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Johnny Depp está grato ao seu pirata Jack: "Devo ao capitão uma boa parte da felicidade que hoje tenho na minha vida familiar"

O capitão Jack da saga "Piratas das Caraíbas" reconhece que um dos seus maiores dons como ser humano e ator é a capacidade de olhar para o mundo com o olhar maravilhado das crianças.

Joana Carreira
4 de junho de 2011, 10:24

Às portas dos 48 anos - completa-os a 9 de junho - Johnny Depp mantém viva e em grande forma a criança que há em todos nós. Uma capacidade rara que o próprio considera uma das suas melhores características, como ser humano e como ator. Revelou-a cedo, em 1990, no papel do pueril protagonista de Eduardo Mãos de Tesoura, o quinto filme que fez e o que o consagrou. Desde então, nunca deixou de explorar essa faceta, como no excêntrico Willy Wonka de Charlie e a Fábrica de Chocolate, no Chapeleiro Louco de Alice no País das Maravilhas, no fantasioso criador de Peter Pan em À Procura da Terra do Nunca ou no irreverente capitão Jack em Piratas das Caraíbas.
Eleito o homem mais sexy do mundo pela revista People em 2009, Depp acaba de se tornar o ator mais bem pago do mundo, graças ao cachê de 24,5 milhões de euros que recebeu por Piratas das Caraíbas - Por Estranhas Marés, o quarto filme da saga, já em exibição entre nós. Ao todo, as quatro vezes em que vestiu a pele de Jack, a sua personagem favorita, renderam-lhe 70,5 milhões de euros. Motivo de sobra para estar grato ao seu pirata, pois foi com esse dinheiro que pôde comprar uma ilha nas Caraíbas, o seu refúgio preferido para uns dias de privacidade com a sua companheira desde 1998, a cantora francesa Vanessa Paradis, e os dois filhos Lily Rose, de 12 anos, e Jack, de nove. Depp, que adora ser pai, associa, por isso, o capitão a uma boa parte da sua felicidade familiar.
- É famoso por ter feito várias personagens outsiders. Ainda se sente deslocado no mundo?
Johnny Depp - Desde que me lembro, sempre me senti um outsider. Tenho más recordações do liceu e do controlo dos professores e já fiz filmes suficientes para saber que esta indústria é um mundo cão. Por isso é que acho tão irónico que os piratas, mesmo sendo perigosos fora-da-lei, fossem justos na partilha dos saques e das doses de rum, tinham o seu código de honra.
- Como é a sua relação com o capitão Jack?
- Adoro o capitão Jack! Gosto tanto de o interpretar que estou a tentar que tenha futuro. Fiz estes filmes sobretudo para os meus filhos, mas o público parece gostar tanto da personagem que sinto que ficaria desiludido se não fizéssemos mais nenhum filme. Acho que sou um glutão! Mas ter entrado nesta personagem durante uns bons anos, às vezes durante 12, 14, 15 horas por dia, durante meses a fio, é muito emocionante. Nem sequer sei explicar bem porquê, talvez tenha a ver com o facto de ele me permitir ser tão irreverente. E safar-me bem com isso! [risos]
- É uma das suas personagens preferidas?
- Sim, é a personagem mais interessante que já fiz e tenho imenso prazer em regressar a ela de vez em quando. Mas tenho que ter cuidado, para não entrar demasiado no "modo" capitão Jack quando estou num estado de espírito mais disparatado. Jack faz sobressair o meu lado subversivo. Ainda um dia destes, quando ia levar os meus filhos à escola, comecei a sentir o Jack a vir ao de cima e tive de me controlar.
- Consegue perceber qual é o motivo da popularidade dele, sobretudo junto do público mais jovem?
- Ele olha para o mundo com uma admiração pueril que não é analítica como a dos adultos, relaciona-se com o mundo com encantamento. Jack conseguiu manter intacto o gosto pela brincadeira e pela aventura.
- Mas você também parece ter essa forma de olhar o mundo...
- Acho que esse é um dos meus dons como ser humano e como ator. Sinto uma grande facilidade em entrar no mundo das crianças e na forma de pensar delas. Confio muito mais nas crianças do que nos adultos. A visão que têm do mundo é pura, não está ainda filtrada por toda a manipulação e distorção que nós, adultos, vamos acumulando ao longo da vida. E ter tido filhos abriu-me o mundo de novo a esse nível. Acompanhar o crescimento da minha primeira criança, a minha filha, fez-me redescobrir o mundo. E isso foi maravilhoso.
- Disse que viveu anos em guerra aberta com o mundo, mas que encontrou, finalmente, a paz de espírito...
- Na verdade, estava mais em guerra comigo próprio. [risos] Demorei algum tempo a descobrir o que é que queria da vida. Até que encontrei a mulher que me mostrou o que me faltava. Mas formar uma família, estar com os meus filhos, foi o que mais me acalmou. Eles tornaram-se o centro do meu mundo e isso relativizou tudo o resto. Nada me dá mais prazer na vida do que olhar para a Vanessa e para os meus filhos e perceber que eles são o meu mundo. É pura felicidade. E é por isso que me encanta ter a liberdade de viver como quero e de dar à minha família a melhor vida possível. Isso é o mais importante para mim.
- Alguma vez pensou no que teria sido a sua vida se não tivesse encontrado Vanessa Paradis numa noite de verão em Paris [quando rodava A Nona Porta]?
- Não me dou a esse trabalho. E nem sei explicar como é que as coisas correram tão bem. Como é que uma noite reparei na Vanessa sentada à mesa de um restaurante? Como é que nos sentimos tão feitos um para o outro? Adorei o facto de ela ser tão descontraída, de não usar qualquer máscara ou fachada, de não ser nada artificial. Apesar de ter muito sucesso e de ser muito conhecida, ela não se tinha deixado deslumbrar pela fama. Era uma pessoa muito doce e natural.
- Já falou várias vezes do impacto que ter sido pai teve em si. Continua a encantar-se com as alegrias da paternidade?
- Todos os dias descubro novos motivos de alegria. Nunca me canso de estar com os meus filhos ou de tentar que sejam felizes. Isso é instintivo em mim. A minha filha, o nascimento dela, deu-me vida. Ser pai é o que me define. Ser pai foi a melhor coisa que me aconteceu. Não há nada que se compare ao amor por um filho. Eu faria qualquer coisa pelos meus. E adoro ter a possibilidade de passar longas temporadas com eles, é maravilhoso vê-los crescer.
- Nas suas casas de França e das Bahamas consegue evitar a exposição que a fama implica?
- Consigo uma situação de compromisso. É claro que não posso fazer coisas como levar os meus filhos à Disneyland, mas temos um belo jardim na nossa casa do sul de França, onde eles podem brincar à vontade e eu posso ter um estilo de vida muito simples, dedicar-me às minhas flores e à minha horta, relaxar com um bom livro, saborear um bom vinho ao fim do dia. Não é uma vida difícil!
- Sabe quanto dinheiro tem?
- Sinceramente, não. Tenho pessoas que o gerem por mim e eu deixo-as fazer o seu trabalho. O dinheiro dá-me independência, privacidade e segurança, mas não tenho um estilo de vida luxuoso. Tirando o facto de me permitir comprar alguns vinhos caros e de ter uma ilha, que é o nosso paraíso privado e onde posso passar um dia inteiro sentado na praia, a ver os nossos filhos brincar e a apreciar o pôr do Sol. Ter uma ilha pode parecer-lhe extravagante, mas eu precisava de ter um local onde pudesse respirar, caminhar ou estar sentado à conversa sem ter alguém a fotografar-me.

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