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Alexandra Lencastre: "Esta foi a primeira vez que vi neve"

A atriz esteve em Andorra com as filhas, Margarida e Catarina, e concretizou um sonho antigo: ver neve.

Joana Carreira
25 de janeiro de 2011, 18:31

O seu trabalho enquanto atriz é reconhecido e admirado tanto pelo público como pelos colegas, mas a personalidade forte das personagens que interpreta nas telenovelas chega a contrastar com a sua própria maneira de ser. Educada, inteligente e muito sociável, Alexandra Lencastre revela simultaneamente algumas inseguranças injustificadas.
Afinal, é uma excelente atriz, é bonita e tem duas filhas que lhe retribuem todo o amor e carinho que dela recebem. Foi o que a CARAS testemunhou durante os dias que Alexandra passou em Andorra com Catarina e Margarida, de 12 e 14 anos, respetivamente.

- O convite para participar nesta viagem acabou por proporcionar a concretização de um sonho antigo: ver neve pela primeira vez...
Alexandra Lencastre - É verdade. Já tinha vindo a Andorra há uns anos, fazer compras, e lembro-me de ver ao longe os Pirenéus franceses... A determinada altura da viagem parámos e eu saí do carro eufórica porque ia finalmente tocar na neve, quando me disseram que aquilo não era neve, mas sim gelo! [risos] Tem sido, de facto, um sonho que tinha vindo a ser adiado por variadíssimas razões. O ano passado, por exemplo, tinha reservado uns chalés na serra da Estrela para passar o fim de ano com a família toda, mas infelizmente a minha avó adoeceu e acabámos por desistir. Mas estes desportos de neve seduzem-me muito, mais enquanto observadora do que como praticante.

Alexandra Lencastre
Alexandra Lencastre
João Lima
- Estes três dias também são uma forma de estar mais disponível para as suas filhas, antes de regressar aos apertados horários das gravações?

- Eu tenho conseguido estar presente, porque faço uma vida cada vez mais sossegada e tranquila. É isso que procuro e é assim que me sinto bem. Tirando o trabalho que levo para casa, é raríssimo sair à noite. Portanto, elas estão muito habituadas à minha presença. Telefono-lhes imensas vezes durante o dia, deixo bilhetinhos espalhados pela casa, e faço uma coisa muito engraçada e muito simples que aprendi com uma história que elas trouxeram para casa, e que todos os pais que têm horários ao contrário dos ditos normais podem fazer: quando chego a casa e elas já estão a dormir, dou-lhes um nó no lençol. Assim, quando acordam, sabem que estive ao lado delas. É simples, mas muito eficaz.


- Nestes dias não foi preciso dar nós nos lençóis...

- Não. Para elas também foi bom verem-me no meio de um grupo, já que estão habituadas a que esteja sempre muito isolada. Ontem diziam-me:
"Mãe, estavas divertidíssima no meio de tantos amigos!"
De facto, isto não é muito habitual. Nós temos uma vida um bocadinho austera, ao contrário do que se possa pensar. Lá em casa não é uma festa, é raríssimo recebermos convidados para jantar, por isso, isto para elas é uma festa...


Catarina e Margarida, filhas de Alexandra Lencastre
Catarina e Margarida, filhas de Alexandra Lencastre
João Lima
- O ano passado matou saudades do teatro, falta voltar a fazer um filme...

- Tenho muitas saudades de fazer cinema, é verdade. Houve um ano em que fui convidada para fazer cinco filmes, mas não cheguei a fazer nenhum devido aos compromissos de trabalho com a TVI. A última vez que gravei foi há dois anos, quando fiz uma participação especial num filme de
Fernando Lopes
, no qual, ao contrário do que costuma acontecer, gostei muito de me ver.


- Não costuma gostar de se ver no ecrã?

- Nem de me ver, nem de me ouvir! Por vezes, há uma cena ou outra de que gosto, mas, como costumo dizer, pagam-me para fazer novelas, não para me ver nelas. [risos]


- Quer dizer que nunca vê as cenas que grava?

- Só vejo as primeiras cenas de uma novela, para aferir aquilo que está bem ou mal. Depois, quando chego a casa, só tenho duas hipóteses: ou estudo os textos para o dia seguinte ou vejo a novela, tenho de optar. Parece exagero, mas é mesmo assim. Além disso, as novelas não são um produto que me fascine. Gosto mais de as fazer do que de as ver. Fazer é uma excelente musculação para um ator, onde nos divertimos e sofremos também, que nos obriga a reagir muito rapidamente e a ter uma enorme flexibilidade e adaptabilidade em relação a tudo, às roupas, ao cabelo, às expressões, ao tom de voz, aos outros atores...


Alexandra Lencastre com as filhas, Catarina e Margarida
Alexandra Lencastre com as filhas, Catarina e Margarida
João Lima
- E está preparada para ver a sua filha mais velha seguir os seus passos? Ela parece convicta nessa decisão...

- Nunca acreditei muito nisso, mas parece que é mesmo o que ela quer. A Margarida tem, de facto, muitos talentos: toca muitíssimo bem piano, e isso herdou da família do pai, e dança balé - aos dez anos até queriam que ela continuasse a dançar em Paris ou Londres - e tem desperdiçado esses talentos. Representar pode eventualmente ser um dos seus talentos, até porque tudo se trabalha, mas, a meu ver, tem pouca capacidade de sacrifício. Ela agora quer entrar para a escola de teatro do
Carlos Avillez
. Eu e o
Piet-Hein
já fomos visitar a escola e tirar as nossas dúvidas, e vamos deixá-la ir. Pela primeira vez, ela quer fazer uma coisa em que sabe que não terá a companhia de amigas, que terá de fazer o percurso de transportes e andar imenso a pé, e, ainda assim, está tão disposta a fazê-lo que isso talvez seja revelador. Não há como contrariar. Se correr mal, serei a primeira a pegar nela e voltar a inscrevê-la numa outra escola para repetir o 10.º ano. Isto porque o ensino complementar numa escola artística em Portugal não lhe permitirá ter médias para entrar em faculdade nenhuma. Já tentei que ela tomasse consciência disto, mas ela acha que está a medir forças comigo, quando eu estou só preocupada. Eu própria esperei até ter a certeza de que queria seguir este caminho na área da representação. Só quando percebi que tinha algum jeitinho - e já estava no segundo ano de Filosofia da faculdade - é que fiz os exames para tentar entrar no Conservatório, sempre convencida de que não iria entrar. Quando fui admitida é que acreditei que era aquilo que ia fazer. Foi muito importante e decisivo. Se não tivesse entrado no Conservatório, garanto que nunca teria seguido esta carreira. Estaria a dar aulas de Filosofia num liceu qualquer e, se calhar, estava contente.


*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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