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Rogério Samora: "Já me apeteceu mudar até de nome. Tenho medo da rotina" (vídeo)

À boleia da personagem que interpreta em 'Casamento em Jogo', que está em cena no Teatro da Trindade, o ator falou de amor, casamento, mudanças e mostrou estar a viver uma fase serena.

Joana Carreira
11 de julho de 2011, 12:33

Estávamos à espera de um 'furacão', mas quem nos apareceu à frente foi um homem mais calmo, com menos ilusões, que se senta numa esplanada perto do Teatro da Trindade - onde está em cena com a peça Casamento em Jogo - e pede uma limonada. Rogério Samora, 51 anos, solteiro e de bem com a vida. Um casamento interrompido, algumas relações amorosas terminadas. A última que se lhe conheceu foi com a atriz Mafalda Pinto, 23 anos mais nova. Quanto a este relacionamento, o ator prefere ser parco em palavras. Por respeito, por fidelidade.
Rogério Samora, que assinou recentemente pela SIC, gosta de se apaixonar. Por pessoas, por cenas, por trabalhos. Neste momento está ligado a Jack, um homem casado há 30 anos que um dia regressa a casa e quer mudar tudo. Ele não quer acabar só com o casamento que vive com Gillian, a personagem interpretada por Cucha Carvalheiro, quer mudar toda a sua vida para poder voltar a brilhar... Na vida real já lhe apeteceu deitar a casa abaixo e construir tudo de novo.
Mas o melhor é 'ouvirmos' o que Rogério Samora tem para nos dizer acerca disso e de muito mais...

Rogério Samora
Rogério Samora
Mike Sergeant

- A sua personagem decide mudar de vida. Já chegou a casa com o mesmo sentimento?

Rogério Samora -
Já. Já me apeteceu mudar até de nome... Mas isso são fases. Já tive fases de angústia, de ansiedade, de questionar tudo, de querer deitar a casa abaixo e construir uma nova, se calhar para fazer tudo igual...


- Tem sempre a noção do que vai mal na sua vida, do que tem de mudar...

-
Não sei responder a isso e o que vou dizer pode parecer um disparate: vai tudo tão bem que o mal é absorvido pelo que vai bem. Neste momento, na minha vida nada vai mal.


- E se precisa de mudar alguma coisa é eficiente a fazê-lo ou leva algum tempo para agilizar o processo?

-
Levo muito tempo, profissionalmente, a construir uma personagem, mas sou muito prático e rápido na minha vida pessoal. Não posso adiar problemas e ficar em casa à espera que os meus problemas se resolvam sozinhos.


- Mas às vezes estamos tão inebriados pela nossa vida, com a falta de tempo até para pensar, que quando damos por isso já deveríamos ter mudado muita coisa e afinal ainda estamos na mesma... Não lhe acontece?

-
Sim, já me aconteceu muitas vezes. Tenho muito medo da rotina e mesmo que o meu quotidiano seja rotineiro, a minha profissão não o é e isso ajuda-me a viver. Cura, sara, faz-me bem. E também me distrai, tanto que às vezes distrai-me de coisas que acontecem no dia-a-dia e que podem ser muito cruéis


- A sua personagem vive um casamento de 30 anos. Nunca teve um casamento tão longo. Lamenta por isso?

-
Vivi um casamento de 14 anos... Não tive um casamento assim, não tenho pena de não ter tido. Um casamento de 30 anos só faz sentido e só pode existir se houver confiança, partilha, dedicação, carinho, amor, tudo aquilo que faz de nós pessoas felizes.


- Casou-se uma vez e não voltou a fazê-lo... Ficou traumatizado com a experiência de assinar papéis?

-
Não, não fiquei traumatizado. Só não o fiz porque não aconteceu.

Rogério Samora
Rogério Samora
Mike Sergeant

- Ou nunca mais encontrou ninguém com quem pensasse jurar amor eterno?

-
Talvez tenha encontrado e eu não tenha querido ou a outra pessoa não tenha querido.


- Talvez? Encontrou ou não?

