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Marcantonio del Carlo: "O difícil não é amar alguém, mas sim sermos cúmplices"

Casado há um ano com a atriz Marta Nunes e juntos há cinco, é com a mulher e a filha desta, Salomé, que se sente feliz.

Joana Carreira
30 de julho de 2011, 10:40

Para o grande público em geral, Marcantonio del Carlo, de 45 anos, é conhecido pelos papéis que representa em televisão. Mas o ator é ainda encenador, escritor e professor universitário. Assoberbado em trabalho - divide-se neste momento entre a sua participação na novela da TVI, Remédio Santo, a divulgação da edição em livro do espetáculo Figuração Especial e a tournée da peça A Cor do Sol -, Marcantonio dedica todos os momentos livres à mulher, a atriz Marta Nunes, de 30 anos, e à filha desta, Salomé, de nove anos, como nos disse numa conversa que decorreu entre livros, no espaço Ler Devagar, no LX Factory.

- É muito bom quando uma peça se torna imortal através de um livro...
Marcantonio del Carlo -
Este projeto partiu de uma vontade minha e do João Didelet e foi todo muito bom. Nunca pensámos que chegasse onde chegou, que se transformasse em livro e muito menos na possibilidade de ser um guião de cinema.

- A peça A Cor do Sol, escrita por si e na qual trabalha com a sua mulher e o Cristóvão Campos, poderá seguir o mesmo caminho?
- Para já é muito divertido trabalhar com a Marta e com o Cristóvão, que pouca gente conhece pelo seu lado musical, e foi ele que tratou de todas as músicas da peça. Depois, tivemos uma agradável surpresa: até ao final do ano iremos a Timor com esta peça.

- Com tanto trabalho, não há com certeza tempo para férias...
- E ainda bem que assim é. De qualquer forma, aqui e acolá vamos sempre arranjando um tempinho em família.

- O Marcantonio e a Marta partilham a mesma paixão pela representação. Isso aproxima-vos?
- Eu e a Marta já somos como aqueles casais velhinhos dos bancos de jardim. Damo-nos muito bem, a cumplicidade é diária, contínua. O difícil não é amar alguém, mas sim sermos cúmplices. Mas acho que se endeusou um pouco a figura do ator em Portugal. Somos pessoas como outras quaisquer e temos os mesmos problemas que qualquer casal, a nossa única diferença é a exposição pública. No dia-a-dia, acho que até somos mais chatos do que as outras pessoas, tem-se é tendência a 'glamourizar' a vida dos atores.

Marcantonio del Carlo
Marcantonio del Carlo
João Lima

- Mas o Marcantonio e a Marta sabem gerir bem essa parte pessoal e profissional...
-
Acho que só quem for tolo é que não sabe. Se não se quiser ser apanhado em determinadas ocasiões, não se proporcionam. Na minha opinião, esse tal
glamour
deve ser resguardado, pois caso contrário as pessoas cansam-se. Eu não resguardo a minha vida por uma questão de snobismo, mas simplesmente porque a minha vida pessoal é realmente privada. Não posso é estar nesta profissão e dizer que não falo da minha vida com a Marta, porque se assim fosse teria de escolher outra coisa para fazer. Acho que quando se vive com esta consciência é tudo mais tranquilo.


- Apesar de já estar com a Marta há cinco anos, só se casaram há um. Como tem sido?

-
Maravilhoso, como já era antes. O casamento é um pró-forma social que todos acabamos por fazer e, sinceramente, não traz nada de novo. Para a Salomé é que foi lindo e acho que ela se divertiu mais do que todos nós.


- Apesar de se sentir pai da Salomé, o próximo passo será a paternidade?

-
Não sei, logo se vê. Não temos pressa e se acontecer, aconteceu. As crianças são todas muito bonitas quando são pequenas, quando entram na idade da Salomé tem de se estar sempre presente e isso é tão envolvente que para já não nos faz pensar noutro.


- Como é lidar com o crescimento da Salomé?

-
É muito giro. Só é pena que ela gosta da
Shakira
! [risos] Por vezes, ponho-a a ouvir
jazz
. Há pouco tempo fizemos umas miniférias os dois, só pai e filha, e foi muito giro. Adoro quando me posso dedicar exclusivamente à Salomé.


- Sente que se tornou um homem diferente desde que elas entraram na sua vida?

-
Também. Até aos 40 anos era um tolinho. Depois disso, inevitavelmente, cresci. Ainda bem que elas só entraram na minha vida nessa altura, pois só aí estava maduro para as receber.

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