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Na sua casa e na companhia da família, Tozé Martinho revela o seu lado mais privado

Advogado, ator e autor, Tozé Martinho tem dedicado a sua vida à criação. Foi ao lado da mãe, Tareka, e da irmã Ana Maria Magalhães que falou com a CARAS.

Joana Carreira
8 de maio de 2011, 18:31
Tozé Martinho
poderia ter sido veterinário ou economista, mas quis a vida, e as suas paixões, que se encontrasse com o Direito, a representação e o guionismo. Filho da atriz
Maria Teresa Guerra Bastos Gonçalves
, conhecida como Tareka, e irmão de
Ana Maria Magalhães
, autora que escreve em parceria com
Isabel Alçada
os livros da coleção juvenil
Uma Aventura
, o ator cresceu numa família em que a criação e a imaginação sempre foram estimuladas.
"A minha mãe é uma mulher criativa e incentivava os filhos a manifestarem os seus talentos. Ela procurava aperfeiçoar sem destruir. A nossa família sempre foi muito estimulante,"
explicou Ana Maria Magalhães, que apresentou recentemente
Uma Aventura na Ilha de Timor
. A imaginação não se ficou pela infância e adolescência e durante toda a sua vida Tozé tem inventado personagens, ou, como prefere dizer,
"pessoas"
. Hoje, o ator e advogado - pois continua a exercer - é um dos autores de telenovelas mais conceituados em Portugal, contando no currículo produções como
Amanhecer
e
Olhos de Água
.

Contudo, não é apenas no campo profissional que Tozé se tornou um homem bem sucedido. Casado há 36 anos com
Ana Rita Martinho
, pai de dois filhos,
António
e
Rita
, e avô de três netos, o ator tem na história da sua fa-mília o seu guião preferido. Foi na sua casa em Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém, que a CARAS esteve à conversa com o ator, que passou uma tarde em família na companhia da irmã mais velha e da mãe.


Tozé Martinho com a mãe, Tareka
Tozé Martinho com a mãe, Tareka
António Bernardo
- Qual é a relação que tem com esta terra e esta casa?

Tozé Martinho
- A minha mãe ficou viúva quando eu tinha nove anos. Depois, voltou a casar-se e como o meu padrasto é daqui, viemos para cá. A minha ligação com esta minha terra de adoção é profunda. Aqui passei toda a minha adolescência e comecei a minha vida.


- Gosta tanto de estar em Salvaterra de Magos que se mudou definitivamente para cá...

- Depois de me casar fui para Cascais e vivi lá 30 anos. Adorei Cascais, sobretudo na sua versão daquele tempo. Hoje, já é mais complicado, tem muito trânsito. Mas acho que chegou uma altura em que me apetecia ter algo meu, como a terra. E comprei este terreno e construí esta casa. São 50 quilómetros até Lisboa, onde vou todos os dias.


Tozé Martinho
Tozé Martinho
António Bernardo
- E como é que alguém que começou por estudar Veterinária e mais tarde Economia se licencia em Direito?

- Eu pertenço a uma família de médicos e, naturalmente, houve alguma influência para me tornar médico, mas eu não tinha a menor vocação. Escolhi Veterinária, mas a determinada altura senti que aquela não era a minha vida. Entretanto, fui mobilizado para a tropa. Estive em Mafra, Santarém e quando já não esperava, fui para Moçambique, onde estive dois anos. Depois ingressei no Instituto Superior de Economia, mas entretanto a Matemática tinha mudado da clássica para a moderna. E fui-me embora, porque não entendia nada. O meu bisavô era juiz e fazia coleção de livros de Direito. Um dia encontrei um livro sobre a
s
ordenações filipinas. E a leitura que fiz foi tão apaixonante que decidi estudar Direito.


- Entretanto descobriu a representação...