-
Sim, acho que encontrei... Para mim não é muito importante o casamento. As coisas acontecem porque têm de acontecer.


- Já manteve uma relação por comodismo?

-
Não. Nunca na minha vida. Sou o anticomodista. Tudo o que para mim cheira a comodismo é quase entendido como uma morte anunciada. E nisso tenho algumas semelhanças com esta personagem. O Jack não diz à mulher que se vai embora porque tem outra. Ele não tem ninguém. Ele só se quer ir embora para se salvar.


- Na peça há violência física e verbal, o que é mais comum num casal do que muitas vezes imaginamos. Já teve uma relação assim?

-
Não, nunca tive. E não compreendo como é que há pessoas que por amor seriam capazes de se sujeitar a uma relação assim. Ainda bem que é mais comum do que imaginamos, é sinal que esses casos são denunciados.


- O que seria capaz de fazer por amor? Até onde seria capaz de ir?

-
Que pergunta! Por amor faz-se muita loucura, muita burrice, muita coisa bonita... com dinheiro ou sem. Já fiz muita coisa por amor!


- A última relação que teve foi com uma mulher mais nova, a Mafalda Pinto. Acha que a diferença de idades pode ser mais do que um tabu, um entrave à felicidade?

-
Não o entendo como um tabu, porque se as pessoas se amam, não é a idade que importa. Acho que no futuro a diferença de idades até pode pesar, mas tudo depende se uma das partes está disposta a abdicar ou não e ponto final.

Rogério Samora
Rogério Samora
Mike Sergeant

- Acha-se incapaz de manter uma relação?

-
Não, não me acho incapaz de nada. Talvez me isole, resguarde demasiado, talvez me defenda demasiado, talvez o meu trabalho me exponha tanto que tenho necessidade de estar sozinho. Talvez fuja das pessoas porque não quero estar sempre a falar do meu trabalho e é quase sempre inevitável e cansativo.


- Já viveu uma paixão ardente? Daquelas que quase nos cegam...

-
Não, acho que não! Bem, se calhar já vivi... Sou muito racional, não sou muito de cometer loucuras.


- E já alguma vez teve uma relação em que achasse que era para toda vida e arrepende-se de não ter conseguido mantê-la?

-
Nunca achei que alguma coisa era para toda a vida. Achar que alguma coisa é eterna é um enorme erro que cometemos.


- É egoísta nas relações?

-
Não. Para mim, primeiro está o bem-estar da outra pessoa! Devíamos ter na escola uma disciplina que falasse das relações...


- Mas isso poderia tornar-se aborrecido, sob pena de tornar as relações previsíveis...

-
Talvez tenha razão!


- Como lida com o fim das relações?

-
Como lido com outros fins: à minha maneira. Mas não tomo antidepressivos, nem calmantes, nem me tento suicidar.


- E passa-lhe depressa?

- Vamos mudar de assunto...

- Muito bem. A sua saída da TVI foi de facto como se disse? Que virou as costas e ignorou o contrato que tinha até julho deste ano?

-
Eu era um cidadão livre, sou e continuarei a ser. Há alturas na vida em que queremos mudar. Fechar ciclos, fazer cortes, iniciar outro ciclo e foi isso que quis fazer. Pedi a rescisão de contrato à administração, a mesma foi recusada, por isso não tive alternativa senão rescindir o contrato unilateralmente, o que não foi aceite. Depois, uma coisa que se deve resolver entre os envolvidos e se for preciso entre os respetivos advogados veio para hasta pública... Mas ainda bem que tomei essa decisão. O novo ciclo da minha vida na SIC tenho a certeza que vai ser brilhante. Gostei do desafio que me lançaram e vou-me dedicar a isso.


- Ficou desiludido?

-
Fiquei magoado. Por outro lado, passei a conhecer o verdadeiro rosto de algumas pessoas que até aqui desconhecia. Se alguém estiver comigo e não for feliz e se quiser ir embora, que remédio tenho eu senão aceitar. As pessoas são livres de ir à sua vida...

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