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Gonçalo Diniz: "Entre mim e a Juliana não há conflitos nem inseguranças"

Por motivos profissionais, o ator mudou-se para o Brasil. Foi lá também que se apaixonou por Juliana, 30 anos, publicitária, com quem vive um amor feliz.

Cristiana Rodrigues
4 de setembro de 2011, 16:54


Há um ano e meio, Gonçalo Diniz viajou para o Brasil, a convite do Festival Internacional de Teatro de Angra (FITA), com o monólogo Como me Tornei Estúpido e, mais uma vez, acabou por ficar. É que esta não foi a primeira vez que o ator, de 39 anos, filho de pai português e mãe brasileira, se mudou para o Brasil. O mesmo já tinha acontecido em 1995, altura em que integrou o elenco da novela Malhação, a que se seguiu Xica da Silva. Só depois disso Gonçalo tentou a sorte em Portugal, onde participou em inúmeras séries e novelas. Agora vive em São Paulo, onde é atualmente diretor artístico da Ser em Cena, uma instituição sem fins lucrativos cujo objetivo é ajudar a reabilitar afásicos (pessoas com perturbações ao nível da linguagem, em resultado de uma lesão cerebral, como acidentes vasculares cerebrais, traumatismos cranianos e tumores cerebrais), promovendo a sua integração na sociedade através da expressão dramática. Um contacto com uma realidade que desconhecia e que tem sido uma grande lição de vida. No Brasil, Gonçalo voltou também a ter projetos pessoais: depois de alguns amores fracassados, apaixonou-se novamente, vivendo com a publicitária brasileira Juliana Shikama, de 30 anos, uma relação longe dos holofotes.
Para a CARAS, deixou-se fotografar ao lado da namorada, mas foi parco em palavras sobre este relacionamento. Preferiu dar primazia à experiência solidária que tem feito dele um ser humano mais completo.
- Em São Paulo passa despercebido ou já conhecem a sua faceta pública?
- Aqui sou Gonçalo Diniz, o desconhecido [risos]. Estou como milhões de pessoas, a batalhar por uma carreira.
- E lida bem com o anonimato?
- Poder entrar num autocarro ou no metro sem me abordarem é muito bom. Quando somos conhecidos e saímos à rua, usamos quase que uma máscara adequada ao 'estatuto' de figura pública... Aqui, as pessoas gostam de mim pelo que sou e aproximam-se de mim pelo que sou e não porque sou ator e apareço na televisão. Vivo bem com o anonimato.
- Já tinha vivido no Brasil e resolveu voltar. Porquê?
- Vim para participar num festival internacional de teatro e resolvi ficar. Tenho casa no Rio, mas acabei por vir morar para São Paulo e recomeçar. Com a diferença que o estou a fazer com 20 anos de experiência.
- E já está a trabalhar na sua área?
- Como dizem aqui no Brasil, estou correndo atrás... Estou a apresentar-me da melhor maneira, tenho um agente muito bem cotado aqui e tenho feito testes para muitas produtoras, acredito que vão surgir muitas propostas.
- Mas, entretanto, aventurou-se num novo projeto...
- Sim, sou diretor artístico de uma ONG onde dou aulas de teatro a pessoas que perderam a fala e esta, sim, é uma experiência!
- Um trabalho completamente diferente do que estava habituado a fazer...
- Sim, e inclusivamente 'corro o risco' de ser o diretor da ONG durante os próximos dez anos. Eles gostam do meu trabalho e eu estou fascinado. São pessoas que não falham. Vêm de longe, algumas vivem a uma hora e meia de São Paulo, e estão lá sempre.
- Está a dar-lhe muito prazer...
- Tem sido uma lição de vida. São pessoas que renasceram, que passam emoções. E quantas mais emoções eu encontro nestas pessoas, mais cresço como ser humano.
- Passou a dar mais valor à vida?
- Estes casos eram-me muito distantes. Por exemplo, quando vemos uma pessoa com o lado direito todo afetado, a andar torta, o nosso sentimento em relação a essa pessoa é: 'Coitado!' Tenho um aluno dentista e sabe sete línguas, que aos 24 anos sofreu um aneurisma cerebral, ficou com um buraco na cabeça e anda numa cadeiras de rodas. Agora só sabe dizer: "É bom demais, é muito bom..." No entanto, é uma pessoa que sorri o tempo inteiro, que está feliz. Depois, há outros alunos que falam igualmente mal e que dizem: "Sou muito grato a Deus." Perante isto, comecei a ver a vida de outra forma, dou-lhe um valor completamente diferente...
- Era uma realidade distante, essa?
- Era. As pessoas vivem muito da ostentação e não é isso que nos sustenta. O que sustenta é o amor, é a verdade, é o carinho.
- Parece estar a ser uma vivência muito gratificante...
- Sim e o mais engraçado é que eu perguntei-lhes que personagem gostariam de interpretar. Cada um disse o que queria ser e eu escrevi a peça a pensar nesses papéis. Há a construção do texto e depois a direção de atores, que não são atores e que têm as suas próprias limitações. Saio daqui realizado e o caminho para casa é feito a pensar no que é realmente importante na vida.
- Entretanto, voltou também a ter projetos pessoais...
- Sim, conheci a Juliana e vivemos juntos. Ela é uma ótima pessoa... Não quero alongar-me muito sobre este assunto, mas posso dizer que o que gere o nosso relacionamento é a confiança, a confiança e a confiança. Temos uma relação ótima e saudável. Somos os dois muito trabalhadores e respeitamos o espaço um do outro. Não temos conflitos, inseguranças ou ciúmes.
 

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