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Susana Félix: "Crise é quando se perde alguém que se ama"

Aos 37 anos, a cantora concretizou alguns sonhos mas não abdica de ter sempre outros.

Manuela Silva Reis
6 de outubro de 2011, 12:20


Susana Félix
sempre foi inconformista: cedo soube o que queria e cedo começou a trabalhar para alcançar o sonho. Quando o alcança, pensa noutro e é assim que o seu mundo avança, quer profissionalmente quer na vida que partilha com o marido, Renato Júnior, músico que integra a sua banda. Agora concentra-se na promoção de Procura-se, o primeiro disco intencionalmente pop “e o mais alternativo”, garante. E é isso que nos explica aproveitando as motivações deste álbum que, apesar de não ter sido feito a pensar na crise em que o país está mergulhado, assenta que nem uma luva a esta fase em que todos procuram alternativas.
– De que é que a Susana anda à procura?
Susana Félix – Procuro algo de novo e não quero nunca perder a capacidade de procurar e descobrir. Quando fazemos discos, eles não são feitos para nós, e o que eu faço neste disco é convidar quem me ouve a fazer a sua procura. O ponto de partida para este disco foi a minha necessidade de procurar novos caminhos, até mesmo na vontade de preencher a vida com outras coisas que, até aqui, não tinha vivido dentro da minha carreira. Neste momento vivemos uma fase em que todos  precisamos de fazer esse exercício, de encontrar alternativas, porque tudo mudou, o mundo mudou, a realidade é outra.
– Não acha que, nos dias que correm, as pessoas estão incapazes de acreditar que podem ser felizes?
– Porque acham que não têm alternativas, porque não foram ainda à procura delas. Temos sempre alternativas. A única coisa de que precisamos para viver bem, como seres humanos, é ter valores e convicções inabaláveis, depois, precisamos de um teto e de comida. Nós não precisamos, como acreditámos durante imenso tempo, de adquirir muita coisa. O dinheiro passou a ser menos e temos de nos agarrar a outras alternativas, muito mais importantes para nós.
– Quer dizer que as pessoas vão reencontrar-se com um passado em que davam mais valor ao que esqueceram?
– Claro, mas para isso é preciso procurar. Fiz este disco numa altura particularmente difícil, em que perdi muita gente importante na minha vida...
– O seu pai e o amigo António Feio...
– E mais gente que não vou especificar. Crise é quando se perde quem se ama, tudo o resto conseguimos resolver. Este disco não dá muitas respostas, mas tem muitas perguntas.
– É um disco esperançado!
– A única coisa que podemos fazer para ir em frente é ter um mínimo de esperança e de fé.
– Uma psicóloga espanhola diz que a ilusão que queremos recuperar é a felicidade...
– Claro. É como diz o single de promoção do disco, o tema Bem-vindo: “Conta-me a história do bandido/que a alma não sente o perigo/faz-me querer que o mundo é aqui”.
– Mas há uma outra letra muito biográfica: “A vida às vezes cai sem permissão/sem pena de negar explicação (...) Fui mais do que podia querer.” E a explicação é...?
– Quer dizer que fui mais do que eu, fui mais do que o espelho tem vindo a dizer, ou seja, nós somos muito mais do que aquilo que achamos que somos. As crises servem para descobrirmos que somos muito mais fortes. As letras foram escritas por mim, num disco esperançado, sim, mas que fez parte de um processo de andar para a frente. Tenho uma amiga que diz: “Eu não procuro saber porquê, procuro saber para quê.” E todo este ano menos fácil foi o meu “para quê”, e este disco é a continuidade disso. Temos de nos reenquadrar e vamos ter coisas a ganhar com isso. Não vamos jantar fora tantas vezes, mas vamos poder redescobrir o grande prazer de ter os amigos em casa, redescobrir a hipótese de partilhar coisas.
– Foi importante casar-se, depois de 12 anos a viver com o seu agora marido?
– Gostei muito de me casar. Não o tínhamos feito antes por falta de tempo. Primeiro foi o Renato que me pediu em casamento, há muitos anos, e depois fui eu. Gostei muito de poder reunir os meus amigos, as pessoas com quem realmente queríamos estar. Casar foi uma partilha, foi o confirmar do nosso amor.
 

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