Nas Bancas

De férias em Porto Santo, Joe Berardo fala da operação que o fez perder 20kg

O comendador, de 67 anos, garante ter deixado de ter diabetes e colesterol graças à operação e aos seus novos hábitos alimentares.

Joana Carreira
11 de setembro de 2011, 11:46

É um dos homens mais ricos de Portugal e, mesmo nos momentos de maior ansiedade ou incerteza quanto ao futuro, garante nunca ter perdido o sorriso ou o otimismo. "Temos que saber usufruir da vida, que é curta, podemos ir de um momento para o outro... Por isso, para quê chatearmo-nos?", afirmou, durante esta entrevista à CARAS, concedida enquanto gozava o seu período de férias junto da família, em Porto Santo. Alguns minutos de conversa durante os quais explicou o que mudou na sua vida desde que, há dois anos, se submeteu a uma nova técnica da medicina na área da diabetes, aplicada no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, no Brasil, à qual recorreu por sofrer de diabetes, colesterol, tensão alta e gota.

Joe Berardo
Joe Berardo
João Paulo Martins
- Para estas fotografias, optou por usar uma camisa branca, quando é conhecido o seu hábito de se vestir de negro...

Joe Berardo -
Usei a camisa branca porque estou de férias. Mas agora vou voltar ao preto, porque, infelizmente, a cultura vai atravessar mais dificuldades. Portanto, tenho de continuar a mostrar o meu luto pelo pouco que se faz pela preservação da cultura.


- O que gosta de fazer quando está de férias?

- Gosto de mar, embora já não tenha muita pachorra para estar a apanhar sol o dia todo. Gosto de ver filmes, gosto de ver o que se passa pelo mundo e de estar bem informado, mas quando estou de férias é, basicamente, para estar junto da minha família.


- Então passam todos férias em Porto Santo?

- A minha família reúne-se em Porto Santo todos os anos. É o lugar ideal, primeiro para os meus filhos, agora para os meus netos, porque as águas são muito brandas, e eles gostam muito, andam de fato de banho o tempo todo.


- Aparece nas fotos a segurar um taco de golfe. Joga golfe?

- [risos] Não, foi só para a fotografia! Não tenho o vício do golfe. Tenho o vício da cultura. Não se pode ter os vícios todos!

Joe Berardo
Joe Berardo
João Paulo Martins
- Segundo li em entrevistas anteriores, não é grande adepto do exercício físico...

- Gosto muito de andar a pé. Ando, pelo menos, uma hora por dia, embora tenha perdido um bocado este ritmo por causa da operação, mas já esteja a retomar.


-
Foi operado há dois anos. Na altura perdeu 18 quilos. Entretanto, parece ter perdido mais alguns...

- Exatamente. Perdi 20 quilos e tenho mantido o peso desde então. Foi fantástico. Tive que adotar uma vida nova e mudar a alimentação - como muito menos, mas o suficiente - e sinto-me muito bem, porque tinha diabetes e colesterol, e desapareceu tudo. Foi a adaptação a uma nova vida, mas gostei muito.


- Aconselharia essa operação aos seus amigos?

- Muitos já lá foram. A operação não é difícil, dura apenas três horas, mas têm que se mentalizar que têm de comer e beber menos.


-
Foi nessa altura que se apercebeu de que não era imortal, que teve uma maior noção do limite da vida?

- Quando tinha 24 anos, estava na África do Sul, e disse para mim próprio: 'Se eu morrer hoje, morrerei como o ser humano mais satisfeito e feliz do mundo inteiro.' Ainda ando aqui, com 67 anos! Portanto, eu tenho muito a noção de que quando se nasce, nasce-se com vida, quando se vai, nem a vida se leva.


- O que é que tinha acontecido para dizer isso aos 24 anos?

- Comecei a trabalhar muito cedo, fui para África do Sul com 18 anos, foi muito duro. Depois, a vida foi melhorando, fui para Joanesburgo, onde passava os meus dias a trabalhar e a dançar em clubes noturnos, tinha carro... Portanto, uma pessoa que vinha de famílias humildes, que passou a ter muito dinheiro, bens materiais, miúdas que o adoravam, o que é que poderia querer mais? Hoje sei que as coisas materiais se podem tornar um problema. E se tenho muitas coisas ligadas às artes, foi pela preservação da cultura, que é um dever do ser humano.

Joe Berardo com Luís Miguel Sousa e António Henriques
Joe Berardo com Luís Miguel Sousa e António Henriques
João Paulo Martins
- Tem noção do número de objetos de arte que possui?

- Estou a preparar uma exposição na Aliança Underground Museum, da maior coleção de estanhos do mundo. Pertencia à família Leitão, que colecionou estes objetos durante cerca de 50 anos, e eu, há 19 anos, comprei-a. Tinha tudo empacotado e andava há muito tempo a pensar como é que ia expor aquilo, que é um símbolo muito português. Acabámos por encontrar

uma solução e iremos inaugurar a exposição em breve. Só aí estão quase 700 peças em estanho.


- É disléxico. A dislexia tem sido uma barreira ou, pelo contrário, tem sabido fazer dela um atributo?

- Na minha maneira de ver, e na de
Bill Gates
ou de diversos presidentes da América, a dislexia faz-nos ver as coisas de uma perspetiva diferente. Eu não considero a dislexia uma deficiência, mas sim uma qualidade da pessoa, que vê aquilo que os outros não veem. Por exemplo, quando vejo uma mulher, há pessoas que olham e comentam o facto de ser magrinha ou gordinha demais. Eu comento sempre a parte positiva, seja a cor dos olhos ou o corte de cabelo, ainda que, por exemplo, tenha as unhas mal pintadas! Devemos salientar as coisas boas da vida, e o português é muito negativo. Os jornais só falam de más notícias! Ainda bem que existe a CARAS, que, pelo menos, nos dá notícias de coisas bonitas e alegres. Já chega de desgraças.


- Deixou de constar do Top 10 das personalidades mais ricas de Portugal. É uma notícia que o entristece ou desvaloriza?

- Para mim, isso não significa nada, não me dá alegria nem tristeza. Porque é que eu hei de estar triste se saí do
Top
10? Eu nem mereço estar nesses lugares!

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras