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Fernanda Serrano: "Mesmo se o mundo ruir, em minha casa tudo é cor de rosa e sereno"

A atriz não ignora os problemas e a crise, mas tenta defender a infância dos filhos dessa dura realidade.

Redação CARAS
31 de agosto de 2011, 11:44

Apaixonada, feliz e de bem com a vida, Fernanda Serrano, de 37 anos, é também uma mulher atenta à realidade que a rodeia. Ou seja, preocupada com todos os problemas que afetam o mundo em que vivemos.
E se dentro de sua casa tenta manter um clima "cor-de-rosa" que proteja a inocência da infância dos seus três filhos - Santiago, de seis anos, Laura, de três anos e meio, e Maria Luísa, de 23 meses -, a atriz não deixa de ter a noção de que terá de os preparar para o futuro incerto que os espera. Esse foi um dos temas abordados numa conversa que tivemos com Fernanda, que é embaixadora do Alentejo, durante um fim de semana que passou em Santiago do Cacém depois de terminadas as gravações da novela Sedução. Dias em que usufruiu da companhia dos filhos e dos pais. Só o marido, Pedro Miguel Ramos, de 40 anos, não esteve presente, pois ficou retido em Lisboa por questões profissionais.
- O Alentejo faz habitualmente parte dos seus roteiros?
Fernanda Serrano - Sinto-me em casa em qualquer parte do Alentejo e fico sempre muito satisfeita quando tenho de trabalhar na região. 'Quimicamente' falando, sinto-me muito bem aqui, gosto muito de usufruir da planície alentejana, do nada, do silêncio.
- Precisa desse silêncio e de por vezes estar sozinha?
- Muito, mas é raríssimo ter os meus momentos, já que no trabalho estou rodeada de pessoas e em casa também não estou sozinha, nem sequer a dormir [risos]. Mas estou a trabalhar nesse sentido, pois já percebi que é necessário.
- Três anos depois, como foi voltar ao trabalho?
- Foi um regresso tranquilo e sereno, pois era algo muito esperado. Tenho uma boa estrutura familiar, que me dá suporte para que tudo seja feito com tranquilidade. Está tudo muito organizado em casa e isso deixa-me totalmente disponível para o trabalho, o que é essencial.
- Neste fim de semana o Pedro não veio, mas os seus pais estão presentes. Presumo que o apoio deles também seja indispensável para o bem-estar familiar...
- Sem dúvida. Temos o hábito de fazer estes fins de semana em família, embora desta vez falte um elemento... Mas quando o Pedro não pode vir, fazemos-lhe sempre umas surpresas quando voltamos. Nunca temos uma rotina na nossa vida, nunca sabemos onde vamos almoçar, quantos somos, e gosto dessa falta de hábitos.
- E estar sozinha com os seus três filhos é fácil?
- Agora já vai sendo mais fácil. Não é uma tarefa plena de calma [risos], mas adoro desfrutar dos meus filhos. O 'kit' completo é estarmos todos juntos sempre, com os banhos, os jantares, as dormidas... Estar com eles, no sentido lato da palavra.
- Com o regresso ao trabalho, sente que vai perder alguma coisa do crescimento deles, em especial da Maria Luísa, que é mais pequena?
- Não sinto que possa vir a perder muito, pois o primeiro ano de vida, que é aquele em que muita coisa acontece, eu estive na totalidade com ela. E acompanhei três anos da Laura em casa. Depois, os meus tempos de lazer são totalmente feitos com eles. Ser mãe é muito generalista, é trazê-los ao mundo, cuidar deles, amá-los, educá-los, observá-los, namorá-los, percebê-los... É saber através do olhar o que pensam, o que querem, os amigos de que mais gostam, as brincadeiras e cores favoritas. Eu fui criada assim, com esse cuidado, atenção, disponibilidade, carinho e amor.
- Nota-se que tem um grande sentido de família...
- Sim e tenho a família escolhida por mim. Somos muitos e existe um sentido de entreajuda que acho muito necessário. Hoje em dia as pessoas estão de costas voltadas umas para as outras e perdem muito por isso.
- Qual dos seus três filhos é o mais parecido consigo?
- Talvez a Laura... Tem um sentido de humor muito engraçado, não é uma criança muito fácil, mas parece que a conheço há mais tempo do que ela existe. É bom reconhecermo-nos as duas. Sei o que ela pensa apenas com o olhar, estamos muito bem e muito tranquilas. Não somos somente mãe e filha, quando estamos juntas, estamos em sintonia e repletas de serenidade. Desfrutamos muito uma da outra. Eles são os três muito meigos, mas existe uma qualquer ligação... Ouvimos sempre dizer que por mais que amemos de forma idêntica os vários filhos que possamos ter, às vezes existem ligações diferentes e eu sinto isso. E no entanto o Santiago é o meu príncipe. É o mais regrado e obediente dos três. Para fechar o ciclo, a Maria Luísa é a que tem o génio mais difícil, mas tinha mesmo que vir, pois também é uma criança muito especial. Amo-os a todos de forma incondicional.
- Tornou-se diferente com a maternidade?
- Não sei... Sempre tive um instinto maternal e quem me conhece há vários anos diz que já sabia que eu iria ter muitos filhos, pois foi algo de que sempre falei. Sempre foi uma coisa desperta em mim e que é tão boa...
- Parece hoje uma mulher serena e de bem com a vida...
- Julgo que isso teve mais a ver com a idade, pois aos 20 anos somos muito sôfregos, queremos conquistar o mundo e provar tudo e a todos. Aos 30 temos maior discernimento e sabemos mais o que queremos e não queremos, arriscamos mais, mas em menos frentes, não nos cansamos tanto e desfrutamos mais de todos os momentos. Acho que aos 20 era muito cansativa, falava muito, tinha muitas ideias, queria estar em muitos sítios com muita gente e agora não, não quero estar em muitos sítios, não quero estar com muita gente, não quero falar muito... Agora só quero fazer o que me apetece, estar onde quero e com quem quero. E isso é um luxo...
- Com três crianças, não faltará animação em casa...
- Muita animação. Mas faz-nos bem ter essa agitação em casa, pois é uma agitação boa, diferente da exterior. É a nossa agitação, a que gerámos e até nos apetece ter.
- Em casa partilham tarefas?
- Eu e o Pedro gerimos tudo muito bem em casa, mas também sabemos que os momentos a dois são importantes.
- E conseguem?
- Sim, escapamo-nos muitas vezes, também graças aos avós, que são indispensáveis e a melhor instituição mundial. São fantásticos e não há ninguém como os avós para cuidar dos nossos filhos.
- Ter vencido um cancro não a tornou receosa, no sentido de haver a possibilidade de não estar sempre junto deles? Sentiu necessidade de os preparar mais rapidamente para o mundo e para a vida?
- Não, nem nunca pensei dessa forma. Tenho preocupações latentes, em relação à sociedade em que vivemos, mas não, nunca nessa perspetiva, pois não farei nada diferente do que faria se não tivesse passado por essa fase na minha vida. Mas já é uma tarefa muito árdua prepará-los para o mundo, pois as pessoas nunca pensam no dia de amanhã e isso é perigoso e assustador. Tenho uma visão muito focada no âmbito familiar, penso nos filhos e netos, e assusta-me a má gestão mundial. Estou receosa em relação a esta crise mundial, à escassez de recursos naturais, às falhas humanas em áreas como a energia nuclear... Era muito otimista, mas estou a ficar cada vez menos. Preocupa-me o futuro dos meus filhos, pois há, efetivamente, uma possibilidade de um não futuro. Ninguém acorda! Fala-se sobre tudo, mas por pouco tempo, e depois tudo se perde, tudo se esvai... As pessoas ficam chocadas com o que veem, mas depois desligam a televisão e continuam as suas vidas como se nada fosse.
