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Quatro anos após o desaparecimento de Maddie, Kate McCann revela novos factos

A médica acaba de lançar um livro em que admite que a sua vida é condicionada por um constante sentimento de culpa.

Joana Carreira
20 de maio de 2011, 18:32

No dia em que Maddie completaria oito anos, o jornal The Sun lança o livro Madeleine, escrito por Kate McCann e no qual a médica anestesista - que entretanto deixou de exercer a profissão - admite que a sua vida desde então tem sido uma tortura. "De certa maneira, infligir dor física a mim própria parecia-me a única maneira de escapar à minha dor interior", escreve Kate, admitindo que o seu casamento com Gerry McCann esteve 'por um fio'.

Apesar de o médico ter sido muito compreensivo e tolerante durante estes últimos quatro anos - durante os quais Kate terá passado por uma profunda depressão, ainda não totalmente ultrapassada - Kate revela que se sentia de tal forma culpada pelo desaparecimento da filha que era incapaz de retirar qualquer tipo de prazer na vida, o que incluía ter relações sexuais com o marido. "Depois de me terem tirado a Madeleine, o meu desejo sexual caiu para zero", conta Kate, de 43 anos, assegurando que Gerry nunca a fez sentir-se culpada nem a pressionou, "Por vezes, até me pedia desculpa. Dava-me um grande e reconfortante abraço, dizia que me amava e pedia-me para não me preocupar", revela a médica, que, entretanto, recorreu a um psicólogo para a ajudar a lidar com este bloqueio mental.

Neste livro de 384 páginas, Kate descreve alguns pormenores relacionados com o desaparecimento da filha que nunca tinham sido revelados até agora. Ela admite, por exemplo, que a filha poderá ter querido chamar a atenção da mãe para algo estranho na manhã do dia em que desapareceu. Durante o pequeno-almoço, a criança, então com três anos, perguntou à mãe: "Porque é que não vieste ter connosco ontem à noite, quando eu e o Sean chorámos?". Olhando para trás, Kate acredita que esta poderia ter sido a sua "única oportunidade de ter evitado o que acabou por acontecer". E acrescenta: "Estraguei tudo". Segundo a médica, "em momento algum pensámos que pudesse haver uma explicação sinistra. Mas agora acredito que alguém esteve ou tentou entrar no quarto dos meninos na véspera do desaparecimento".

Kate McCann com os gémeos Sean e Amelie
Kate McCann com os gémeos Sean e Amelie
Newsteam
Este ponto é, aliás, o que faz com que a grande maioria das pessoas não sinta grande compaixão por Kate e Gerry McCann, mas sim por Maddie. Tivesse ela sido vítima de um rapto ou de uma morte acidental - não há indícios que provem a causa do seu desaparecimento - Maddie foi a grande vítima, uma criança inocente que sofreu por causa de duas pessoas que deveriam ter feito tudo para a proteger: os pais. Se Kate e Gerry não a tivessem deixado sozinha no apartamento da Praia da Luz, a tragédia poderia ter sido evitada. Com as novas revelações de Kate, percebe-se agora que ignoraram um alerta da filha para que não a deixassem a ela e aos irmãos,
Sean
e
Amelie
, sozinhos no quarto. Os gémeos tinham apenas um ano, Maddie tinha três...


Recorde-se que o desaparecimento de Madeleine McCann ocorreu na noite de 3 de maio de 2007, na Praia da Luz, onde a família passava férias. Tal como acontecera nas noites anteriores, Kate e Gerry deixaram as crianças sozinhas no apartamento ao início da noite, para irem jantar com o seu grupo de nove amigos num restaurante situado a cerca de 50 metros do apartamento. Segundo asseguraram posteriormente à po-lícia, os pais iam-se revezando nas verificações aos filhos, espaçadas em cerca de 45 minutos.

Neste livro da sua autoria, Kate refuta, ainda, as acusações de que o casal estaria alcoolizado nessa noite, assegurando que o consumo de álcool estava longe de ser considerado excessivo, e, apesar de o seu grupo de amigos ser bastante mais barulhento do que os restantes clientes, diz que não estavam numa
"festa louca"
.


Kate e Gerry McCann
Kate e Gerry McCann
Reuters
No seu livro, cujas receitas irão reverter para o fundo criado para as buscas de Maddie, Kate revela ainda que a Polícia Judiciária lhe propôs que confessasse ter escondido o corpo da filha, após a
"morte da criança num acidente no apartamento da Praia da Luz
". Num capítulo que intitulou
No Reino da Fantasia
, Kate defende que a proposta da PJ visava tornar a sentença
"muito mais indulgente"
, contando que o advogado
Carlos Pinto Abreu
, que o casal contratou meses depois do desaparecimento da filha, lhe disse que se ela não aceitasse essa proposta, seria "
acusada de homicídio".


Estas revelações coincidem com uma carta que os pais de Madeleine enviaram ao primeiro-ministro britânico,
David Cameron
, pedindo a reabertura da investigação policial do desaparecimento da filha, e na qual solicitam ao chefe do governo britânico a participação das autoridades britânicas e portuguesas nesses procedimentos, que foram suspensos um ano após o desaparecimento de Maddie, por falta de provas. Kate e Gerry alegam não ter havido "
uma revisão formal de toda a informação recolhida pela polícia, como se faz habitualmente na maioria dos crimes não resolvidos
", e apelam a uma investigação "
independente, transparente e compreensiva".

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