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José Ferreira: “A Cláudia é o diapasão da nossa família”

Há oito anos, a filha do treinador Jesualdo Ferreira e o filho do médico João Décio Ferreira, ambos médicos dentistas, trocaram a agitação de Lisboa pela tranquilidade do Algarve. Garantem que os filhos têm ali outra qualidade de vida.

Inês Mestre
5 de outubro de 2011, 10:54

A harmonia e cumplicidade entre José Manuel Ferreira e Cláudia Ferreira sente-se à medida que vamos falando com o casal. Juntos há 11 anos, os médicos dentistas têm uma relação de sucesso que passa pelo amor, compreensão e partilha de ideais de vida, de tarefas domésticas e de trabalho. José, de 40 anos, filho do cirurgião plástico João Décio Ferreira, e Cláudia, de 35, filha do treinador de futebol Jesualdo Ferreira, trabalham juntos na Clínica de Pêra, da qual são proprietários, e dizem que precisam de passar muito tempo juntos. Pais de Margarida, de oito anos, e de Manuel, de quatro, José e Cláudia mudaram-se de armas e bagagens para o Algarve quando Margarida era recém-nascida e hoje não podiam estar mais satisfeitos com essa decisão.
Como se conheceram?
Cláudia Ferreira – Através da Zulmira [Ferreira], a mulher do meu pai. Ela gostava muito do Zé e apresentou-nos. Nós acabámos por nos encontrar na faculdade e, mais tarde, eu ia a Londres, ela convidou-o para ir comigo e foi aí que começámos a namorar. Não descansou enquanto não conseguiu o ‘arranjinho’! Mas resultou, estamos juntos há 11 anos.
E que balanço fazem?
José Manuel Ferreira – O tempo passou num instante, o que é assustador. Queremos envelhecer juntos, só queríamos que não passasse tão depressa!
Qual é o vosso segredo?
– Quando nos conhecemos fundimos os nossos gostos e hábitos, mas a nossa maneira de estar, de lutar pelas coisas e de encarar a vida sempre foram iguais. Além disso, os nossos feitios complementam-se: eu tenho o mau e ela o bom! Somos almas gémeas e foi uma sorte termo-nos conhecido. Às vezes penso que há quem viva a vida toda sem ter essa sorte. A Cláudia é o diapasão da nossa família, pois tem a sapiência de uma pessoa de 80 anos num corpo de 35. É ela quem marca o compasso cá em casa.
O José é romântico...
Cláudia Muito, mas eu não sou nada!
Continuam tão apaixonados como no início da relação?
José Todos os anos tiramos 15 dias de férias a dois e fazemos um balanço da nossa relação. Este ano, mais uma vez, concluímos que gostamos cada vez mais um do outro e que seria muito difícil vivermos um sem o outro.
– Sentem necessidade de ter tempo só para os dois?
– Sim, porque com os filhos temos menos tempo disponível um para o outro.
– Que tipo de crianças são a Margarida e o Manuel?
Cláudia – São bastante vivaços e amigos, mas irmãos típicos: às vezes aborrecem-se, mas depois não podem estar um sem o outro.
José – A Margarida é muito carinhosa, mas mais fechada e sensível, pensa muito nas coisas. O Manuel é um relações-públicas, na rua toda a gente o conhece.
– Como funcionam enquanto família?
– Como uma família moderna. Não há papéis definidos, dividimos as tarefas. Claro que há coisas que a Cláudia faz porque tem uma sensibilidade diferente, como escolher as roupas, forrar os livros ou passar uma tarde a pintar. Eu prefiro contar as histórias à noite ou levá-los a andar de bicicleta. Mas umas vezes ela leva-os à escola e eu faço o pequeno-almoço, outras é ao contrário.
São uma boa equipa?
– Sim e isso é outra razão pela qual nos damos tão bem. Quando as coisas no dia-a-dia correm mal, vão-se criando atritos.
Estão no Algarve há oito anos. Como decidiram vir?
Cláudia – Tínhamos um amigo que morava cá e estava sempre a dizer que tínhamos de vir. Falava maravilhas do tempo, da qualidade de vida...
José – Eu estava a tratar de um negócio que acabou por correr mal e a Cláudia estava grávida, por isso decidimos começar de novo e achámos que vir para o Algarve era ouro sobre azul.
Porquê Pêra? É uma grande diferença sair da capital para uma vila...
– Nós queríamos ter o nosso negócio e aquele amigo disse-nos que aqui não havia nenhuma clínica dentária. No mesmo dia vi o espaço para a clínica e aluguei uma casa. Foi como se tivesse de acontecer.
Qual é a melhor parte de viver no Algarve?
– Aqui as coisas são mais honestas, há um contacto muito direto e humano entre as pessoas. Aqui vive-se. É uma palavra vaga, mas a que melhor define como se está no Algarve. Só quando se vem para cá é que se percebe que em Lisboa não se vive, sobrevive-se. O Algarve é amor e Lisboa é interesse. Em Lisboa há tudo, mas acabamos por não ter tempo para ir a lado nenhum com o tempo que passamos no trânsito.
Cláudia – E depois há os pacientes que vêm cá a casa oferecer uvas, figos, pão acabado de fazer ou pedir uma receita. Outras vezes somos nós que vamos levar coisas. É muito agradável.
E a pior parte?
- José – O verão! Quando nos trazem de volta a vida que tínhamos em Lisboa! O encher dos supermercados, as filas nas praias, nos cinemas, no trânsito... É nessa altura que nos lembramos por que viemos para cá.
Cláudia – Também custa estarmos um bocadinho mais longe da família, dos amigos...
José – Sim, faz-me falta alguns dos bons amigos que tenho em Lisboa. Mas quando a família e os amigos vêm cá ficam em nossa casa e acabamos por passar mais tempo com eles do que quando estávamos em Lisboa.
 

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