- Quando vim da tropa, já tinha 24 anos, proporcionaram-me uma aventura extraordinária no concurso
A Visita da Cornélia
, que fiz com a minha mãe. Depois, convidaram-me para fazer um filme. Nessa altura, a
Josephine Chaplin
era casada com o
Maurice Ronet
, que era muito meu amigo. Convidei-os para jantar e ela, que tinha visto a minha prestação no filme, incentivou-me e disse-me:
"Tozé, tu tens de seguir esta vida."
Explicou-me tudo o que ia encontrar e como deveria agir. Foram conselhos primordiais para mim.


Tozé Martinho com a irmã, Ana Maria Magalhães
Tozé Martinho com a irmã, Ana Maria Magalhães
António Bernardo
- Que vida precisa de se ter para se escrever sobre tantas histórias que não são a sua?

- Eu acho que essa inspiração vem lá de cima. Eu tenho uma hora propícia para isso, que é ao acordar. Deito-me a pensar nas coisas e naquela fase em que ainda não estou bem acordado, surgem ideias que vêm tornear coisas em que já tinha pensado. E o fator mais relevante é a criação das personagens, que é um trabalho quase divino. No fundo, o que tenho de fazer é criar pessoas, porque se criar personagens ninguém vai acreditar nelas. É preciso estar muito atento. Sou um observador de pormenores.


- Assim, as personagens que cria vêm consigo para casa, o que acaba por ser complexo...

- É complexo, mas é a única maneira de estar quando nos encontramos na composição de uma personagem. São vivências que passam a pertencer à nossa vida. A Ana Rita também escreve comigo e sabe do que estou a falar.


- Parece que se completam no trabalho e na vida...

- Claro que sim. O único segredo que há para um casamento resultar é saber passar por cima de diferendos. Daí vem o entendimento e a resolução dos problemas. Os sacrifícios fazem parte da vida.


Tozé Martinho
Tozé Martinho
António Bernardo
- Escrever novelas atrás de novelas, ser advogado, ator, pai, marido e filho deve ser extenuante...

- Sim, sim. Mas sempre geri o meu campo pessoal e profissional com muita cautela. Houve alturas em que o Direito ficou um bocadinho para trás. Em casa sou talvez um bocadinho distraído, pouco atento, mas tenho toda a atenção. Tentei ser o mais cuidadoso possível com toda a minha família.


- Se o Tozé Martinho entrasse numa novela, como seria a sua personagem?

- Seria alguém trabalhador, atento, com ideias que projetassem o futuro de uma forma mais apetecível, otimista. E que no fim dessa caminhada de luta trouxesse um apogeu.


- E já viveu esse apogeu?

- Estou sempre pronto para vivê-lo. Ainda me falta cumprir muita coisa. Falta-me sempre tudo. Cada passo que se dá é um passo novo, cada novela que se escreve é mais um desafio... Nunca baixo os braços. Tenho sempre entusiasmo para o dia que aí vem.


Tozé Martinho com a mãe, Tareka, e a irmã, Ana Maria Magalhães
Tozé Martinho com a mãe, Tareka, e a irmã, Ana Maria Magalhães
António Bernardo
- Sente que hoje se escreve por encomenda e consoante as audiências?

- Tento fugir um bocadinho disso. Às vezes dizem-me que tenho de acelerar mais, mas se é para entrar no disparate, prefiro não fazer. Assim, estou a defender o público e a projeção da própria estação.


- Tal como o Tozé, a sua irmã também escreve. Sempre foram pessoas criativas?

- Nos primeiros anos dormíamos no mesmo quarto e a minha irmã contava-me histórias. Tínhamos dois amigos imaginários que viviam connosco. Ela só tem mais um ano que eu, somos muito próximos.


- E que relação tem com a sua mãe?

- Tudo aquilo que possa dizer sobre a minha mãe é pouco. É uma pessoa incontornável na nossa vida e na de todas as pessoas que a conheceram. Tenho colegas meus que falam dela com um carinho e uma ternura extraordinários.

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