.
– A sua filha casa-se este mês com o ex-jogador de futebol Kyle Martino. Está pronta para ser sogra e, quem, sabe, avó?
– Sim. Fui mãe tarde e disse-lhe para esperar pelo menos um ano antes de começar... Só quando temos filhos é que compreendemos o tempo que precisamos de lhes dedicar.
 

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras