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Lúcia Piloto realizada no seu papel de avó moderna

Apesar de ter uma agenda profissional ocupada, a empresária tenta ser uma avó presente e não esconde que os trata com mais condescendência do que tratou as filhas.

Andreia Guerreiro
20 de dezembro de 2010, 10:31
Lúcia Piloto
está longe de obedecer àquela imagem da avó que está em casa à espera que os netos cheguem para lanchar, com um bolo acabado de fazer na mesa. Com 33 anos de carreira, a empresária, responsável pela Lúcia Piloto Cabeleireiros, tem uma vida profissional mais ativa do que nunca, e não se imagina a deixar de trabalhar nos próximos anos só para conseguir ter mais tempo livre para si e para a família. Ao lado do marido,
Júlio Piloto
, com quem está casada há 40 anos, a empresária construiu uma marca de sucesso que, acredita, vai continuar a crescer com as filhas,
Patrícia
, de 38 anos,
Cláudia
, de 35, e
Andreia
, de 34, que pertencem à administração da empresa criada pelos pais.

Foi sobre esta aventura familiar, dentro e fora de casa, que Lúcia falou com a CARAS, na sua casa, em Lisboa, depois de uma produção na qual juntou os seus cinco netos,
João Francisco
, de 12 anos, filho de Patrícia,
Carolina
, de 11,
Francisca
, de dez, e
Carlota
, de um ano, filhas de Cláudia, e
Beatriz
, de seis meses, filha de Andreia.


- Como é que tem conciliado o seu papel de avó com o de empresária muito ativa?

Lúcia Piloto
- Bem, eu já vou na segunda etapa de netos, porque os mais velhos têm idades muito próximas e só passados vários anos é que nasceram as mais pequenas. Dei mais atenção aos mais velhos, porque estava numa fase mais calma. Agora estou cheia de trabalho e confesso que não tenho dado tanta atenção às mais novas. Dentro daquilo que posso, tento ajudar e estar presente, mas não sou daquelas avós que podem estar todos os dias com os netos. O que sinto é que sou mais condescendente com eles do que fui com as minhas filhas. Por isso é que faz falta ter pais e avós, para haver uma compensação.


Os netos de Lúcia Piloto
Os netos de Lúcia Piloto
Mário Galiano
- E como é que se faz presente na vida dos seus netos?

- É complicado, porque sou uma avó trabalhadora. Segunda e terça-feira, que tenho os dias mais livres, tento ir buscar o João Francisco ao colégio... Não é fácil, porque tenho três filhas e cada uma já tem filhos.


- Falando da época em que começou a sua carreira e tinha as suas filhas ainda pequenas: acredito que não tenha sido fácil...

- O pior foi não poder estar com as minhas filhas todos os dias, porque à hora que eu chegava elas já estavam na cama. Felizmente, elas tiveram uns avós fantásticos, que lhes davam tudo e eu tentei estar o mais possível presente na vida delas, mas sei que não lhes consegui proporcionar aquele companheirismo de que elas precisavam. A vida era muito mais difícil nessa altura, não tinha empregada a tempo inteiro e elas tinham mesmo de ficar com os avós. Eu e o pai tivemos de trabalhar muito para que elas tivessem a vida que têm hoje.


- O sucesso que teve, dentro e fora de casa, sempre foi o resultado de um trabalho de equipa com o seu marido...

- Sem dúvida nenhuma. Ele sempre foi um bom pai e um bom marido. Dentro da empresa, ele esteve à frente da parte da gestão e eu da criativa. O que temos foi mesmo criado pelos dois. Fizemos sempre uma boa dupla.


Lúcia Piloto com os netos
Lúcia Piloto com os netos
Mário Galiano
- E não era difícil trabalhar e viver com o marido?

- Claro que acabámos por criar rotinas e chegou um dia em que percebemos que nos tínhamos tornado companheiros. Também nunca brigámos, e mesmo quando havia desencantamentos, sempre pensámos no que era melhor para os dois. Houve uma altura, há muitos anos, em que nos separámos, mas nunca pusemos em causa a nossa empresa e tudo o que pertencia às nossas filhas.


- Como é que vê a opção das suas filhas de continuarem o seu trabalho e o do seu marido?

- Foi um sonho que se concretizou. Sempre sonhei que as minhas filhas pudessem seguir a minha carreira, mas não impus nada! Somos um bloco forte como família e a minha relação com as minhas filhas sempre foi coesa e intensa.


Lúcia Piloto com as netas mais novas
Lúcia Piloto com as netas mais novas
Mário Galiano
- Qual é o segredo para se envelhecer bem?

- Bem, eu sou vaidosa, gosto de preservar a minha imagem e tenho essa obrigação. Às sete e meia da manhã, quatro vezes por semana, já estou no ginásio e tenho algum cuidado com o que como... Temos de gostar de nós próprios e eu estou à frente de uma empresa que lida com a imagem, não posso aparecer descuidada.


- Não sente necessidade de abrandar profissionalmente para se dedicar mais a si própria?

- Não. Sou daquelas pessoas que fica feliz quando ouve dizer que a idade da reforma foi prolongada. Sinto-me bem, com energia, e adoro aquilo que faço. Não tenho perfil para ser dondoca, para estar em casa a fazer bolos.


Lúcia Piloto com os netos mais velhos
Lúcia Piloto com os netos mais velhos
Mário Galiano
- Como é que gostava que os seus netos a descrevessem?

- Gostava que eles dissessem que os avós foram muito importantes para eles e que me recordassem como uma companheira.


*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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