- Educa os seus filhos para que não se tornem pessoas assim?
- Não quero que sejam esse tipo de pessoas, mas também não quero que sejam uns 'totós' e se sintam desenquadrados da realidade. Quero que estejam preparados para se defender, pois isso é muito necessário, mas que sejam capazes, úteis, válidos e disponíveis. E o difícil é encontrar esse equilíbrio. Quero muito que eles ainda estejam envolvidos no mundo cor-de-rosa da infância, pois têm que ter esses momentos, não quero que avaliem já a realidade, e quanto mais tempo conseguir protelar isso, melhor. Tento promover coisas boas, felizes, sonhos, programas em família, dar os bons dias ao dia...
- A crise que se vive em Portugal já mudou alguma coisa na sua vida, nos seus hábitos?
- Mudou, apesar de sempre ter sido uma pessoa conservadora, no sentido em que a minha educação nunca foi baseada na ostentação e na má gestão, pelo contrário, sempre fui orientada para gastar apenas uma parte da remuneração, fosse ela qual fosse. Habituada a poupanças, para os 'sustos' possíveis numa vida familiar. Dar prioridade a uma boa alimentação e educação em vez de roupas e tontices supérfluas. E assim me tenho mantido e isso mesmo tenho passado na educação dos meus filhos.
- Eles têm noção de quem é a mãe?
- [risos] Não. Acham que o trabalho da mãe é igual ao de todos, mas acham estranho as pessoas saberem o nome deles e conhecerem-nos.
- E como se explica isso a crianças pequenas?
- Explico que tenho um trabalho com uma exposição diferente: a mamã trabalha na televisão, as pessoas veem e gostam, logo, sabem que a mamã tem filhos e os seus nomes. Ainda são pequenos para dar mais explicações. [risos]
- Quando tem de estudar algum papel, como funciona em casa?
- Primeiro trato deles e depois, quando vão para a cama, pego no trabalho. A prioridade é a minha família. Fiz um balanço na minha vida. Houve um investimento total durante dez anos na minha carreira e depois resolvi desacelerar e focar as minhas energias no campo pessoal. Não foi automático, tudo decorreu dentro da normalidade.
- Pode dizer-se que a sua vida é como a das novelas, onde tudo parece perfeito?
- Até tenho medo de falar sobre isso. [risos] Não existem coisas perfeitas, mas conseguimos manter a nossa sanidade mental. É óbvio que, como muita gente, andamos ali no meio da chuva, mas tentamos esquivar-nos das gotas de água. Vivemos para a família e para nós, logo, estamos mais protegidos das supostas adversidades exteriores.
- Essa forma de vida foi natural?
- Sim, completamente, e foi muito bom termos descoberto isso logo no início da nossa relação. Nunca nos preocupámos com o que dizem ou com o que possa vir escrito na imprensa... Decidimos os dois que iríamos acreditar na pessoa que está ao nosso lado e jamais viveríamos de ecos. Nada disso é importante em comparação com a nossa família.
- Esse é o segredo para um casamento feliz?
- Não sei e lembro-me de fazer essa pergunta aos meus pais há muitos anos... Nunca os vi discutir e em nossa casa há uma dignidade latente, um respeito profundo. Não se perdendo isso e aceitando as opiniões diversificadas, tudo se torna mais fácil. Foi ótimo ter encontrado alguém que pensa como eu.
- Ter essa certeza traz um sabor de conquista?
- Acho que desfruto muito de tudo. Mesmo quando as coisas possam ser mais complicadas a nível profissional, em casa sei que está sempre tudo bem e disso não abdico. Não quero largar o que me faz muito mais feliz e mesmo se o mundo ruir, na minha casa tudo é cor de rosa e sereno. A segurança familiar e o amor em família é algo de que nem eu nem o Pedro pretendemos abdicar.
 

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