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Renato Seabra: Leia a entrevista exclusiva a José Malta, cunhado do jovem modelo

O jovem acusado do homicídio de Carlos Castro é hoje novamente ouvido em tribunal e irá declarar-se inocente.

Joana Carreira
1 de fevereiro de 2011, 09:34

A família de Renato Seabra continua em choque com toda a situação que envolve o jovem de Cantanhede. Detido na ala psiquiátrica do Bellevue Hospital, em Nova Iorque, onde está desde a morte de Carlos Castro, o jovem aguarda audiência do Supremo Tribunal, marcado para 1 de fevereiro. Já recebeu duas visitas da mãe, Odília Pereirinha, que regressou entretanto a Portugal, e também do pai, Joaquim Seabra, como nos conta José Malta nesta entrevista. A irmã, Joana, mulher de José Malta, ainda não esteve em Nova Iorque, já que está no primeiro trimestre da sua primeira gravidez, quando são desaconselhadas longas viagens de avião.

Joana, irmã de Renato Seabra, com o marido, José Malta
Joana, irmã de Renato Seabra, com o marido, José Malta
D.R.
- Como está a família a acompanhar a evolução deste processo? É difícil fazê-lo à distância?

José Malta -
A família, os amigos e todos os colegas e conhecidos do Renato estão muito tristes. Acompanhar a situação à distância é difícil. Diz-se muita coisa na comunicação social, mas é muito escassa ou nula a informação proveniente das entidades oficiais.


- Por que motivo não viajou a sua mulher, Joana, para Nova Iorque com a mãe?

- Está grávida. No primeiro trimestre de uma gravidez não são recomendadas, regra geral, e salvo indicação médica em contrário, viagens longas de avião.


- A sua sogra é descrita por aqueles que a conhecem mais de perto como uma mulher lutadora. Já sentiu que ela estivesse a ir-se abaixo, devastada pela dor?

- É indubitável que é preciso ter muita força para lidar com este pesadelo que se abateu sobre ela e sobre o seu filho. As mães são absolutamente extraordinárias, são seres inefáveis. Acredito que ela tenha força para não se deixar ir abaixo, sobretudo porque o seu filho precisa muito dela neste momento. Isto é um drama, pode acontecer a qualquer mãe de Portugal! As pessoas têm reconhecido isso. É de grande dimensão e comovedor todas as mensagens e telefonemas de apoio, de familiares, amigos e de muitos, mas mesmo muitos, portugueses anónimos que têm chegado, sobretudo incrédulos com a situação em que o jovem Renato ficou subitamente envolvido e incentivando a mãe a ter força e coragem para dar todo o apoio possível ao seu filho, que está sozinho num lugar desconhecido e pouco acessível.


Odília Pereirinha
Odília Pereirinha
Hugo Correia
- Algumas notícias dão-nos conta da vontade da sua sogra mudar-se para Nova Iorque para poder acompanhar o filho mais de perto. É verdade?

- Na impossibilidade de ter o seu filho mais próximo, e sendo difícil deslocar-se aos EUA com a desejada frequência, não me admirava nada que ela ponderasse a emigração.


- O Renato tinha uma relação de grande proximidade consigo, com a irmã e a mãe. Ele falava-vos de Carlos Castro? O que dizia sobre ele?

- Já avançámos alguma informação daquilo que era do nosso conhecimento. Todos os detalhes virão à luz do dia durante a investigação do processo e falaremos de tudo isso oportunamente com a comunicação social.


- Como encara a família a possibilidade do Renato levar uma vida dupla, desconhecendo a família o verdadeiro teor da sua relação com Carlos Castro? Parece-lhe possível?

- Custa-me mesmo muito acreditar nessa conjetura.


Bellevue Hospital
Bellevue Hospital
D.R.
- Num caso destes, é normal os mais próximos culpabilizarem-se por tudo o que fizeram, por tudo o que não fizeram e por aquilo que acreditam que poderiam ter feito. Essa culpabilização existe na mãe e na irmã do Renato?

- Acho que ninguém consegue antever um cenário trágico como este. Ninguém quer a morte de uma pessoa. As nossas condolências e apoio nesta hora difícil à família e amigos do Sr. Carlos Castro. E também ninguém quer a desgraça de um jovem de 21 anos, sem qualquer registo de incidentes violentos, sem registo criminal, bem formado, civilizado... Estou certo que é uma tragédia quer para os que veem o seu ente querido partir, quer para os que veem o seu ente querido sob ameaça de ter o seu futuro, quando ninguém o esperava, absolutamente estragado.


Joaquim Seabra
Joaquim Seabra
D.R.
- Pode dizer-me que tipo de relação o Renato tinha com o pai? Sabe se em Nova Iorque existiu algum contacto entre pai e filho?

- É um pai ausente, mas é pai. Sim, já falaram, e o Renato gostou da visita.


- Em Nova Iorque, a mãe de Renato é apoiada por quem? Ficou alojada num hotel ou em casa de familiares?

- É apoiada por amigos e familiares. Ficou alojada em casa de amigos e familiares.


- Fala-se muito de quem estará a pagar a defesa de Renato. Pode dizer-me algo a esse respeito?

- É a mãe.


- Como descreveria o seu cunhado?

- Um jovem de 21 anos, absolutamente normal, típico da sua geração. Uma característica que aprecio muito nele é a preocupação com a família, particularmente com a mãe, a irmã e a avó.


Odília Pereirinha
Odília Pereirinha
Hugo Correia
- O José e a sua mulher não planeiam visitar o Renato em Nova Iorque? A Joana já
falou com o irmão?
- Se houver possibilidade, sim. Claro que preferíamos que ele estivesse cá. O apoio seria completamente diferente. Ele está absolutamente abandonado. Não tenham dúvidas sobre isto. Um cidadão português que fique com esta noção clara: se lhe acontecer qualquer coisa nos EUA, não conte sequer com uma comunicação oficial das autoridades portuguesas! É lamentável. Não, a irmã ainda não conseguiu falar com o Renato.


- Como tem vivido a sua mulher estes dias?

- Muito triste. Tentando dar o máximo de apoio naquilo que pode. Mas, como sempre, a cuidar o melhor possível do presente e planeando e acreditando sempre no futuro melhor para todos.


- O que pede a família de Renato para o futuro mais imediato?

- Que se apure toda a verdade. Que se faça justiça em conformidade com essa verdade e com todos os contornos dessa verdade. Que ao cidadão português e europeu Renato Seabra sejam salvaguardados todos os seus direitos, humanos e legais.


*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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