Nas Bancas

Delfina Cruz: "Gosto muito do meu espaço e adoro viver só"

Aos 65 anos, a atriz mantém uma vontade invejável de viver, de abraçar novos projetos e de continuar a fazer da representação a sua grande paixão.

Joana Carreira
22 de abril de 2011, 10:23

Estreou-se no Parque Mayer com 16 anos, pela mão de Vasco Morgado, e hoje, aos 65 anos, Delfina Cruz é uma das atrizes mais conceituadas da televisão portuguesa. Habituada a ser reconhecida na rua desde muito cedo, Delfina garante que no início da sua carreira as manifestações dos fãs eram muito maiores e que tem algumas saudades desses tempos.
Terminadas as gravações da novela da TVI Mar de Paixão, a atriz tem aproveitado todos os momentos para estar junto da filha, Maria Custódia Amaral, fruto do seu casamento de 32 anos com José Pinto Amaral, e do neto, Bernardo, de 18 anos.
Foi sobre as décadas de carreira, a forma como encarou a morte do marido e como tem lidado com a solidão que a atriz conversou com a CARAS.

Delfina Cruz
Delfina Cruz
Natacha Brigham
- Passados tantos anos, a sua profissão continua a ser a sua grande paixão?

Delfina Cruz -
É a minha paixão desde os 11 anos e com 16 fui à luta. Vi um anúncio de figuração para cinema que me levou ao teatro e foi onde conheci o Vasco Morgado.


- Os seus pais aceitaram de imediato a sua escolha?

-
Nem pensar, sou proveniente de uma família muito conservadora, em especial a minha mãe. Com o passar dos anos, e ao ver o meu sucesso, foi aceitando, mas a princípio chorou muito.


- Tem saudades dessa época?

-
Tenho saudades das palmas, do meu público, que seguia bastante o meu trabalho e me acarinhava muito. Não tenho saudades da competição, nem das alturas em que fui prejudicada por outros colegas.


- Com uma vida profissional tão ativa, foi conseguindo ser uma mãe e avó presentes?

-
Sou uma avó mais presente do que fui enquanto mãe, pois na altura em que a minha filha era pequena eu fazia muito teatro. Enquanto avó, gostaria de o ser ainda mais, pois o meu neto, apesar de muito carinhoso, é muito cioso do seu espaço. Mas sou uma mãe demasiado preocupada.


Delfina Cruz
Delfina Cruz
Natacha Brigham
- Perdeu o seu marido há oito anos. Como é que se aprende a viver com a saudade?
-
Fica sempre uma ferida, uma saudade muito grande, mas sou uma mulher solitária. O meu trabalho e a minha filha ajudaram-me a encarar a minha viuvez.


- E nunca pensou refazer a sua vida?

-
Não, porque ainda não apareceu a pessoa por quem acho que me deveria apaixonar. Sou uma mulher de 65 anos e agora não posso apaixonar-me facilmente, até porque tenho muito medo do ridículo. Apetece-me viver a vida, divertir-me, rir e viajar... Quando tiver de aparecer alguém com os mesmos gostos que eu, que goste de teatro, cinema, museus, de ler e com quem haja uma grande cumplicidade... Se não for assim, prefiro estar sozinha. Gosto muito do meu espaço e adoro viver só.


- Como é que lida com a idade?

-
Muito bem. Não tenho medo de envelhecer, embora tenha muitos cuidados. Lido habitualmente com imagens minhas em nova e com plumas... Adoro. Tinha imensos pretendentes. [risos]


- É uma pessoa disciplinada?

-
Muito, até demais. A nível de trabalho e de quotidiano, sou muito disciplinada, embora ache que uma pontinha de loucura também faz bem. Mas também já tive algumas. [risos] Julgo que tenho sido bastante generosa na minha profissão, sou uma mulher tolerante, bondosa e um ser humano mais ou menos decente. Não gosto de viver o passado e nem sequer quero pensar no futuro. Agora só quero viver o presente.


*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

Comentários

ATENÇÃO: ESTE É UM ESPAÇO PÚBLICO E MODERADO. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

Nas Bancas

Newsletters

Receba grátis no seu email as notícias, as últimas caras!

Caras Nas Redes

Mais na Caras