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Carla Salgueiro: "Vivo de emoções e gosto de ter amarras afetivas"

A atriz tornou-se conhecida do público quando apresentou o 'Clube Disney', na década de 90. Mais tarde, conduziu o 'Curto-Circuito', tornando-se depois uma cara assídua na ficção nacional.

Redação CARAS
4 de setembro de 2011, 11:57

Aparentemente, Carla Salgueiro é uma mulher serena, que quer apenas desfrutar, sem grandes euforias, dos momentos que a vida lhe oferece. Contudo, no seu íntimo a atriz vive no meio de um turbilhão criativo que tanto se pode refletir num papel que interpreta como num quadro que pinte ou numa peça de mobiliário que decida restaurar.
Carla gosta de mudanças e não tem medo de descobrir a mulher que se vai revelando nas várias fases da sua vida, sejam elas muito positivas ou nem por isso. A atriz, que começou por dar os primeiros passos profissionais na área da moda e posteriormente na apresentação, diz que representar é o que quer fazer o resto da vida.
Foi sobre o que faz de si uma mulher feliz que Carla Salgueiro falou com a CARAS num fim de tarde passado no Meco.
- Não estamos habituados a vê-la de cabelo curto...
Carla Salgueiro - Cortei o cabelo pelos ombros no início do ano e agora, com a chegada do verão, fiz este corte. Sempre usei o cabelo comprido, mas apeteceu-me mudar e não estou nada arrependida.
- As mudanças não a assustam?
- Gosto de mudanças... Mudar faz-nos bem.
- Em que fase da sua vida é que está?
- Estou numa fase em que continuo a descobrir-me. O verão para mim é uma altura ótima para transformar objetos, voltei a desenhar a carvão, a pintar e estou a descobrir outros dons. Quero conhecer-me melhor. E gosto muito de fazer coisas que me dão prazer. Quando pinto, por exemplo, vejo logo ali a concretização de um objetivo e isso dá-me aquela sensação de realização. Também fiz recentemente um CD com o maestro António Victorino d'Almeida. Fizemos um improviso, ele ao piano e eu com os poemas de Fernando Dias Ferreira. Nunca me tinha imaginado a dizer poesia, ainda para mais em sintonia com um músico.
- Parece que tudo aquilo que a realiza tem a ver com arte e com criação...
- Sinto que estou numa fase muita criativa e isso reflete-se em várias coisas. Gosto de dar o meu toque pessoal a tudo aquilo em que me envolvo e tenho uma necessidade muito grande de criar. Preciso de extravasar a minha criatividade de várias maneiras.
- Além de ser uma pessoa criativa, que mais pode dizer sobre si?
- É tão difícil falar sobre mim... Sou uma pessoa apaixonada pela vida e pelas pessoas que fazem parte do meu dia-a-dia... Sou apaixonada pelos meus silêncios, pelo meu espaço... E gosto de apreciar os momentos, como ir à praia no inverno ou estar numa esplanada a sentir a brisa no rosto.
- Acredito que a Carla de hoje seja muito diferente daquela que se tornou conhecida como apresentadora...
- Completamente! Acima de tudo, amadureci enquanto profissional e mulher. Comecei pela moda, depois fiz uma personagem em Telhados de Vidro, passei para a apresentação e apaixonei-me pela arte de representar. Hoje sei que adoro a minha profissão e que é isto que quero fazer para o resto da minha vida. Quero ser melhor a cada papel que faço. Depois, também me tornei uma mulher mais serena. Hoje sinto uma serenidade que não tinha aos 20 anos.
- E sente-se uma mulher mais completa?
- Sem dúvida. Sinto-me muito mais segura e sei que ainda tenho muito para dar.
- É uma pessoa ambiciosa?
- Cada projeto é um desafio. E quando quero muito uma coisa, corro atrás dela. E a vida só faz sentido com esta atitude. Sou uma lutadora. Sinto sempre uma sensação de insatisfação, de querer mais. E enquanto atriz posso experimentar muitas personalidades que nada têm que ver com a minha e que me mostram muitas coisas diferentes daquelas que vivo no meu dia-a-dia.
- Tem tido uma vida fácil ou já teve de mostrar muitas vezes esse lado mais guerreiro?
- O salgueiro é uma árvore que, perante a adversidade, dobra, mas não parte. Quando acontece uma coisa menos boa, claro que mexe comigo, mas tento logo perceber o que é que posso aprender com toda a experiência. Tento ver sempre o lado positivo. Também me queixo... Sou forte, mas tenho o meu lado frágil. Se a vida fosse toda da mesma cor seria muito aborrecida. E com o tempo aprendi a relativizar.
- O casamento ou o ser mãe fazem parte dos seus objetivos? 
- Não é um sonho... Mais do que casar-me, penso na questão de ser mãe... Gostava muito.
- Mas sente a urgência de concretizar esse desejo?
- Houve uma fase em que sentia muita vontade de ser mãe, depois as coisas tornaram-se menos intensas. Trazer uma vida a este mundo é uma grande responsabilidade. É uma questão que não me atormenta.
- Há um tempo para tudo...
- Sim. Volta e meia gosto de ir para fora para viver outras experiências e se já tivesse filhos de certeza que não teria a mesma facilidade ou liberdade que tenho sem eles... As coisas não acontecem por acaso.
- Gosta de se sentir livre, de não ter amarras?
- Vivo de emoções e gosto de ter amarras afetivas, acho fundamental para o meu equilíbrio. Valorizo bastante os afetos e sinto-me uma pessoa muito amada, independentemente de ter alguém especial ao meu lado, que é uma questão sobre a qual não gosto de falar para salvaguardar a minha privacidade.
- E que amarras são essas?
- São afetos... Gosto de ter boas amizades já com vários anos e de saber que há pessoas com quem posso contar sempre. Há quem tenha medo de estar sozinho... Eu não. Gosto muito da minha companhia, mas também já cheguei à conclusão de que o ser humano não foi feito para viver isolado. Ganhamos muito quando partilhamos a nossa vida com os outros.
- Mas tem alguém especial na sua vida?
- Não quero mesmo falar sobre isso.
- Sente-se realizada a todos os níveis?
- Sim, estou feliz com a minha vida.
- Participou num telefilme recentemente. Vai ter tempo para férias?
 - Sim, vou ter tempo para descansar. Apetece-me muito fazer uns dias de praia e quero ficar por Portugal. Também é ótimo poder desfrutar do sossego de Lisboa em pleno mês de agosto.


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