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Luísa Sobral: "Racionalizo as emoções, mas na música posso ser mais lamechas"

A artista começou a compor ainda na adolescência. Em Boston desenvolveu uma relação íntima com o 'jazz' e hoje, no seu disco de estreia, apresenta uma sonoridade única que dá ritmo às histórias que vive.

Joana Carreira
13 de junho de 2011, 10:22

Quando se entra no seu site oficial lê-se: "Luísa Sobral. Voz, guitarra, papel e caneta." Por outras palavras, podemos dizer que Luísa é uma rapariga de 23 anos que um dia sonhou que queria viver da música. Com apenas 13 começa a conhecer o mundo pela sua guitarra que dá ritmo às histórias de adolescente que vivia então. Dividida entre a paixão da representação e a música, a cantora opta pela segunda e vai para os Estados Unidos, mais concretamente para Boston, estudar. Ao seu lado, nos sonhos e nas saudades, Luísa teve sempre os pais e o irmão, "a parte mais importante da minha vida", diz.
Já depois de se "descobrir musicalmente", a cantora parte para Nova Iorque, onde vive a sua versão não do american dream, mas da american life. Entre as dificuldades de trabalhar de dia e atuar em restaurantes à noite, Luísa recebe o convite que sempre soube que ia chegar - gravar o seu próprio disco. The Cherry On My Cake apresenta-se agora como a cereja no topo da vida de uma cantora que continua a sonhar que um dia vai apaixonar-se para sempre, constituir a sua própria família, atuar nos palcos da Europa e viver em Paris.

Luísa Sobral
Luísa Sobral
João Lima
- Como é que a música entra na sua vida?

Luísa Sobral
- A música entra na minha vida desde que nasci, sempre ouvi música na minha casa, mas é aos 13 anos que aprendo guitarra e começo a compor.


- E para compor isola-se do mundo?

- Não sou de ficar só no meu mundo. Faz parte da minha musicalidade dar-me com várias pessoas para depois usar isso na minha música. Eu crio esses momentos só meus mesmo no meio das pessoas.


- Foi essa necessidade de ser do mundo que a levou a ir estudar com apenas 16 anos para os Estados Unidos?

- Primeiro fui fazer um programa de intercâmbio de estudantes e depois estive a estudar música durante quatro anos na Berklee College of Music, em Boston, onde me descobri musicalmente. Aprendi a comunicar com outros músicos e a expressar as minhas ideias musicais. Também conheci pessoas de todo o mundo.

Luísa Sobral
Luísa Sobral
João Lima
- Como é que geriu as saudades de Portugal e da família?

- Quando estava fora e vinha a Portugal, desligava o telemóvel durante três dias e ficava em casa a ver filmes com a minha família. E só depois é que falava com as outras pessoas. Era da família que tinha mais saudades. Sempre partilhámos tudo. Sei que quando fui para os Estados Unidos foi difícil para a minha mãe, porque fazíamos muitas coisas juntas... Cada vez mais percebo que a família é a parte mais importante da minha vida. A família constrói-nos enquanto pessoas e eu, a minha mãe, o meu pai e o meu irmão damo-nos muito bem.


- Quando foi para Nova Iorque, com 22 anos, sentiu que estava a viver o american dream?

- O
american dream
já tinha começado quando fui para Boston. Nova Iorque é uma cidade muito complicada. Ainda tentei viver da música, mas não conseguia e fui trabalhar para um café. Das 9 da manhã às 6 da tarde estava lá e depois tocava em restaurantes à noite. E se calhar é isso que acontece à maior parte das pessoas que vão à procura do
american dream
.


- Lutar pelos sonhos e ultrapassar dificuldades ajudaram-na a crescer mais depressa?

- Acho que sim. Quando estamos num sítio em que não conhecemos ninguém e temos mesmo de nos virar sozinhos isso faz-nos crescer. Tive de ter mais confiança em mim e perceber se era realmente aquilo que queria para mim.

Luísa Sobral
Luísa Sobral
João Lima
- E se já vivia lá fora, porquê voltar para Portugal e não arriscar logo numa carreira internacional?

- Eu estava lá e cantava em restaurantes, mas surgiu o convite da Universal e não quis recusar. Nos Estados Unidos tocava, mas não eram as minhas músicas e não tinha dinheiro para investir no meu projeto. E já tinha saudades de Portugal. Agora começar pelo nosso país não significa que queira ficar por aqui. Gostava de levar a minha música a outros países.


- As suas músicas contam as suas histórias ou as dos outros?

- Algumas são mais autobiográficas, outras não. As minhas músicas expõem uma parte de mim mais cómica e mostram o meu lado mais romântico, que é algo que não faço habitualmente. Só mostro a minha faceta mais sentimental nas músicas. É a minha maneira de pôr esse lado cá fora.


- Na vida é mais 'durona'?

- Sim, sou um bocadinho durona. Agora menos, mas continuo a ser. Sou muito racional e não me permito estar triste. Acho que tenho demasiada sorte para estar triste. Racionalizo as emoções, mas na música posso ser mais lamechas.


- E esse seu lado romântico reflete o desejo de casar-se ou de encontrar um amor para toda a vida?

- Sim, acredito nisso. Quero ter filhos, encontrar alguém... Mas ainda tenho 23 anos...

Luísa Sobral
Luísa Sobral
João Lima
- E namora ou agora a música é a prioridade na sua vida?

- Não sei... Agora não tenho muito tempo para isso. [risos]


- Decidiu, depois de um sonho da sua mãe, dar o título The Cherry on my Cake ao seu disco. Qual é a cereja no topo da sua vida?

- Agora é mesmo o CD. E é a música no geral. Sou uma pessoa com muita sorte. O meu bolo já é bastante bom, por isso a cereja só vem acrescentar mais coisas boas.


- A sua música de estreia chama-se Not There Yet. Onde é que quer chegar?

- Faço planos, mas nunca a longo prazo. Quando os fazemos começamos a ficar preguiçosos e não trabalhamos para isso. Tenho sempre objetivos anuais. O ano passado disse que quando fizesse anos, em setembro, queria ter um contrato com uma editora, e tive. Agora digo que em setembro quero ter concertos marcados na Europa. Luto mesmo por isso e assim estou sempre ativa. Nunca aconteceu não cumprir os meus objetivos. Mas se isto não funcionasse adaptar-me-ia a outro plano. Dentro da música há várias coisas que me podem fazer feliz.

Luísa Sobral
Luísa Sobral
João Lima
- Tem o sonho de ir viver para Paris. Porquê?

- Adoro Paris. Gosto da cidade em si, cheia de arte... Gosto do espírito que Paris tem.


- Hoje arrepende-se de ter participado nos 'Ídolos', que é um formato mais pop?

- Não e até acho piada. Já passou a fase de ter vergonha, porque via as minhas prestações e não gostava. Agora, até já olho com alguma nostalgia. Na altura eu era assim e tenho orgulho do que fiz. Claro que a banda que toca comigo goza, porque há vídeos meus a cantar a
Shakira
...


- Considera-se uma pessoa, ou artista, alternativa?

- Não e nem sequer gosto da ideia de música ou artistas alternativos. Todas as pessoas são especiais e únicas, logo alternativas.

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