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Ana Cordeiro: "Quando queremos muito uma coisa, há que tentar"

A decoradora e proprietária da loja Prego Sem Estopa sente-se uma mulher feliz e realizada e tem nos dois filhos, Tomás, de dez anos, e Francisco, de nove, os seus maiores amigos e companheiros.

Joana Carreira
5 de janeiro de 2011, 10:28

Encara a vida sem receios e com a certeza de que nem sempre o caminho certo vale mais do que o aparentemente incerto. Por isso, Ana Cordeiro, de 44 anos, não teve medo de arriscar, deixar a profissão de professora e seguir em busca do seu sonho: trabalhar na área da decoração. O nascimento dos filhos, Tomás e Francisco, de dez e nove anos, respetivamente, não a fez desistir do que mais ambicionava. Hoje é dona da conhecida loja Prego Sem Estopa e uma decoradora de renome, prova de que às vezes vale a pena arriscar. Em breve abraçará um novo projeto enquanto consultora da empresa Socitoldos.

- É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas. Como surgiu a paixão pela decoração?
Ana Cordeiro - Foi algo que esteve sempre em mim, desde muito cedo que tive jeito para os trabalhos manuais. Em adolescente já fazia caderninhos que vendia às lojas da Rua Castilho e, inclusivamente, quando fiz testes psicotécnicos, o resultado foi o de que deveria seguir qualquer coisa dedicada às artes e à decoração. Acabei por seguir línguas, pois também queria um trabalho que tivesse contacto com muita gente, em que pudesse viajar... Dar aulas é que nunca pensei... Mais tarde, quando decidi mudar de vida, tirei o curso de Decoração e Arquitetura de Interiores.

Ana Cordeiro com os filhos
Ana Cordeiro com os filhos
Mike Sergeant
- Não sentiu dificuldade em arriscar e apostar numa coisa que não era certa?

-
Acredito que quando queremos muito uma coisa, não há por que não tentar. Nunca tive medo de começar e apostar em algo de que gostava. O meu trabalho na decoração foi construído com esforço, mas também com muita calma.


- Decidiu mudar numa altura em que ia ser mãe pela primeira vez...

-
Montei a loja enquanto estava grávida de sete meses do Tomás e foi muito difícil.


- Essa sua forma de estar na vida, sem receios, não servirá também de exemplo para os seus filhos?

-
Julgo que sim. Sem dúvida que devemos seguir as nossas convicções e espero que os meus filhos façam isso sempre.


- Que tipo de mãe é?

-
Não sou uma ditadora, mas gosto muito que eles tenham regras. Acho também que lhes dou muito amor e sou muito companheira, atenta e presente. O objetivo sempre foi fazer dos meus filhos crianças felizes e equilibradas.


- São muito diferentes um do outro?

-
Muito. [risos] São duas crianças realmente muito diferentes, tanto fisicamente, pois um é louro e o outro moreno, como psicologicamente. O Tomás é muito doce, mas mais introvertido e reservado, e o Francisco é extrovertido e é também muito meigo.


Ana Cordeiro
Ana Cordeiro
Mike Sergeant
- Algum deles tem um instinto protetor para consigo?

-
Eles são os dois muito queridos e meus amigos.


- E consegue facilmente conjugar as suas funções de mãe com a sua profissão?

-
Fácil não é e por vezes é até bastante cansativo. Tenho a sorte de ter uma família que me apoia e de ter uma empregada fantástica que me ajuda bastante. Depois, é mais uma daquelas situações em que o esforço e empenho tudo ultrapassam.


- Alguma vez o Francisco e o Tomás 'cobraram' a sua ausência?

-
Eles gostam muito da minha presença e por vezes perguntam-me se não posso ficar em casa, mas nem sempre é possível. Costumo dizer que a vida ultrapassa-nos um pouco e temos de aprender a minimizar danos e a compensá-los o mais possível com tempo de qualidade sempre que estamos juntos.


- Que programas fazem habitualmente?

-
Bem, no dia-a-dia temos de trabalhar muito, pois as crianças trazem imensos trabalhos de casa. No tempo livre gostamos muito de sair de casa e fazer todo o género de programas ao ar livre. Gosto essencialmente de estimular a parte intelectual deles.


- Sendo uma mulher tão dedicada ao trabalho, a maternidade é o que realmente a completa?

-
Adoro ser mãe e não tive mais filhos porque achei que não iria ter o tempo necessário para lhes dedicar. Acho também que se tivesse tido outra vida, com mais disponibilidade, seguramente teria tido mais filhos. É algo em que penso com alguma frequência, mas que agora já não há nada a fazer.


Ana Cordeiro com os filhos
Ana Cordeiro com os filhos
Mike Sergeant
- E esse desejo nunca a levou a pensar que se não tivesse mudado de profissão, poderia tê-lo concretizado?

-
Talvez, mas acho que seguramente nunca seria uma pessoa tão realizada e feliz.


- Nunca se arrependeu, então...

-
Não, nunca. Todos os dias tenho a certeza da minha escolha. O facto de estar bem comigo própria e me sentir realizada faz também com que, consequentemente, esteja bem com a minha família e com todas as pessoas que me rodeiam.


- A idade também lhe trouxe mais certezas?

-
A idade também nos traz coisas más, [risos] mas na verdade traz-nos alguma segurança, e a partir de determinada altura tornei-me mais segura das minhas convicções e menos preocupada com o que os outros possam pensar.


- Mudando um pouco de assunto e aproveitando a quadra que vivemos: como passam habitualmente o Natal?

-
Em família, com os meus pais, irmãos, sobrinhos e muita animação.


Ana Cordeiro
Ana Cordeiro
Mike Sergeant
- É a Ana que trata da decoração ou em casa prefere fugir ao trabalho?

-
Em termos de decoração, faço questão de fazer tudo. Além da árvore de Natal tradicional na sala, desde que eles nasceram que instituí que cada um tem no seu quarto uma árvore de Natal, um presépio e um calendário do Advento. E é muito engraçado, pois, apesar de eles já não acreditarem no Pai Natal, continuam a querer fazer todas estas coisas comigo. É bom perceber que eles têm espírito de Natal.


- A avaliar por todas essas tradições que alimenta, esta é com certeza uma época de que gosta...

-
Sim, sempre gostei muito do Natal, devido à sua magia, mas claro que desde que fui mãe ganhou um significado ainda mais especial.


- Nota-se que tem cuidado com a sua imagem. Nestas épocas controla a alimentação?

-
Tento sempre equilibrar as coisas durante o ano inteiro e no Natal não é exceção. Cozinho muito pouco, pois não tenho tempo, mas gosto imenso de fazer doces. [risos]


*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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