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Pedro Granger: "Há pessoas muito baralhadas nos valores e prioridades de vida"

A apresentar 'A Casa dos Segredos' e a gravar uma novela onde faz de vilão, o ator não pode queixar-se de falta de trabalho.

Andreia Guerreiro
25 de novembro de 2010, 12:37

Aos 30 anos, Pedro Granger está a passar por uma das suas melhores fases a nível profissional. A apresentar o reality show da TVI A Casa dos Segredos, ao lado de Júlia Pinheiro e Leonor Poeiras, e com um novo projeto de representação entre mãos, o ator contou à CARAS como tem lidado com a fama, falou sobre o sucesso e revela como tem conseguido conciliar as tarefas profissionais com a vida pessoal. Confessou-nos ainda o que fez para correr atrás dos seus sonhos, destaque para a formação que procurou ter, nomeadamente durante os dois anos e meio em que viveu em Nova Iorque e que marcaram um ponto de viragem na sua vida.

- Há uns anos imaginava este sucesso, toda esta exposição pública?
Pedro Granger
- O sucesso é relativo. Eu comecei há uns anos, quando o mercado não tinha a dimensão que tem hoje. No que diz respeito à área em que me insiro, a TVI não tinha ficção nacional, a SIC tinha muito pouca, e a RTP tinha, mais ou menos, duas novelas e uma série por ano. Eu estava a estudar Direito na Universidade Nova de Lisboa, e a representação foi uma opção de algum risco. Fui atrás daquilo que achava que era a minha vocação, pelo menos aquilo que gostava de fazer, que era representar.

Pedro Granger
Pedro Granger
mike Sergeant
- Foi uma oportunidade que apareceu aliada a um sonho de vida?
- Sim, foi um risco que decidi correr, embora considerando que, se corresse mal, poderia sempre voltar a estudar. Aliás, se visse que não se estava a realizar, teria recuado na minha decisão. Queria que as coisas corressem bem, acho que não me posso queixar. Às vezes, umas coisas correm melhor e outras pior, mas acho que, ao longo destes 11 anos de trabalho, tenho conseguido fazer alguns bons projetos que me têm dado muito gozo profissional e pessoal, e isso é o mais importante.


- Sempre se imaginou a seguir o caminho da televisão?
- Achava que era uma realidade muito diferente da minha, quase inatingível, por ser um ciclo muito restrito... A
Ana Brito e Cunha
quase me obrigou a ir ao meu primeiro
casting,
[risos] o
Virgílio Castelo
escolheu-me e, a partir daí, as coisas foram-se construindo.


-
Na novela Sedução, vai interpretar pela primeira vez um vilão em televisão. Como está a ser a experiência?
- De facto, é a primeira vez que o faço em novela, pois já tinha feito vilões no cinema e no teatro. É uma experiência muito engraçada, porque a personagem que interpreto é um antagonista, é muito divertido. Como costumo dizer, é um 'sacaninha muito fixe'. O
Rui Vilhena
[autor da novela] chama-lhe 'monstrinho'. [risos]


Pedro Granger
Pedro Granger
Mike Sergeant
- Acha mais aliciante fazer de bom ou mau da fita?
- Não sei, ando há mais de dez anos em televisão, a morrer, a amar e a chorar, não necessariamente nesta ordem. De repente, é como 'partir a loiça toda'.


- Em que se baseou para fazer esta personagem?
- Baseei-me em algumas pessoas com quem me cruzei ao longo da minha carreira. A minha personagem trabalha no mundo da televisão e, em todo o lado, existem boas e más pessoas, que parecem os melhores indivíduos e, no final, são as menos bem formadas. O Tiago é um alpinista social, não é nada daquilo que parece. Há pessoas muito baralhadas no que diz respeito aos valores e prioridades de vida e inspirei-me um pouco nelas.


- O Pedro tem algum aspeto em comum com o Tiago?
- Nós emprestamos sempre coisas, pois as personagens não são 100% planas. Eu dei-lhe um certo humor que é um bocado meu. Há aspetos meus que lá estão, como é óbvio, mas a essência da personagem não é minha. Mal de mim se isso acontecesse! [risos]


- Além das gravações da novela, está a co-apresentar A Casa dos Segredos. Se fosse um desconhecido, entraria num programa com esse formato?
- Não sei se conseguiria, gosto mais de estar deste lado, a apresentar, e a observar o que se passa lá dentro. Na minha vida, sou uma pessoa que gosta muito de mudar de projetos e não consigo estar muito tempo no mesmo sítio. Esta ideia de estar três meses fechado entre quatro paredes, não sei se, sinceramente, teria capacidade para isso.


Pedro Granger
Pedro Granger
Mike Sergeant
- E como é a sua relação com as duas apresentadoras do programa?
- É ótima. Com a Júlia já tinha trabalhado, é uma pessoa que me tem ajudado imenso e, acima de tudo, quer que as coisas corram bem. Eu e a Leonor somos amigos há muito tempo e sempre tivemos o desejo de trabalhar juntos. Tem sido muito divertido. O cansaço pode existir, mas quando gostamos do que fazemos e das pessoas com quem trabalhamos, é tudo mais fácil. Acabo por me sentir um privilegiado!


- Com tantos projetos profissionais, consegue ter tempo para a vida pessoal?
- Agora não tenho tido tempo nenhum. Com a apresentação e a representação ao mesmo tempo, é difícil conciliar. Fiz a opção do trabalho, no sentido de que sei que não vou ter tempo para outras coisas. É importante variar nos tipos de trabalho no que diz respeito à representação, mas também na apresentação, que é das coisas que mais gosto de fazer. Gosto de intercalar os períodos de trabalho mais intensos com outros mais folgados, também para dedicar tempo à família e aos amigos, e, sobretudo, para apostar na formação e reciclagem profissional.


-
O que gosta de fazer nos tempos livres?
- Quais tempos livres?! Agora não tenho! [risos] Mas gosto de viajar, ir à praia, ir ao ginásio. Gosto de estar com os amigos, ir ao cinema e ao teatro. Gosto de escrever e de tocar guitarra.


- Mas consegue ter tempo para a família e os amigos?

- Isso sim, o senhor
Bell
inventou aquela coisa maravilhosa que é o telefone, que nos tem ajudado. Mas é verdade que não dá para estar tão presente.


- É atento às novas tendências da moda?
- Não tenho a paranoia da moda. Nessas coisas sou muito prático, não sou dependente em relação a isso.


*Este texto foi escrito nos termos do novo acordo ortográfico.

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