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Hélder Rodrigues

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Red Bull Photofiles | Marcelo Maragni

Hélder Rodrigues em entrevista depois da consagração no Dakar Argentina-Chile

O piloto de Almargem do Bispo, que conquisto o terceiro lugar no pódio, confessa que já pensa na próxima edição da competição.

Andreia Guerreiro
17 de janeiro de 2011, 19:41

Depois da festa em Buenos Aires, onde Hélder Rodrigues subiu ao pódio do Rali Dakar Argentina-Chile 2011 para receber o terceiro lugar da classificação geral, o piloto faz o balanço da sua quinta participação na mais dura prova do todo-o-terreno mundial.

Como foi esperar na meta pela confirmação do terceiro lugar?
Foram momentos de grande ansiedade e talvez os minutos mais longos da minha vida. Quando se tornou oficial não consegui conter as emoções, senti-me o piloto mais feliz do Mundo.

É um resultado de sonho?
Sem dúvida que sim, mas tenho a clara noção que cheguei onde cheguei por mérito próprio. O Rali Dakar é de longe a mais dura competição de todo-o-terreno do Mundo e o sucesso resulta de inúmeros fatores. No que me diz respeito, sei que fui sempre rápido e competitivo. Não escondo que fiquei algo surpreendido com a subida do quarto para o terceiro lugar, mas o Dakar é mesmo assim. No ano passado fui eu que tive muitos problemas e sofri com isso, pois cheguei a andar em segundo da geral e depois tive que me contentar com o quarto lugar. Desta vez foi o Francisco Lopez Contardo que teve problemas, mas compreendo a frustração que ele sentiu.

Tiveram oportunidade de falar no assunto?
Falei logo com o Francisco Lopez Chaleco, de quem sou bastante amigo. Ele felicitou-me pelo meu terceiro lugar e eu também lhe dei os parabéns pelo excelente Dakar que ele fez. Ele foi aliás o primeiro a lembrar que no ano passado tinha sido ele a ganhar com o meu atraso. Desta vez eu fui mais feliz, a competição é mesmo assim. Foi um momento duro para todos, mas a nossa amizade está acima disso.

Resumo do Dakar 2011?
Terminei como é sabido com um resultado histórico, mas para lá chegar tive que sofrer muito. Penso que foi o Dakar mais complicado da minha carreira, onde as coisas aconteceram de uma forma muito diferente se compararmos com a prestação que tive noutras edições.

Para começar tive uma primeira semana que correu muito mal, desde a primeira etapa. Atrasei-me bastante e não foi fácil encontrar o meu melhor ritmo de corrida. Depois ganhei ânimo e com muita determinação lá fui subindo, chegando ao dia de descanso com uma motivadora vitória na etapa. Estava de novo no rumo certo, quando em dois dias fui traído pela navegação e me atrasei mais de uma hora. Continuei sempre ao ataque, etapa após etapa, sempre convicto de que ainda era possível atingir o meu grande objetivo para este Dakar.

Acreditar sempre?
Já tenho alguma experiência do Dakar e por isso nunca baixei os braços, mesmo quando via que estava mais longe do Chaleco. Sabia obviamente que me estava a afastar do objetivo, mas procurei abstrair-me e dar sempre o meu melhor. Por isso cortei a meta com o sentido de missão cumprida.

É o culminar da carreira?
O pódio do Dakar é sem dúvida uma grande meta que consegui atingir. Fiquei atrás de dois pilotos oficiais e, portanto, fui o melhor piloto semi-oficial, o melhor piloto Yamaha e também o melhor português. São muitos motivos de satisfação.

E agora?
Agora quero um pouco de paz e descanso, pois estes 9.000 quilómetros deixaram-me de rastos. Depois é altura de começar a pensar no próximo Dakar. Sou cinco anos mais novo que o Cyril Després e três do que o Marc Coma e sei que tenho ainda pela frente muitos anos de Dakar. Vencer o Dakar era um sonho de criança, agora sei que estou cada vez mais próximo de o concretizar.

*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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